Keblinger

Keblinger

De intrínseca interpretação

| quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A um fantasma do passado.

E quem é que pode entender as razões do coração?
Durante a noite calada e impassível, entreouço os murmúrios de meu peito abatido e tento entender as palavras que cada pulsar me diz, mas o silêncio é tamanho que sua voz muda cobre meus ouvidos e me impede de compreender os sinais que me são enviados.
Um vento frio percorre o ambiente e se dissipa antes de me atingir, como se minha presença o repelisse e acredito que seja isso mesmo, até mesmo aquilo sem vida e abstrato é afetado pela minha aura peculiar.
Já perdi as contas de quantas pessoas eu consegui afastar de mim, simplesmente por me isolar em meu mundo sem cor e som, criando muros gigantescos, não para me manter lá dentro, mas para manter a todos do lado de fora. Foi assim com meus colegas, amigos, familiares e você. Um a um, lenta e dolorosamente, foram recuando e desistindo de tentar atravessar as minhas barreiras.
Quem sabe eu não tenha feito tudo isso para te proteger? Talvez me odiar fosse o que te deixaria melhor para te fazer seguir frente. Ao deitar em minha cama à noite eu tento pensar nos erros que cometi, mas antes que eu chegue a alguma conclusão eu adormeço, não que eu não me importe ou ache que a razão seja meu animal de estimação que só serve a mim. Eu sou tão involuntariamente dependente daquilo que deixo de lado que quando decido me focar em um problema eu perco o rumo e fico sem saber aonde ir.

Acredito que eu não tenha feito sentido nessas linhas que escrevi, certamente ninguém será capaz de encontrar nexo em tudo que eu disse até agora, apesar de que talvez haja pessoas que se sintam assim, não é possível que nesse mundo enorme eu seja o único que não entende a si mesmo e se sinta frustrado por não ouvir o próprio coração, que até tenta se comunicar, mas ele eu falamos dialetos diferentes.

Essa carta é para você, que há um ano se absteve de minha companhia, que fugiu de mim sem olhar para trás, usando uma máscara de rancor e sufocada pelas palavras que não disse. Que simplesmente apagou tudo de bom que existiu e se agarrou apenas às piores lembranças que tivemos.
Não quero te dissuadir e muito menos dizer que sinto muito, você fez sua escolha, assim como bem antes eu havia feito a minha. Nossos caminhos se separaram e essas palavras confusas e cheias de segredos nas entrelinhas se direcionam a você somente porque me lembrei que hoje faz um ano que não te vejo. É claro que tenho notícias suas e sei como sua vida anda, as pessoas comentam, as informações viajam mais rápido do que supomos e com certeza você deve saber de mim também.
Já ouvi dizer que às vezes, não tocar no assunto é a melhor coisa a fazer, por isso paro por aqui, a beira de um abismo emocional, ainda indeciso se dou um passo atrás ou me atiro ao desconhecido. Preciso de um auxílio agora, será que você não gostaria de vir me empurrar?

De um errante inveterado.

Pauta para o Bloínquês

13 sorrisos compartilhados:

{ Elania } at: 11 de novembro de 2010 13:44 disse...

P-e-r-f-e-i-t-o . Tá, sério. Simplesmente amei seu texto,carta...
parabéns Rodolpho, suas palavras me prendem do ínicio ao fim, é algo viciante. bjs :)

{ Thammy } at: 11 de novembro de 2010 16:19 disse...

Hoje estou bem sentimental, mas quando li seu texto, algo além me aconteceu. Te entendi, do começo ao fim, como se esse texto não fosse escrito por outro alguém, mas sim uma voz narrando as beiras da minha história. Por motivos diferentes, a minha história se encaixou na suas palavras. Alguns momentos se distanciando e outros, se aproximando. Terminei o texto triste, sem saber se te empurrava ou me empurrava.
Gosto tanto de vir aqui. Sempre me sinto dentro das suas frases, mas tenho estado bem ocupada nesses meses. O que em parte agradeço e às vezes também lamento. Mas sempre que posso, venho aqui lhe fazer uma visita e não me sentir sozinha nesse céu, tantas vezes carregado.
Um beijo, querido!

