Keblinger

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O passageiro sombrio

| terça-feira, 2 de novembro de 2010


A quem interessar

A minha vida toda eu caminhei nas sombras do meu próprio ser.
Sempre desviando de olhares, escolhendo as palavras certas e os momentos certos para usá-las, sempre vivi acorrentado a esse segredo que me tragava cada vez mais para dentro de mim mesmo, para uma escuridão sem fim. Eu busquei uma luz, tateei em vão à procura de respostas, mas sempre me deparei com o hálito frio do vazio a soprar meu rosto, como um mau agouro que simboliza a desesperança.
Eu lutava para que o silêncio fosse embora, para que então eu pudesse encontrar uma voz perdida no deserto de minha consciência abafada pelo medo e controlada por um outro eu.
A culpa me dilacera a alma e costura trevas onde deveria haver luz. A memória assopra a poeira de lembranças que deveriam ser enterradas para sempre. Os gritos rasgam o silêncio da minha mente e eu não consigo calá-los.
Alguns segredos pesam demais para serem carregados por uma pessoa só, mas o meu segredo obscuro não pode ser mantido por mais ninguém além de mim.
Eu sou um monstro que vaga pela noite em busca de sangue, dor e morte. Eu me esgueiro pelo breu à espera de uma próxima vítima. Eu sinto o prazer da carne se rompendo pela minha lâmina. Eu sou um assassino.
Meu segredo carrega a culpa do fim da vida de várias pessoas. Meu segredo me mantém refém de minha própria essência corrompida.
Eu preciso exorcizar os demônios dentro de mim e arrancar os espinhos que cresceram em meu peito. Tenho que me livrar das máscaras e encontrar meu verdadeiro rosto. Preciso revelar as mentiras que me cercam por onde eu vou.
Tomei uma decisão sobre o que devo fazer. É chegada a hora de me redimir e me libertar de meus pecados ou quem sabe ir para o lugar onde pagarei por eles.
Talvez você encontre essa carta manchada de sangue, mas saiba que esse sangue perdeu sua inocência há muito tempo.
Na primeira gaveta do criado-mudo está uma lista com o nome de todas as vítimas que fiz, nenhum pedido de desculpas seria o suficiente para atenuar a dor que causei a eles e aos que pertenciam a suas vidas.
Essa não é uma carta de remissão, tampouco um desabafo, é apenas uma carta de adeus ao mundo decadente que me acolheu.
É o fim de um ciclo de acontecimentos. É o desfecho de uma história sem final feliz.
A vida toda eu caminhei nas sombras. Que elas me engulam de vez agora.

De um profano desalmado e sem vida.

Pauta para o Bloínquês
Obs: O título do texto faz menção ao lado obscuro do personagem Dexter, no seriado que leva o mesmo nome.

12 sorrisos compartilhados:

{ Zil Mar } at: 2 de novembro de 2010 03:01 disse...

Parabéns!!!!!!

Que conto heim??????

Adorei...escreve muito bem!

bjo em dia!

Zil

{ Raíla Guimarães } at: 2 de novembro de 2010 03:16 disse...

Sua escrita é linda.
Adoreeeei, adoro esse lado dramaturgico da escrita, você o usa muito bem, sem ser melancólico.
Parabéns, belo texto.
Beijos, obrigada por seguir meu blog ;*

RaílaG.

{ T.F. } at: 2 de novembro de 2010 11:59 disse...

Parabéens, muito lindo o texto.
Você escreve muito bem.
Boa sorte *-*

{ Underdog } at: 2 de novembro de 2010 14:30 disse...

Nossa muito bom seu texto. Tem ritmo e sentimento. Parabéns. Boa sorte :D

{ @juusep } at: 2 de novembro de 2010 18:50 disse...

Meu Deus, é para mim? hahaha

{ Jéssica Trabuco } at: 3 de novembro de 2010 00:05 disse...

caramba! Muito bom o seu texto.
Eu pude sentir a angústia e ansiedade em cada palavra do personagem!
Parabéns, mesmo!

{ Lizzy S. } at: 3 de novembro de 2010 02:41 disse...

Muito bom. Caracterizastes muito bem tal personagem.

Esse é meu novo endereço:
http://a-veelhanovidade.blogspot.com/
beijos.

{ Any } at: 3 de novembro de 2010 22:21 disse...

wow!
uma palavra pra descrever o texto?
incrível.
adorei, muito mesmo. *-*

{ Rodrigo Passos } at: 3 de novembro de 2010 23:04 disse...

maravilhoso texto!

{ Thiara Ribeiro } at: 4 de novembro de 2010 01:02 disse...

Sabe que eu gostei desse vilão?

{ Marina } at: 4 de novembro de 2010 08:11 disse...

que texto!
já ganhou!!!!!!
vc escreve MUITO bem! parabens

{ *Amanda* } at: 5 de novembro de 2010 14:41 disse...

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