Keblinger

Keblinger

A história da menina comum

| segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Estávamos de mudança. Eu estava no quarto de mamãe colocando seus objetos pessoais em caixas quando encontrei um pedaço de papel dobrado no fundo da última gaveta do guarda-roupa.
“Por que você teve que partir? Eu te esperei, mas você nunca retornou.” Li sem entender do que se tratava e então fui até a varanda, onde ela terminava de colocar as caixas no porta-malas do carro e lhe entreguei o papel.
- Achei isso em suas coisas, quem escreveu? – perguntei. Ela me encarou com um olhar carregado de um sentimento que eu não fui capaz de reconhecer, era como se seus olhos enxergassem coisas que não estavam ali. E ela me contou tudo.

Toda garota na adolescência, involuntariamente, se apaixona perdidamente por aquele garoto que nunca sequer a notará e comigo não foi diferente. Ele era mais velho, do tipo popular, com o penteado meticuloso, olhos atenciosos e cheio de charme. Um diabo vestido de anjo, capaz de te nocautear somente com aquele sorriso brilhante que só ele tem.
Foi no último ano do colegial que eu o conheci, ele veio transferido de outra escola, era novo na cidade, ou seja, era a sensação do momento. Ninguém sabia nada sobre ele e esse ar de mistério é o que o deixava ainda mais atraente.
Eu sabia que não teria a mínima chance de ter alguma coisa com ele, pois todas as garotas mais lindas da escola estavam a seus pés, confesso que naquele momento eu daria qualquer coisa para ser uma delas, como eu poderia saber que eu me arrependeria tanto depois?
Os meses foram passando e minha atração pelo garoto novo na cidade só aumentava. Eu o observava por longos minutos, acariciando seus cabelos com o olhar, desenhando corações nas folhas do caderno e imaginando nossas iniciais dentro deles. Fico espantada com quanta tolice pode caber dentro de uma pessoa apaixonada.
No último mês de aula, estávamos nos preparando para o tão sonhado e temido baile de formatura e é claro que por ser uma garota que extrapolava por ser comum, eu não tinha um par, enquanto as queridinhas dos meninos duelavam como leoas enlouquecidas pela atenção do macho alfa, o eterno garoto novo na cidade.
Eu era a oradora da turma, havia preparado um discurso excelente e estava ensaiando no auditório do colégio, sem saber que uma pessoa estava sentada na platéia me assistindo. Fiquei tomada por uma raiva sem tamanho, aquele discurso não era para ser ouvido até o dia do baile, e fui expulsar o bisbilhoteiro. Era ele.
- Você sabe que não deveria estar aqui, quem deixou você entrar? – eu perguntei enquanto me aproximava de onde ele estava sentado, ainda não o reconhecendo na luz baixa.
- Eu tenho meus meios – ele disse presunçoso – E a propósito, essa coisa que você escreveu está muito boa.
- Essa coisa se chama discurso – eu retruquei e finalmente vi seu rosto, com um sorriso brincalhão desenhado.
- É, que seja, só entrei aqui, pois vi que você estava sozinha, não queria te convidar para o baile na frente de todas aquelas feras, se é que você me entende – ele falou.
Meu estômago afundou ao ouvir as palavras dele. Ele estava me convidando para o baile? Eu estava delirando, era a única resposta óbvia.
- Seu silêncio é um sim ou um não? – ele perguntou.
- É um “eu vou pensar” – na hora eu não acreditei que tinha dito aquilo. Uma voz em minha cabeça gritou: “Sua idiota, diga sim. SIM.”
- Assim que você tiver pensado, você sabe onde me encontrar – ele se levantou e saiu.
Dois dias depois eu disse a ele que aceitava o convite e ele me confessou que estava morrendo de medo que eu recusasse e que eu era a única garota pela qual ele havia se interessado desde o começo, justamente por eu não ser como as outras. Ainda bem que ele nunca soube que aquilo era o que eu mais queria.
A beleza do baile foi ofuscada pelo encanto de sua companhia. A valsa. Todos os pares de olhos fixos em nós dois... Mas nada daquilo se compararia com o momento mágico do fim da noite.
Foi dentro do carro dele que fizemos amor, foi lá a minha primeira vez, foi lá que você foi concebida.
Estávamos no campo à beira da cidade, dois meses depois, quando contei para ele sobre a gravidez.
- Vamos fugir – ele propôs.
Eu disse que não podia, dei-lhe um último beijo e parti. Do fim do campo olhei para trás e ele ainda estava lá, o sol se deitava, o vento manso soprava e eu apenas disse de longe: Eu sinto muito, não podemos ficar juntos.

