Keblinger

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Uma noite no descampado

| quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ao som do rádio, atrás do volante, eu tentava manter minha excitação sob controle e ela, calmamente, ao lado, sorria ao vento e segurava os cabelos.
Eu tinha dito que a levaria a um lugar especial, para nossa primeira noite especial, pois ela é uma garota especial. Ela concordou, eu sei que também esperava por esse momento e ambos estávamos apreensivos e com aquele frio na barriga que puxava como um gancho.
O céu estava vestido de um azul claro e sem nuvens, o calor do sol era enfraquecido pelo sopro do vento causado pelo carro em movimento.
“Estamos quase lá”, eu pensei e olhei de esguelha para ela, que cantava e se sacudia.
As músicas continuaram a tocar e pouco antes da despedida do dia, chegamos ao descampado.
Ela olhou através do vidro para a extensa campina coberta de relva e sorriu para mim, como se aprovasse a escolha da localidade.
- Eu costumava vir aqui com meu pai para pensar – eu disse e acompanhei a vista dela. Nenhuma árvore por perto, ninguém além de nós.
- Aqui me parece um bom lugar para pensar, acho que até estou pensando agora – ela disse rindo-se.

- Você tem certeza de que está pronta? – eu perguntei. A lua brilhava lindamente, acompanhada das milhares de estrelas cintilantes com aquele céu azul escuro de fundo. A brisa leve levantou alguns de seus fios dourados de cabelo e o silêncio em volta gritava por uma resposta. Seu olhar expressivo pousou sobre mim, como se tentasse penetrar em minha cabeça e desembaralhar o emaranhado de pensamentos. Meu coração palpitava e parecia estar preso em minha garganta, ainda indeciso se voltava para o lugar ou se saltava para fora. Minhas mãos tremiam e eu tentava não deixar isso à mostra.
Ela se inclinou com aquela sensualidade de menina crescida e me beijou com suavidade, acrescentando doses de fervor e malícia a cada beijo.
Pulamos para o banco traseiro, ela me pregou no assento com o peso de seu corpo e se debruçou para me beijar ainda mais, enquanto suas mãos avidamente desabotoavam minha camisa e deslizavam pela minha pele arrepiada.
Delicadamente tirei sua blusa e deixei meu dedos alucinados percorrerem cada centímetro, desbravando seu corpo desnudo, descobrindo mistérios.
Enlacei meus dedos em seu cabelo e a beijei como nunca. Nossos corpos se uniram, eu a desvendei como um tesouro perdido e o som de sua respiração ofegante em meu ouvido me instigava a continuar com aquilo. Seu corpo se movia conforme os meus movimentos, seu suor se misturou ao meu... e chegamos ao clímax do prazer.
Depois do ato, com sua cabeça em meu peito, eu não encontrei palavras para quebrar o silêncio que agora soava ameno.
- Está pensando em quê? – ela me perguntou com uma voz cansada.
- Em tantas coisas – eu respondi.
- Aqui é realmente um lugar para pensar, estou pensando em muitas coisas também – nós dois rimos.
- E será que você pode dividir um pensamento?
- Não, eu posso trocar. Digo um meu e você diz um seu, de acordo? – eu fiz que sim e esperei ela continuar. – Eu estava pensando em quão maravilhosa foi essa noite. E sim, eu estava pronta. Agora é a sua vez.
Pensei por um instante e disse:
- Eu estava pensando que eu sou um cara muito sortudo por ter você e que te acho linda mesmo com o cabelo todo bagunçado.
Ela passou as mãos no cabelo e escondeu o rosto.
- Bobo, não era para você ter me visto desse jeito. Agora pegue o lençol e vamos dormir, estou pensando em descansar e guardar esse momento para sempre.
Apanhei o lençol e atirei sobre nossos corpos.
- Esse momento vai ser sempre nosso – eu disse e a envolvi em meus braços.
Adormecemos ao som dos grilos e do vento que cantava canções de ninar e um último pensamento me ocorreu. Não foi o lugar, a noite nem nenhuma outra coisa que fizeram daquele momento especial. Foi ela, fomos nós.
Nós temos o poder de fazer coisas simples se tornarem inesquecíveis.

