Keblinger

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O homem que se apaixonou pela lua

| domingo, 12 de dezembro de 2010
Ele era um homem solitário, de poucos amigos e poucas palavras. Ele guardava somente para si os sentimentos bons que sentia e com isso os afogava em seu próprio ser.
Ele tinha um segredo que poderia torná-lo insano à vista das outras pessoas. Esse homem toda noite vai para a sacada de sua casa e flerta com a lua. Ele era um homem apaixonado pelo corpo celeste brilhante e regente das marés.
O homem que foi seduzido pelo encantamento da rainha da noite, passava o dia todo a esperando surgir, para admirar a sua luz que banha o mundo sem fazer distinção.
A paixão completamente platônica dele surgiu em uma noite depressiva, em que ele estava deitado na cama, vasculhando memórias de dias felizes, suspirando por desejos não realizados... Uma luz tímida se esgueirou através da cortina fina que a brisa teimava em sacudir e quando ele finalmente a contemplou seu coração pareceu se encher com toda aquela luz e ele soube que havia encontrado seu grande amor.
Você pode até dizer que a solidão tirou sua sanidade, mas o que ele sentia desmentiria sua opinião, até porque a gente nunca sabe de quem vai gostar, ou nesse caso, do que vai gostar. Vou concordar que isso tudo soa absurdo demais, eu mesmo fiquei pasmo quando soube dessa história.
Ele não era um homem com desejo de ser astronauta para pisar na lua, ele queria o amor dela, queria que ela virasse o rosto para sua direção e atirasse beijos flutuantes de estrelas cadentes, mas é claro que isso nunca aconteceu.
Passei uma ou duas vezes pela sacada dele enquanto voltava de festas noturnas e ele estava lá, olhando para o alto, ora brigando com algumas nuvens traiçoeiras que encobriram sua amada, ora conversando com sua donzela de luz. Sabe que eu não o achei maluco nesses dias, eu simplesmente sorri, abaixei a cabeça para dar-lhes privacidade e continuei meu caminho.
Quem sou eu para julgar o sentimento de alguém? Quem sou eu para dizer que uma pessoa está louca por ter dentro de si um coração apaixonado?
Todo romance, por mais água-com-açúcar que seja, mostra que o amor pode nascer dentro de qualquer um e que coisas impossíveis podem acontecer se você acreditar com fervor e fizer tudo o que estiver ao seu alcance.
Não sei se você, assim como eu, acabou simpatizando-se com a história desse homem louco de amor, mas obviamente não houve um final feliz para o casal, sinto informar.
Mas eis aqui o que aconteceu:
- Esse prateado da lua aí, é só fachada – uma moça falou olhando para o homem na sacada.
- E o que você sabe sobre a lua? – perguntou ele irritado.
- Sei que ela nunca vai te amar de volta – rebateu ela.
As palavras dela lhe atingiram como um soco no estômago, tiraram-lhe o ar por um momento e o fizeram engolir o que quer que fosse que ele daria como resposta.
Ele olhou para sua musa inspiradora lá no alto, que nunca lhe sorriu nem retribuiu com um mero aceno e se perguntou se era verdade que tal sentimento bombeado pelo seu coração nunca poderia ser retribuído. A luz pálida e silenciosa friamente mostrava-lhe que sim, que a lua poderia irradiar o mundo com sua luz apaixonante, mas ela nunca seria capaz de amar alguém.
Ele suspirou cabisbaixo, derrotado pelo próprio sentimento irreal, como uma semente que ameaça brotar para depois morrer sufocada. Tudo aquilo era uma ilusão que ele criara para não viver sozinho, tudo estava em sua cabeça, contudo se seu coração era grande o bastante para acomodar um amor lunar, com certeza suportaria qualquer tipo de amor.
- Você tem razão, a lua nunca vai me amar, talvez você pudesse me mostrar alguém que possa – ele jogou as palavras para a moça lá embaixo.
Ela sorriu, surpresa com a resposta, acenou de leve com a cabeça e esperou o homem descer para se juntar a ela.
E assim, a moça da sacada da frente, que observava o apaixonado solitário toda noite, venceu o duelo contra a gigante do céu.