- Por que você fez isso, mãe? Por que não ficou com ele?
- Eu era nova demais, eu não sabia ao certo o que fazer. Eu tinha uma vida toda pela frente e...
- Você não queria um bebê.
- Eu me arrependo de ter pensando nisso, eu te amo, você foi a melhor coisa que me aconteceu.
- Mas por que eu não tenho um pai?
- Porque ele foi embora. Ele me esperou no campo por dez dias seguidos, para que pudéssemos fugir e construir uma vida só nossa, mas eu nunca fui encontrá-lo.
- E agora?
- Agora o quê?
- Você quer encontrá-lo?
- Eu já encontrei – e foi então que ela me disse o verdadeiro motivo de nossa mudança. Nós iríamos morar com ele, há tempos ela vinha tentando rastreá-lo para corrigir o maior erro de sua vida, que foi deixá-lo partir.
E ele havia esperado. A esperança de que um dia nossa família seria completa fez com ele esperasse dezesseis anos pelo retorno de minha mãe.
No final, não estávamos de mudança, estávamos recomeçando.

Pauta para o Bloínquês

O homem de pedra

| sábado, 27 de novembro de 2010



Quer descobrir quem é esse homem misterioso?
Não




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O moço perfumado

| quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O céu daquele dia estava desprovido de cor, como um enorme manto branco, no qual o sol resolvera se esconder atrás. O vento soprava levemente, apenas um suspiro curto que falhava em movimentar as folhas das árvores.
A moça caminhava lentamente em direção ao ponto de encontro, estabelecido anteriormente em uma ligação. Ela chegou ao local, sentou-se e checou o relógio. Aquele era um dia em que os ponteiros trabalhavam sem disposição e cada volta parecia durar o dobro do tempo que realmente levava.
Os pensamentos dela vagavam em lembranças boas e em problemas que requeriam sua intervenção, ela tinha algumas decisões a tomar, assim como todo mundo sempre tem, mas acaba deixando de lado só pelo prazer de saborear a nostalgia que flui na memória.
Apoiando a cabeça no braço, ela fechou os olhos e sentiu um torpor tomar conta de seu corpo, que cedia sem muita relutância. Foi nessa hora que ele passou.
Ela ouviu os passos abafados se aproximando, sentiu sua presença e, acima de tudo, sentiu seu cheiro. O cheiro almiscarado flutuava pelo ar parado, dançava em rodopios e ia em sua direção. Um cheiro suave e ao mesmo tempo envolvente.
O perfume que exalava em toda direção, dava voltas em sua cabeça, saltitava pelas imperceptíveis correntes de ar, subia ao céu pálido e retornava ao chão ainda quente e penetrante. Um cheiro capaz de acalmar e despertar, em uma mistura abrangente de sensações.
O rapaz passou indiferente à moça que estava sentada ali, em passos largos deixando seu cheiro para trás, ela ainda encarava as costas dele, lutando contra um desejo de correr atrás daquele estranho e juntar os fragmentos de odor que ficavam pelo caminho. Ela não vira seu rosto, nunca saberia seu nome, mas tinha certeza que reconheceria aquele cheiro em meio a centenas de outras fragrâncias. O aroma proveniente do homem sem rosto grudara em suas roupas e se fixara em cada mínimo grão de poeira que vagava pelo ar.
- Quem é ele? – uma voz perguntou, tirando-a de seu transe perfumado.
- Eu não sei, não conheço – ela respondeu, levantou-se e beijou seu namorado.
Ela voltou a olhar para o relógio e percebeu que não tinha esperado muito tempo.
- Vamos, então – ele disse, colocando um braço envolta dela.
Ela balançou a cabeça positivamente, deu uma última olhada para trás, mas o estranho já havia sumido de vista.
- Tem algum problema? – ele perguntou, olhando na mesma direção que ela e dando de cara com o nada.
- Não, está tudo certo – ela respondeu e o abraçou. Ela cabia perfeitamente em seu abraço e seu rosto se encaixou no pescoço dele, seu nariz roçou a pele lisa e cheirosa. Ela respirou profundamente e então percebeu que aquele cheiro, grudado em seu namorado era muito melhor do que um cheiro solto pelo ar, sem dono e sem direção. Um cheiro singular que ninguém mais possuía. Um aroma apaixonante que pertencia só aos dois.
- Eu gosto do seu cheiro – ela disse e absorveu mais um pouco daquele cheiro num rápido suspiro.
Ele apenas sorriu, deu-lhe um beijo no rosto e começou a contar como tinha sido seu dia, à medida que caminhavam para longe dali e para longe de um certo perfume que começava a se dissipar pelo ar.