Pauta para o Bloínquês

16 sorrisos compartilhados:

{ • cynthia bs } at: 20 de janeiro de 2011 10:21 disse...

Ai, amei ***
É verdade, cada pessoa pode fazer o mundo brilhar à cada instante, e duas então ... (:

Beijos!

{ Shuzy } at: 20 de janeiro de 2011 13:28 disse...

É uma linda narrativa... Cheia de sensibilidade, ousadia e romantismo.
E o final então?
Acho que a simplicidade tão complexa desse texto vai eternizá-lo no tempo.

{ Natália Janine Carneiro } at: 20 de janeiro de 2011 13:32 disse...

Muuuito lindo esse texto. Amei!
Parabéns!

{ Caroline Araújo } at: 20 de janeiro de 2011 13:38 disse...

Li, reli. Saiba que as suas palavras me arrastaram intensamente para dentro da história, enquanto cada nova frase se completava e me instigava a continuar a ler. Lindo o modo como tanto o ambiente, quanto as personagens e sensações ganharam vida.
Grande beijo.

{ maiscores } at: 20 de janeiro de 2011 15:38 disse...

Que texto lindo *-*
Tenha uma tarde linda!
Beijos

{ gabs } at: 20 de janeiro de 2011 15:39 disse...

Que lindo, tú já ganhou. rs'
Belissima postagem.
Fiquei sem palavras, me derreti com seu texto...
Cada vez sua escrita me surpreende mais!

{ Flávia } at: 20 de janeiro de 2011 15:52 disse...

QUE LINDOOO! *.*

Muito romântico, leve... E com uma pitada de sensualismo, sei lá!
rsrs

Adoreei! ^^ Como toodos!

Continuee assim..! ;P

(u know what I thought about this text! kkkkkkkk)

{ Mahh Ruiz } at: 20 de janeiro de 2011 18:40 disse...

Lindo texto, amei.
Beijos.

{ Jéssica F. } at: 20 de janeiro de 2011 22:06 disse...

Ah, que lindo *_* e realmente, concordo com suas palavras finais!

{ Natalia } at: 21 de janeiro de 2011 12:59 disse...

Realmente temos a capacidade de fazer todo e qualquer momento que valha a pena ser inesquecível!
Adorei o texto.

Ah, eu deixei um selinho pra ti no meu blog!

Beijão

{ Bruuh Fevers } at: 21 de janeiro de 2011 15:55 disse...

Aii eu adorei,
desejo muita sorte para você no Bloinquês ;)

http://imodelblog.blogspot.com/

{ Sara R. Carneiro } at: 21 de janeiro de 2011 18:46 disse...

Eita Rô, continuas com a mania de ser incrivelmente encantador com as palavras né? O texto ficou tão encantador quanto você *-* Parabéns ;D
p.s: Eu e minha mania de sumir sempre né? rs. Mas não pense que eu esqueço de você e do teu cantinho não viu? Sempre que eu puder, estarei aqui ;D Boa sorte no Bloínques. Beijos, *-*

{ Jéssica Trabuco } at: 22 de janeiro de 2011 00:15 disse...

Que texto mais fofo e lindo!
Muito doce suas palavras, parabéns!

{ Francilene Suri } at: 22 de janeiro de 2011 19:53 disse...

Humm, muito na narrativa!
Gostei muito!

{ manie } at: 23 de janeiro de 2011 15:38 disse...

que texto maravilhoso!
parabéns, rodolpho
o mundo seria mais feliz se todos tivessem a oportunidade de sorrir ao ler seus textos.

bjss

{ Tati } at: 15 de fevereiro de 2011 14:28 disse...

Eu amei, muito doce, envolvente e quente ao mesmo tempo. Você é incrivelmente bom Menino.

 

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