{ ' Jαdє Amσrιm } at: 11 de novembro de 2010 17:32 disse...

Eu sei como se sente, mas ao invéz de muros, crio a analogia de colocar uma armadura, mas ao mesmo tempo que afastamos os outros, nos sufocamos!
Ameeei o conto, merece ganhar! ^^

Beeijos!

{ maiscores } at: 11 de novembro de 2010 22:35 disse...

seu blog e seus textos são lindos

{ Tati } at: 11 de novembro de 2010 22:52 disse...

É rapaz, cada dia você consegue me emocionar/tocar mais profundamente.

Muito lindo.


Beijos

{ *Amanda* } at: 11 de novembro de 2010 23:19 disse...

"Porque metade de mim é partida... e a outra metade é saudade..."

Talvez entender não faça parte do plano... rsrsrsrsrsrsrs...

Quanto sentimento nas entrelinhas hein! ;)


Ameiii Rodii*

{ Flávia } at: 12 de novembro de 2010 13:02 disse...

Ó, eu não sei pq mas me deu vontade chorar no conto! Huahuahua!
E pode parar com isso menino! =P Vc mata a gente qlqr dia desses...

Me identifiquei com a história, no geral... Mas, deixa meus pensamentos/sentimentos nas entrelinhas tbm! Rs! ;)

Adorei
beijão S2

{ Luana } at: 12 de novembro de 2010 16:43 disse...

Adoro textos em forma de carta. Sempre me parecem um desabafo do fundo da alma.. Hahaha! Sei la! Gosto

beijo

{ Thiara Ribeiro } at: 12 de novembro de 2010 22:40 disse...

"Eu sou tão involuntariamente dependente daquilo que deixo de lado que quando decido me focar em um problema eu perco o rumo e fico sem saber aonde ir."

É! Tbm tô precisando de um empurrãozinho!

{ Naty Araújo } at: 13 de novembro de 2010 00:40 disse...

Nossa, Rodolpho... tanto tempo sem te ler, mas é como se eu tivesse te lido ontem, ao contemplar essas palavras.
Vc manda super bem. Não vou comentar perfeitamente sobre a carta, pq irei avaliá-la, mas curti demais.
Isso basta rsrs.

beijos, saudades daqui.

{ Doce Nostalgia } at: 13 de novembro de 2010 17:36 disse...

Quanto sentimento! *-* ...

rsrs!

Beijo!

{ Rebeca Amaral } at: 14 de novembro de 2010 12:20 disse...

Esse texto me atingiu tão profundamente Rodi... Porque faço parte dos que se sentem do mesmo que o tal 'errante inveterado'. Cometi os mesmo erros que ele, me escondi do mundo e das pessoas, e estou sentindo a dor de ver essas pessoas recuando. Isso dói tanto. Nossa, parece realmente que esse texto foi escrito pra mim ou por mim. Tô arrepiada!
Lindo demais! E a música do The Fray, eu amo!

Beijos, querido!

{ Alexandre Fernandes } at: 14 de novembro de 2010 14:40 disse...

Não é que seja difícil ouvir ou entender o coração, mas complicado é conceber o embate dos sentimentos. E todo esse estranhamento presente nas dúvidas é o que faz criar um muro no discernimento.

Não é o único e nem será. Porque entender a si é uma tarefa de dimensão incompreensivel para qualquer um.Os elementos ao redor meio que regem a melodia do nosso caminhar.

Resta a cada um superar as barreiras e buscar mais unir os pedaços quebrados da alma, para ao menos conhecermos um pouco mais de nossas próprias angústias.

Belo texto Rodolpho.


ps: desculpa não comentar o Eremita e o dragão, mas como não li a história toda eu não comentaria com plenitude. O meu tempo me impede. Mas a primeira vista parece um conto ousado e muito bem escrito. Parabéns!!

 

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