Metamorfoses

| segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Não sei se vocês conhecem, por isso vou contar a história da menina-borboleta.

Ela era assim, tímida, sempre na dela. Vivia isolada em seu mundinho interior, trancada em pensamentos e engolidora de palavras. Uma menina só, sem brilho nos olhos e com trancas na alma.
Uma vida desse jeito deve ser horrível, você pode estar se perguntando e eu concordo, mas para ela tudo era maravilhoso, principalmente porque essa menina não conhecia nada, além disso, o conformismo dela era exatamente moldado pelo mundo pequeno ao qual ela fazia parte.
Sim, ela era uma menina bonita, de feições bem definidas, cabelos vivos e dançantes ao vento, tinha as mãos lisas e os pés cansados de dar voltas e mais voltas dentro do círculo desenhado em sua vida.
Certa noite, na janela de seu quarto, ela observou o lento percurso de uma lagarta sobre o parapeito, que deslizava sem rumo, como se perdida na própria sorte. A menina se viu naquela lagarta, tão pequena, tão frágil e perdida. Desorientada e sem saber aonde ir e o que fazer.
A lagarta fez uma pausa para recuperar o fôlego e a menina jura que ela a encarou por um milésimo de segundo e esse olhar foi tão profundo que ela viu não só os olhos da ínfima criatura, mas viu o seu interior. Oco, frio e desolado.
A menina assustada correu até o espelho mais próximo e analisou seu reflexo, quase uma silhueta recortada à luz da lua, mas seus olhos grandes mostraram a ela seu próprio interior. Igual ao da lagarta.
Ela se moveu lentamente de volta à sua convidada inesperada e não a encontrou ali.
Dormiu apoiada na janela, com a brisa a lhe fazer carinho e as estrelas a velar seu sono.
O sol manso e morno da manhã, sorriu ao ver a menina por ali, debruçada na janela, certamente o esperando, ele pensou.
Assim que abriu os olhos, sua vista se ofuscou pelo dia claro e ela percebeu que diante de sua janela havia um jardim lindamente colorido, como as aqualeras dos pintores que ela ouviu falar certa vez. Ela ficou encantada com todas aquelas flores que se sacudiam ao sabor do vento e acenavam sorridentes para a estranha.
A menina passou uma boa parte do dia recostada na janela, conversando com as flores e as pequenas joaninhas que ela jurava que só existiam em filmes. As camélias e jasmins lhe contaram segredos, as tulipas brincaram com as abelhas, os brincos de princesa e os hibíscos foram beijados por beija-flores, enquanto lírios e margaridas chamavam borboletas. Mais ao fundo, girassóis se bronzeavam e copos de leite fofocavam com as rosas. O extenso tapete verde de grama formigou os pés da menina que decidiu se juntar as flores.
A menina-borboleta não era borboleta afinal, era uma menina-flor, que desabrochou para o mundo e nunca mais foi a mesma, pois ao ver aquele outro universo tão perto do seu, um desejo crescente por ver e conhecer mais nasceu em seu peito.
Seus olhos tinham brilho agora, um brilho de vida e esperança. Seus pés caminharam para fora daquele círculo e ela encontrou a chave para os seus pensamentos e vomitou as palavras que sempre manteve presas.