Passei na frente da casa dele a noite passada e presenciei um beijo cheio de amor sob a luz da lua e quando olhei para o alto, vi que ela sorria para o casal.

Pauta para o Bloínquês

24 sorrisos compartilhados:

{ renatocinema } at: 12 de dezembro de 2010 12:46 disse...

O seu belo texto memrece mais que um sorriso. Merece quatro sorrisos e quatro pipocas.kkkkk

{ Rute Vieira } at: 12 de dezembro de 2010 14:39 disse...

e palmas!
magnífico, Rodolpho!
Beijo no ombro.

{ Alexandre Fernandes } at: 12 de dezembro de 2010 16:12 disse...

Simplesmente fascinante Rodolpho. Você transpõs para esse conto todo um reflexo de sensibilidade. É uma historinha muito mais que bonita, é plenamente apaixonante.

Porque tem uma ternura envolvente, irradiada no amor belo e inocente que se pode surgir em alguém. Mesmo que isso reflita algo impossível, denota bem a grandeza que esse sentimento pode nos proporcionar.

Gostei muito do fim.

E eu fico abismado com o seu talento.

Um dos textos mais bonitos que já li aqui.

Abração!

{ Wanda } at: 12 de dezembro de 2010 17:29 disse...

Quando vi o nome do teu blog na comu, e vi sua foto eu pensei: combinação perfeita! Mergulhei na leitura desse texto. Esplêndido. Parabéns. Acho que encontrei aqui um pouco de mim mesma. tô seguindo !
;]

http://distractingpages.blogspot.com/
[passe lá se puder ]

Beeijinho

{ Pegadas do Coração } at: 12 de dezembro de 2010 17:55 disse...

Que conto incrível, Rodolpho!Meus parabéns,viu!
Bem, o conto é realmente fascinante, me fez lembrar do tempo que estava apaixonado, não pela lua, mas por alguém que refletia o mesmo brilho.
Lindo demais!
Abração.

{ Sara Carneiro } at: 12 de dezembro de 2010 19:15 disse...

Bravo! Sem dúvidas, esse é o meu preferido entre tantos textos lindos seus. Boa sorte no Bloínques, por mim você já ganhou. Me fez ter vontade de amar assim também, não a lua, mas alguém que me faça sentir o mesmo que ele. Parabéns.



Passa lá: http://sara-rsc.blogspot.com/ ( houveram mudanças, novamente. rs. )

{ Luana } at: 13 de dezembro de 2010 00:04 disse...

AHHHHHH QUE LIIIIINDOOOOOOOO! Me apaixonei! Será que tem algum homem apaixonado pela lua esperando a mocinha debaixo da sacada??? Vou procurar!

{ *Amanda* } at: 13 de dezembro de 2010 01:49 disse...

Top!

Claro que vai para a lista das melhores histórias que já li na vida!!!!


Ameiii!


S2

Parabéns para meu amigo escritor!!!

{ Janaina Barreto } at: 13 de dezembro de 2010 11:23 disse...

Olá, desculpe vir aqui e não comentar sobre o seu texto, prometo que volto quando tiver mais tempo. É que ouvi a música que você colocou aqui ao lado e quero dizer que gostei muito. É bem o tipo de música que gosto e costumo ouvir. Será que você poderia me dizer quem canta e o nome da música? ou mesmo colocar ali e eu volto pra conferir.

Obrigada! *-*

{ Camila } at: 13 de dezembro de 2010 14:47 disse...

choquei.. amei tdo esse texto..

{ Jenny Cullen Neto } at: 13 de dezembro de 2010 17:04 disse...

