Keblinger

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O livro da capa vazia

| segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Como toda boa girafa que se preze, eu sempre estava por dentro de tudo o que acontecia no zoológico. Ter esse pescoço enorme tem suas vantagens. Tenho um armário cheio de histórias para contar, mas uma em especial merece destaque, se aproximem e ouçam com atenção.
Primeiramente, tenho que apresentar os personagens dessa minha narração:
O casal de catetos, o porco-do-mato e uma jabuti.

Tudo começou quando o cateto macho foi transferido de um zoológico do sul da Espanha para cá, ele era meio estranho, quase não conversava com ninguém e nunca se decidia por nada. Não arriscaram colocá-lo junto com a cateto fêmea, pois talvez os dois se estranhassem à primeira vista. Sendo assim, os dois catetos viviam em jaulas separadas.
A atração dos catetos demorou um tempo para acontecer, mas por estarem separados e pela indecisão da parte dele, nada nunca chegou a acontecer.
A jabuti, também recém-chegada, se tornou uma grande amiga da cateto e as duas davam boas risadas ao imaginar o cateto mergulhado na lama.
A cateto esperava uma atitude dele, uma resposta concreta, um sim ou um não, qualquer coisa seria melhor do que viver naquela dúvida terrível que abria portas para divagações e suposições sobre os verdadeiros interesses do cateto.
O porco-do-mato, que por infelicidade acabou dividindo a jaula com o estrangeiro, era amigo da cateto e tinha uma forte opinião a respeito de seu novo colega de jaula. Ele afirmava veementemente que aquele cateto espanhol era uma anta enrustida.
A pobre cateto, além de tudo isso, sonhava em encontrar um grande bisão para amar.
Nas vésperas de final de ano, com o orçamento apertado, o zoológico se viu forçado a devolver o cateto para suas origens espanholas e antes de partir ele disse que daria um presente para a cateto, assim, um dia antes de sua partida ele deixou um livro feito de folhas com o porco-do-mato para que ele entregasse para ela.
Quando o presente finalmente chegou até ela, a decepção veio junto. O livro não tinha nada demais, a capa era vazia, as páginas todas ocas e nenhuma palavra dele para ela.

A cateto entendeu que aquele livro em branco era destinado à criação de sua própria história, que ela escreveria lindamente. Talvez ela encontre o bi-são da sua vida um dia e enquanto isso não acontece, ela, a jabuti e eu, nos divertimos às custas de um cateto viajante que talvez nunca venha a descobrir qual o seu verdadeiro destino.

Para finalizar minha narrativa só tenho a dizer que qualquer semelhança é mera coincidência.

Pessoal, esse texto altamente biográfico foi escrito para uma amiga, ele pode parecer meio sem pé nem cabeça, mas tudo isso faz bastante sentido.
Ah, e eu não poderia deixar de agradecer por todos os comentários de feliz aniversário no post anterior. Fico muito feliz com o carinho de vocês. Um abração!

11 sorrisos compartilhados:

{ Nathalie } at: 20 de dezembro de 2010 10:09 disse...

Que lindo! Parece uma fábula. :)
Achei muito pertinente, inclusive à mim.

=*

{ Jorge Manuel Brasil Mesquita } at: 20 de dezembro de 2010 13:54 disse...

Votos de um feliz Natal.
jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 20/12/2010

{ Jéssica Trabuco } at: 20 de dezembro de 2010 14:45 disse...

Linda fábula :)

{ Shuzy } at: 20 de dezembro de 2010 14:50 disse...

Adoro histórias de bichinhos!

=D

{ Nini C . } at: 20 de dezembro de 2010 19:19 disse...

Uau, muito bom. Adoro fabulas... Tava com saudade de passar por aki.

Beijão.

{ Fernando } at: 20 de dezembro de 2010 19:22 disse...

Concordo com a Nat. Parece uma fábula. E menino, esse seu texto me prendeu, gostaria de escrever historinhas assim. é meu tipo de leitura preferida.

Abraço!

{ Gabriela Furtado } at: 20 de dezembro de 2010 21:52 disse...

Adooorei esse texto, me identifiquei bastante!!
Um beijo enorme querido =**

{ Charlie B. } at: 20 de dezembro de 2010 22:13 disse...

rs, sabe eu nunca me coloquei a escrever atribuindo sentimentos ao animais, parabéns.

Rá, me deliciando com seriados aqui. Preciso voltar a escrever com afinco.

Abração,

Charlie B.

{ *Amanda* } at: 21 de dezembro de 2010 13:00 disse...

Como boa cateto que sou... só me resta me divertir com meus amigos.. porque como diz o fim da história... talvez o cateto nunca encontre seu verdadeiro destino!

Nem preciso comentar o quanto eu ri e o quanto eu amei a história!!!

Ter um amigo escritor.. tem suas vantagens... rsrsrsrsrsrsrs!!!!


=)

{ Flávia } at: 21 de dezembro de 2010 15:40 disse...

kkkkkkkkkkkkk!
A Jabuti dava boas risadas e dá até hoje!
huahauhauhauhaa!

Amandi, que sorte a nossa de ter uma amigo como esse e ESCRITOR! hahaha
Racheeei demais!
Muito booa =D

{ Tati } at: 2 de janeiro de 2011 13:26 disse...

Ah Rodolpho que lindeza eu amei as linhas, doces, divertidas e tudo de bom de ler.

Faça mais dessas rapaz.

 

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