Algum tempo depois ela topou com o olhar de uma borboleta alegre e nesse mínimo segundo ela viu que naquele olhar havia calor, liberdade e vida.
A menina abriu suas asas, esticou suas pétalas e correu pelo jardim. Correu além da cerca que o envolvia, correu por estradas, correu pela vida e para a vida.
Se você um dia a encontrar por aí, diga a ela que as flores sentem saudade, mas não peça para que ela volte. Ela merece conhecer tudo o que a vida tem para mostrar antes que suas asas se cansem e suas pétalas murchem.

Oitavo texto em homenagem aos blogs, o Metamorfoses é o blog da Fabrízia Oliveira, que estava esperando por esse texto, rs. Espero que tenham gostado pessoal.

O eremita e o dragão - Epílogo

| sábado, 20 de novembro de 2010

Rufus e Furlan se tornaram grandes amigos e a cumplicidade entre os dois crescia conforme os dias se passavam. O dragão se afeiçoara ao rapaz que tocava flauta e o sentimento era recíproco.
O eremita ruivo, que acertara todos os enigmas do dragão, escolheu ficar com a criatura gigante ao invés de se tornar um homem rico.
Furlan saía da caverna em intervalos de tempo para buscar alimento enquanto Rufus buscava inspiração nas estrelas e a na lua para compor poemas e músicas.
Certa vez, o dragão levou o homem para um desfiladeiro, que sobrevoara pela manhã, onde a trupe maldosa que o mantivera preso, estava de passagem.
- Acredito que eles mereçam uma lição, cantor ruivo - declarou o dragão e lhe contou sobre o plano que havia formulado.

Rufus se deixou ser encontrado por dois dos palhaços mais malignos que ele conhecera, os dois correram alegremente e contaram ao líder da trupe que o flautista fujão estava ali. Rapidamente o homem barrigudo apanhou um chicote e foi de encontro ao rapaz. Rufus saltou de trás de uma pedra e os surpreendeu, tocando uma música doce.
- Seu ladrãozinho desgraçado, você vai ter o que merece - bufou o homem, estalando o chicote nas pedras.
Os palhaços e os outros que se aglomeraram, riram e estavam ansiosos pela surra que o flautista estava prestes a levar.
- Primeiro você vai ter que me pegar - provocou Rufus e correu pelo corredor rochoso com a trupe toda a seus calcanhares.
Assim que todos fizeram a curva entre as montanhas, Furlan majestosamente desceu sobre eles e pousou pesadamente no chão, lançando labaredas furiosas para o alto.
- Vocês me maltrataram por vários anos, me humilharam, cuspiram e me chutaram, agora vocês irão sentir o fogo da minha ira - rosnou o dragão. Todos ficaram de olhos arregalados, como se usassem uma máscara de medo.
- Rufus? Nós... eu, ah... me desculpe - gaguejou o líder que deixara o chicote cair das mãos trêmulas.
O dragão cuspiu fogo acima das cabeças e uma bola flamejante aterrissou em uma das carroças que rapidamente ardeu em chamas. Todos os cavalos fugiram pelo desfiladeiro abaixo.
- Desculpas? Você acha que depois de tudo o que eu passei, uma desculpa vai amenizar a minha raiva? Ora, ora, homenzinho estúpido, engula suas desculpas e vá embora daqui o mais rápido que puder e se cruzar meu caminho mais uma vez eu lhe garanto que não serei tão piedoso - disse o dragão e rosnou para ele e seu hálito quente se espalhou por todos.
A trupe toda correu apavorada, uns empurrando e pisoteando os outros, como se o fogo da besta vermelha estivesse correndo atrás deles.

