Keblinger

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Férias na mansão - Parte 2

| sábado, 8 de janeiro de 2011
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1

O escritório se revelou como um cômodo enorme e cheio de estantes vazias. Havia um grande relógio com um pêndulo num canto ao fundo, uma poltrona acolchoada estava colocada diante de uma mesinha redonda, sobre ela havia um livro, uma luminária, canetas e tiras de papel. Um cesto de lixo com uma única bola de papel em seu interior se via ao lado da mesa. Jesse e eu nos olhávamos com curiosidade, encaramos mais uma vez o ambiente estranho, havia alguns retratos nas paredes, um lustre suntuoso no teto alto e o chão de carpete.
Uma rajada de vento derrubou uma das tiras de papel da mesa. A apanhei e li em voz alta:
- Nem tudo que reluz é ouro...
- Nem tudo que se descarta é lixo – Jesse disse. Isso era uma brincadeira que nossos pais tinham, sempre que um citava um ditado, outro respondia com uma versão diferente.
Dei de ombros e coloquei o papel sobre a mesa novamente, todas as outras tiras estavam em branco.
O cesto ao lado da mesa atraiu minha atenção.
- O que você disse mesmo, Jesse? – perguntei enquanto pegava a bola de papel dentro do lixo.
Ele repetiu a frase e eu desamassei a folha. Não era uma tira. Era uma folha inteira, no canto superior direito, em letras miúdas se lia “O essencial é invisível aos olhos. (Antoine de Saint-Exupéry)”
Pensei por um momento, passei a folha para ele e ambos concordamos que nem tudo que se descarta é lixo, mas aquela folha era.
Deixamos o cômodo e voltamos para nossas atividades normais. Enfim tínhamos descoberto o que tinha lá dentro e era nada de interessante. Mas por que aquela frase na folha não saia de minha cabeça?
Ao cair da noite já estávamos debruçados em nossos livros e num instante um pensamento me ocorreu e foi como se tivessem me tirado uma venda dos olhos.
- Venha – chamei Jesse e nós corremos até o escritório destrancado. Tomando cuidado para não sermos pegos, o invadimos mais uma vez – É claro. Como não pensei nisso antes? – eu disse atônito enquanto acendia a luminária – Jesse, pegue aquela folha no lixo e traga aqui – pedi.
Meu primo me olhava com a testa franzida sem entender minhas intenções, mas mesmo assim, fez o que eu pedi.
Desamassei o papel assim que ele me entregou e vi seu olhar de espanto quando a reação aconteceu.
É, definitivamente o essencial é invisível aos olhos, mas só aos olhos desatentos.

EM BREVE - PARTE 3

6 sorrisos compartilhados:

{ @barbarakang } at: 8 de janeiro de 2011 16:16 disse...

QUERO A PARTE 3 LOGOOOOOOOOOOOOO! ESTOU APAIXONADA POR ESTE CONTO! QUERO MAIS! :(

{ Filipe Garcia } at: 9 de janeiro de 2011 11:07 disse...

Rodolpho,

muito boa sua narrativa. Tenho uma preferência velada por diálogos e devo confessar que aqui, você fez muito bem. Vou aguardar a parte três.

abraços!

{ Francilene Suri } at: 9 de janeiro de 2011 14:25 disse...

Ihhh acabou? já??? quero a terceira parte rum!!!
Hahahaha
Tô gostando!

{ Thiara Ribeiro } at: 10 de janeiro de 2011 11:34 disse...

Fiquei mais curiosa ainda!

{ Mahh Ruiz } at: 10 de janeiro de 2011 11:48 disse...

Põe a parte três logo, to curiosa! Rsrsrs...

{ Tati } at: 15 de fevereiro de 2011 13:21 disse...

Vou ler o próximo, está muito envolvente e bem escrito.

 

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