Keblinger

Keblinger

Brincadeiras de criança

| sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
No dia de seu casamento Lúcia estava ansiosa para subir ao altar e se encontrar com seu noivo Roberto.
Ao sair do carro, quase entrando na igreja, ela se depara com uma moça chorando. A moça estava bem vestida, tinha olhos azuis e aparentava ter uns 32 anos. A mulher vai até Lúcia, lhe entrega uma carta, pede para que ela a leia e depois vai embora. Lúcia não entende, mas entrega a carta para seu pai e pede para ele guardar para ela ler depois do casamento.
Horas depois de o casamento ter acabado, já na festa, ela nota a ausência de uma pessoa que ela adorava muito, seu amigo Gustavo.
Gustavo era amigo de infância de Lúcia. Quando criança eles eram unha e carne, mas fazia anos que eles não se falavam. Ela o procurou a festa inteira, perguntou para sua família sobre Gustavo, mas nem a família dela sabia do paradeiro dele. Ele era uma pessoa muito importante para ela e não podia ter faltado assim em seu casamento.
Horas depois, ela já tinha desistido de tentar saber alguma coisa sobre Gustavo, mas a festa continuou e foi uma festança daquelas. Depois de algumas horas os noivos vão embora para preparar as malas e seguir viagem para a lua de mel. Chegando em casa Lúcia lembra da carta que recebera da mulher misteriosa e fica procurando em casa, mas lembra que seu pai a pôs dentro do casaco do marido dela e então ela vai buscar. Ela pega a carta, senta-se no sofá da sala e começa a ler.
A carta dizia assim:

Para minha querida Lúcia

Olá Lúcia, tudo bem com você? A gente já não se fala faz um tempinho não é? Fiquei sabendo do seu casamento e fiquei muito feliz, mas ao mesmo tempo bateu uma tristeza imensa no meu coração ao saber dessa noticia.
Lembra quando a gente era criança e brincava no parquinho que tinha perto da minha casa? Você sempre fugia porque sua mãe não deixa você sair sozinha, acho que ela até hoje nunca desconfiou disso, não é verdade? Só que depois ela sempre perguntava aonde você tinha se sujado tanto e você sempre conseguia arrumar uma desculpa ótima.
Eu sinto muita falta das nossas brincadeiras de criança, mas a brincadeira que sinto mais falta é aquela em que fingíamos estar casados. Eu adorava brincar disso com você, mas acho que levei essa brincadeira muito a sério e como disse a você há muitos anos que te amava desde criança, sempre te amei, mas você só dizia que nunca poderia acontecer nada entre nós porque eu era muito seu amigo. Quando você dizia isso eu ficava triste, sempre pensando como eu podia mostrar a você o amor que sentia por ti, mas você nunca notou.
Quando você me mandou o convite para seu casamento meu mundo veio abaixo, ainda mais quando vi no convite que você ia casar-se com o Roberto, meu melhor amigo. Mas fazer o quê? Você não soube aproveitar todo o amor que demonstrei por você, é por isso que te enviei essa carta, para você saber o verdadeiro amor que tinha por você e foi por esse amor que me suicidei um dia antes do seu casamento.
Eu não conseguiria aguentar te ver com outro homem, mas não fique chocada com essa notícia, eu tentei de várias formas ter o seu amor pra mim, mas não consegui. O melhor era eu ter feito isso mesmo, mas antes do meu suicídio eu lembrei das nossas brincadeiras de criança.

Com todo amor que te dei que nunca foi correspondido, do único homem que te amou verdadeiramente.
Gustavo.

Lúcia ao ler a carta achou que fosse uma brincadeira de mau gosto e lembrara que tinha o número da mãe dele perdido em algum lugar. Procurou a casa inteira e achando o número ligou imediatamente para ela.

- Alô - Respondeu uma voz que mal conseguia sair de tanto soluço por causa de muito choro.
- É da casa da mãe do Gustavo?
- É sim - respondeu a senhora
- Aqui é a Lúcia, amiga de Gustavo.
Quando a senhora ouviu o nome dela caiu aos prantos e Lúcia ouvia tudo pelo telefone.
Ela perguntou sobre Gustavo para a senhora e ela respondeu que ele tinha se suicidado, mas não sabia o motivo e disse para ela que o velório seria amanhã e o enterro no mesmo dia.
Lúcia e Roberto resolveram não viajar aquele dia para dar o último adeus a Gustavo.
Na hora do enterro Lúcia lembrou-se da carta e começou a chorar sem parar.
- Tudo por minha causa. Como eu não fui perceber que seu amor por mim era verdadeiro? Para demonstrar seu verdadeiro amor resolveu se suicidar. – ela gitou.
As pessoas olharam para ela como se ela estivesse louca e pensaram como ela poderia pensar que ele havia se suicidado por causa de um amor.
Depois desse dia Lúcia nunca mais foi a mesma, porque ela sentia uma coisa que havia lido numa frase a muito tempo atrás.
A frase dizia: "A gente só dá valor depois que perde".

Texto escrito por Carlos Faria Dourado. Um amigo que está começando a escrever e pediu que eu postasse seu texto aqui, quem sabe ele não se anima a criar um blog.

10 sorrisos compartilhados:

{ Mahh Ruiz } at: 14 de janeiro de 2011 10:35 disse...

Nos muto lindo o texto.
Pena ela ter descoberto tão tarde não é mesmo?!
Beijos.

{ • cynthia bs } at: 14 de janeiro de 2011 11:21 disse...

Muito bom mesmo. Ah, Carlos, com certeza você tem um grande talento para ecsrever e ja pode criar seu blog (:

É verdade, só damos valor à certas coisas, depois que n~~ao a temos.

Beijos **

{ Shuzy } at: 14 de janeiro de 2011 11:42 disse...

O texto é triste, mas intenso e muito marcante.
Se ele decidir criar um blog, já tô seguindo!
hehe

{ Jaci Macedo } at: 14 de janeiro de 2011 12:24 disse...

Lindo e triste. Infelizmente, algumas vezes só damos valor quando perdemos mesmo. Pelo menos a gente aprende sempre alguma coisa.

beijos (:

{ Amanda Menezes } at: 14 de janeiro de 2011 14:42 disse...

Bem legal o texto, espero que ele faça sim um blog pra ele Rodi. :) Com o tempo ele vai perceber que tem futuro sim..
Beijoos
Mandy

{ Lívea Colares } at: 14 de janeiro de 2011 15:46 disse...

Logo percebi que não era um texto seu, não sei ao certo pq mas tinha algo diferente! Texto bom mas fatalista, triste...

{ Natália } at: 14 de janeiro de 2011 17:37 disse...

Damos valor depois que perdemos, porque nos vemos sozinhos. Beijo

{ Jéssica Trabuco } at: 14 de janeiro de 2011 20:19 disse...

Muito forte o texto, mas passa uma lição valiosa.
Então, vamos dar valor ao que temos agora ;)

{ Gabriela Furtado } at: 14 de janeiro de 2011 22:29 disse...

Ai, ai, esse conto doeu em mim sabia? Bateu aquela vontade de gritar tudo calado e o arrependimento por não valorizar antes o que eu perdi...
Muito bom!
beeeijoos

{ Tati } at: 15 de fevereiro de 2011 13:34 disse...

Eu gostei, achei um pouco clichê mais gostei muito.


Beijos

 

Copyright © 2010 A arte de um sorriso