Rufus, que estava assistindo a cena do alto de uma rocha, aproximou-se e falou entre risos:
- Essa foi uma ideia fantástica, Furlan, você viu a cara deles?
- Creio que eles nunca mais te perseguirão, caro amigo - disse o dragão, com um ar vitorioso.
- Eu tenho certeza que não. Obrigado por tudo.
O dragão apenas meneou a cabeça e pouco tempo depois voltaram para a caverna, onde uma fogueira foi acesa para o preparo da comida e o ar foi preenchido com a melodia e a voz suave do flautista.

Como eu já havia dito, esta parte não existia. Só a escrevi pois achei que estava faltando alguma coisa, espero que tenham aprovado e gostado de tudo. Abraços.

O guitarrista das 5 horas

| quinta-feira, 18 de novembro de 2010


Vamos lá conhecer esse guitarrista ao som de um rock?
Não



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Elos no horizonte

| quarta-feira, 17 de novembro de 2010
A vida é uma viagem, pelo menos é o que dizem, pode ser de trem, avião, carro ou a pé, mas é uma viagem que a gente faz conforme vive, sem atalhos e roteiros definidos e com direito a retornos.
Por adorar viajar eu sempre quis fazer Turismo e esse sonho se torna realidade no final desse ano, quando concluo o curso.
Sei que essa minha viagem está apenas começando, mas eu busco sempre olhar para frente e querer enxergar o que o destino reserva para mim. Sei que lá na frente, onde o sol beija a terra e o mar e depois se esconde, há alguma coisa para mim...

É, até pouco tempo atrás eu achava isso. Eu tinha esse sonho que a vida tratou de afugentar.
Há dois meses eu sofri um acidente de carro e perdi o movimento das pernas, vi meu mundo desmoronar diante de mim sem que eu pudesse me mover para impedir. Vi todo o meu esforço explodir junto aos cacos de vidro.
Nestas horas paramos para questionar o porquê das coisas, principalmente o motivo de coisas ruins acontecerem com pessoas boas. A vida prega peças e faz muitas brincadeiras de mau gosto e a gente querendo ou não acaba sofrendo as consequências.
Eu, que sempre busquei encontrar o meu amanhã, esqueci de viver o hoje que agora foi roubado pelo tempo e repousa no passado. Sempre adiei o agora para viver em um futuro utópico que me parecia tão grandioso. Acho que acabei virando em uma curva errada, talvez a vida tenha feito isso para abrir meus olhos e me mostrar que o tempo não passa à nossa maneira e que não adianta apenas passar por essa viagem, é preciso vivê-la.

Há elos no horizonte que a gente não compreende por completo, há o encontro da terra e o céu, do arco-íris e o chão, do divino e o humano. Não que eu não devesse chegar até lá, eu só tentei apressar o que deveria seguir seu curso natural.
Aprendi que não importa quão alto eu sonhe, eu posso fazer esse sonho virar realidade, não através de pedidos a estrelas cadentes ou cílios soltos, não apenas por meio de preces e promessas, mas agindo. Tudo se torna concreto, a partir do momento que começamos a agir. O impossível é questão de opinião.
Eu não vou deixar esse sonho morrer devido à minha condição. Eu não posso andar, certo, mas eu falo, enxergo e ouço. Falo as palavras que me guiarão até o ponto que eu almejo atingir, enxergo muito mais o meu presente ainda que eu faça planos para o futuro e ouço a canção motivadora que a vida canta em meus ouvidos.
Agora eu entendo que a vida não desistiu de mim, então por que eu deveria desistir dela?
Toda estrada tem barreiras e obstáculos que parecem grandes demais à primeira vista, mas ao olhar para o horizonte é assim e quando percebemos nada é o que parece.