Mto legais suas “Reflexões”! Já to seguindo!
Qd der, visite tb meu blog de humor!
Um graande abraço e parabens pelo blog
www.santaingnoranca.blogspot.com
@santaingnoranca

{ gabs } at: 13 de dezembro de 2010 18:33 disse...

Meu Deus, seu texto me prendeu do inicio ao fim, não sei nem se consegui piscar enquanto liga, rs'
Você escreve com tanto amor, com tanto sentimento, são poucas pessoas que me fazem ficar impressionada, são poucas pessoas que conseguem me deixar sem saber o que falar e são poucas com certeza que me fazem ter vontade de comentar desta maneira!
Parabens, sucesso e garoto você tem um dom, saiba usa-lo sempre. Parabens mais uma vez.

{ Letícia ♥' } at: 13 de dezembro de 2010 20:48 disse...

Muito bom o texto!
Postei um desafio no meu blog,
indiquei você para responder algumas perguntinhas..
Quando tiver um tempinho, passa por lá..

Beijo! =D

{ Biazynhah } at: 13 de dezembro de 2010 20:52 disse...

amei o texto, a história é fascinante.
Também estou participando:
http://cantinhodoescritoreleitor.blogspot.com/2010/12/conversa-de-diario.html

{ Jéssica F. } at: 13 de dezembro de 2010 22:51 disse...

que post doce e cheio de reviravoltas, adorei o fim da história, muito linda, parabéns *-*

{ Thiara Ribeiro } at: 14 de dezembro de 2010 08:58 disse...

Aah! Um verdadeiro encanto, Rodolpho!
Não importa onde nem como, né? Vamos sempre nos apaixonar. Por mais maluco que seja na maioria das vezes.
"Deus faz brotar o amor nos lugares em que menos se espera."
^^


;**

{ Bell Souza } at: 14 de dezembro de 2010 10:51 disse...

Padovani, fui lendo suas palavras singelas, sua mão segura ao revelar as palavras e me vi, no meio desse tear de belas cores, sorrindo sincero aqui comigo.
Quase nunca esboço um comentário, desculpa. Mas sou daquelas de poucas palavras para o que gosto.

A Lua, sempre me achei ligada a ela num tipo de amor imperfeito e inconstante; mais como confidente do que como musa da paixão.
Doces palavras, um doce conto.
Final felizes, quando bem feitos, passam bem longe do clichê. E você consegue isso.
beijos, querido!

{ Frajola } at: 14 de dezembro de 2010 21:11 disse...

Belo texto, venho lhe acompanhando, mesmo que eventualmente não tenha postado...
A propósito, indiquei você num jogo, passa no meu blog quando der..e participa se puder...=)

{ Taynara Ambrósio } at: 15 de dezembro de 2010 12:28 disse...

HAHA, MAGNÍFICO
Já considere-se o vencedor dessa edição, porque o texto está maravilhoso.
ah, mas isso não é novidade para nós, leitores *-*
bjs e muito sucesso.

{ Underdog } at: 15 de dezembro de 2010 15:40 disse...

Muito bonito, de verdade. E inspirador também.

O último parágrafo, quando a Lua sorri para o casal... lindo!

Parabéns!

{ Beatriz Amorim } at: 17 de dezembro de 2010 14:30 disse...

Adorei! Maravilhoso! :D

{ Francilene Suri } at: 19 de dezembro de 2010 12:42 disse...

Ah que criatividade abençoada!
hahaha

Gostei porque é diferente, é fofo demais!

Beijão

{ Tati } at: 2 de janeiro de 2011 13:13 disse...

Que ternura esse texto Rodolpho e eu fiquei aqui com o peito aberto com as palavras dela; 'sei que ela nunca vai te amar de volta'

Muito intenso e reflexivo seu conto, eu amei os desenhos e sentimentos.

To sem saber o que dizer.

{ Diego tat } at: 19 de agosto de 2013 21:36 disse...

simplismente lindo e apaxonante.... Parabens......

 

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