Essa viagem eu farei pelas rodas da minha cadeira. Não quero ser como um sapato de sola limpa, pois estes jamais conheceram a estrada, eu quero ser aquele bem gasto e até com um furo no meio e que o hoje seja o hoje e o amanhã mais um mistério a descobrir.

Sétimo texto fictício em homenagem aos blogs, o Elos no Horizonte é do Alexandre Lúcio. Espero que todos, assim como ele, tenham gostado do texto.

O eremita e o dragão - Parte 8

| segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O dragão encarava Rufus com um olhar triste e o eremita podia jurar que ele não queria que o último enigma fosse descoberto. Ele caminhou por entre os inúmeros objetos dourados, procurando encontrar a resposta jogada ali no meio ou presa entre as rochas das paredes escuras.
- Todo esse tesouro não lhe serve de inspiração, cantor ruivo? - indagou o dragão assumindo novamente seu lado sarcástico.
- Assim que eu me apresentei, você me disse que tínhamos algo em comum - o eremita falou.
- Sim, eu me lembro - confirmou o dragão intrigado.
- Naquele momento eu pensei que você se referia à cor do meu cabelo com a sua cor, mas após formular sua última charada você me disse para estar atento aos detalhes, certo? - o dragão fez que sim com a cabeça e mexeu a pata para que o homem continuasse a sua conclusão - Eu fui batizado de Rufus exatamente por causa dos meus cabelos ruivos e você percebeu isso quando eu lhe disse meu nome, devido ao seu conhecimento em latim.
- Exato, mas ainda não vejo aonde você quer chegar com isso - disse o dragão tentando esconder um toque de temor na voz.
- Você sabe muito bem aonde eu quero chegar. Ligando todos os pontos eu só posso deduzir que seu nome também venha do latim - respondeu Rufus mantendo um pouco de suspense. - Furlan, do latim. Vermelho.
O dragão prendeu a respiração por um tempo e depois suspirou sentindo-se vencido.
- Sua perspicácia me fascina, rico eremita - declarou o gigante escamado - Furlan é o meu nome.
Rufus sorriu e deu um salto de vitória, enquanto o dragão se arrastava lentamente para um canto escuro dentro da montanha.
- Fique à vontade para levar tudo aquilo que conseguir, nada disso me tem serventia alguma - ele falou sem parar de caminhar.
- Espere - gritou Rufus.
Furlan parou bruscamente e permaneceu de costas. Rufus o contornou e se prostrou em sua frente.
- O que você ainda quer de mim, dono do tesouro?
- Eu vivo sozinho, misterioso Furlan, eu não quero voltar a minha vida solitária e eu vejo que também é um ser sem companhia...
- E...
- E eu não quero todo esse tesouro, eu só quero ter alguém para conversar e alguém que me ouça. Eu quero ficar aqui - disse Rufus.
O dragão arreganhou a boca num sorriso horrendo cheio de dentes e agarrou o eremita, abraçando-o com tanta força que quase lhe quebrou as costelas.
- Nada me deixaria mais feliz que isso - falou ele e cuspiu fogo para cima, clareando e aquecendo a caverna escura.
- Nós podemos caçar e...
- Deixe o alimento por minha conta - falou Furlan cheio de felicidade - Preocupe-se apenas com sua música, pois desejarei que toque a cada refeição.
- Considere seu desejo concedido - disse Rufus sorrindo.

E assim começou a lenda de Rufus e Furlan, o eremita e o dragão. Uma amizade entre dois seres de mundos diferentes, que foram unidos por um laço que o destino criou.

EM BREVE - EPÍLOGO

Esta parte era para ser o final (e tecnicamente foi), mas depois de ter escrito eu achava que alguma coisa estava faltando, acredito que vocês vão entender e concordar comigo quando lerem o epílogo.

O eremita e o dragão - Parte 7

| sábado, 13 de novembro de 2010

Rufus já tinha escutado diversas histórias sobre dragões, mas nenhuma contada por um deles.
- Todo dragão passa por três estágios na vida. O Batismo do Fogo é o primeiro, no qual inicia-se o aprendizado da arte de controlar e projetar o fogo, passamos por isso na nossa fase comparada à infância. O estágio seguinte é o Cata-vento, onde aprendemos a utilizar nossas asas, o voo é uma coisa bem difícil, por isso é ensinado somente aos dragões na fase jovem e o terceiro estágio é a Dança da Cópula... - ele deu uma pausa para verificar se o eremita havia entendido e sentiu um calor por dentro - no qual dois dragões... bem, você sabe. - ele ficou acanhado.
Rufus tentou manter a expressão apática e segurou o riso.
- Eu fui o terceiro filhote de uma ninhada de sete. Ficamos junto a nossos pais até o dia em que aprendemos a caçar, depois disso nos separamos e seguimos caminhos diferentes. Um dragão não ocupa o mesmo território que o outro a menos que sejam de sexo opostos. Eu fui embora logo após aprender a voar e foi nessa época que a guerra entre nossos mundos eclodiu. Nós, dragões, começamos a viajar em bandos por segurança e isso fez com que as mortes aumentassem, nunca fomos uma espécie populosa. Na sede de vingança comecei a saquear vilarejos e reinos, tomando toda sua renda e destruindo suas fontes de vida, eu me envergonho do que fiz, mas me orgulho de nunca ter ferido nenhum humano. Encontrei uma caverna onde eu passei a guardar tudo o que conseguia e depois de muitos anos perdi contato com outros dragões até que nunca mais ouvi nenhum boato sobre eles. Enclausurei-me em minha caverna e saía apenas quando precisava de alimento e tenho vivido assim por centenas de anos. E foi em uma de minhas buscas por comida que encontrei você.
- Eu sinto muito pelos outros e...
- Isso já faz tanto tempo, a solidão tem sido minha companheira desde então. - o dragão falou cabisbaixo.
- Sua caverna fica longe daqui? - perguntou Rufus.
- Você gostaria de ir até lá para ter uma ideia do que lhe aguarda se completar seu desafio? - indagou o dragão, levantando-se como se soubesse que a resposta seria positiva.
- Seria uma honr... - disse o eremita e antes que pudesse terminar de falar, o dragão o agarrou e o atirou em suas costas, gritou um "segure firme" e levantou voo.
Rufus agarrou-se firmemente às escamas grossas das costas do dragão e em pouco tempo acostumou-se com o barulho produzido por suas asas e com o vento forte soprando seu rosto. Viu a fogueira lá embaixo tornar-se um ponto minúsculo enquanto era levado em outra direção. Ele não teve medo nem sequer temia por sua vida, alguma coisa lhe dizia que o dragão não tinha intenção de lhe fazer mal.
Depois de sobrevoarem uma densa floresta, o dragão aproximou-se de uma montanha e pousou em uma cratera, a qual só podia ser atingida por cima. Uma enorme passagem dava acesso ao interior da montanha e os dois caminharam lado a lado, o dragão lançando baforadas quentes para iluminar o caminho.
Chegaram a um lugar amplo e assim que a luz do fogo tocou o ambiente Rufus pôde ver uma quantidade de ouro maior do que vira em toda a sua vida.
- Diga o meu nome e tudo o que conseguir levar é seu e está livre para ir - declarou o dragão pesaroso.

EM BREVE - PARTE 8

De intrínseca interpretação

| quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A um fantasma do passado.

E quem é que pode entender as razões do coração?
Durante a noite calada e impassível, entreouço os murmúrios de meu peito abatido e tento entender as palavras que cada pulsar me diz, mas o silêncio é tamanho que sua voz muda cobre meus ouvidos e me impede de compreender os sinais que me são enviados.
Um vento frio percorre o ambiente e se dissipa antes de me atingir, como se minha presença o repelisse e acredito que seja isso mesmo, até mesmo aquilo sem vida e abstrato é afetado pela minha aura peculiar.
Já perdi as contas de quantas pessoas eu consegui afastar de mim, simplesmente por me isolar em meu mundo sem cor e som, criando muros gigantescos, não para me manter lá dentro, mas para manter a todos do lado de fora. Foi assim com meus colegas, amigos, familiares e você. Um a um, lenta e dolorosamente, foram recuando e desistindo de tentar atravessar as minhas barreiras.
Quem sabe eu não tenha feito tudo isso para te proteger? Talvez me odiar fosse o que te deixaria melhor para te fazer seguir frente. Ao deitar em minha cama à noite eu tento pensar nos erros que cometi, mas antes que eu chegue a alguma conclusão eu adormeço, não que eu não me importe ou ache que a razão seja meu animal de estimação que só serve a mim. Eu sou tão involuntariamente dependente daquilo que deixo de lado que quando decido me focar em um problema eu perco o rumo e fico sem saber aonde ir.

Acredito que eu não tenha feito sentido nessas linhas que escrevi, certamente ninguém será capaz de encontrar nexo em tudo que eu disse até agora, apesar de que talvez haja pessoas que se sintam assim, não é possível que nesse mundo enorme eu seja o único que não entende a si mesmo e se sinta frustrado por não ouvir o próprio coração, que até tenta se comunicar, mas ele eu falamos dialetos diferentes.

Essa carta é para você, que há um ano se absteve de minha companhia, que fugiu de mim sem olhar para trás, usando uma máscara de rancor e sufocada pelas palavras que não disse. Que simplesmente apagou tudo de bom que existiu e se agarrou apenas às piores lembranças que tivemos.
Não quero te dissuadir e muito menos dizer que sinto muito, você fez sua escolha, assim como bem antes eu havia feito a minha. Nossos caminhos se separaram e essas palavras confusas e cheias de segredos nas entrelinhas se direcionam a você somente porque me lembrei que hoje faz um ano que não te vejo. É claro que tenho notícias suas e sei como sua vida anda, as pessoas comentam, as informações viajam mais rápido do que supomos e com certeza você deve saber de mim também.
Já ouvi dizer que às vezes, não tocar no assunto é a melhor coisa a fazer, por isso paro por aqui, a beira de um abismo emocional, ainda indeciso se dou um passo atrás ou me atiro ao desconhecido. Preciso de um auxílio agora, será que você não gostaria de vir me empurrar?

De um errante inveterado.

Pauta para o Bloínquês

O diário de Clara

| terça-feira, 9 de novembro de 2010





Quer ler esse diário comigo?
Não








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O eremita e o dragão - Parte 6

| domingo, 7 de novembro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4 e Parte 5

O dragão não entendeu toda a irritação do homem e ficou surpreso com aquela reação inesperada.
- Isso é trapaça - gritou Rufus indignado - Essa última charada é impossível de responder.
- Não se você pensar com calma e ficar atento a todos os detalhes. - falou o dragão - Ou você pode simplesmente desistir, isso não seria tomado por covardia e estamos só nós dois aqui, não há motivos para se envergonhar por não saber, afinal ninguém sabe tudo, não é?
- Eu não desisto, seu trapaceiro ordinário, eu exijo outra charada - retrucou Rufus sem se lembrar de que estava falando com um dragão, o que por si só já é um bom motivo para manter a língua afiada dentro da boca, além de não estar em posição de fazer exigências.
- Você aceitou meu desafio sem exigir nenhuma regra, agora não existe essa possibilidade. - argumentou o dragão - Ou você responde ou desiste.
- Já disse que não vou desistir, lidei com sujeitos da sua laia do lugar de onde eu venho...
- Então por que você não se acalma e me conta desse tal lugar? - sugeriu o dragão, tentando ganhar mais tempo para desfrutar da companhia do eremita.
Rufus ponderou por um segundo e achou mais sensato manter a calma. Sentou-se novamente, tomou um gole de água e mergulhou em memórias que tentava esquecer.
- Nunca conheci meus pais, eles podem ser nobres ou camponeses, mas nunca saberei. Desde quando tenho lembranças eu vivi na casa de um ferreiro que me tratava pior do que a seus cavalos, na adolescência ele me vendeu para uma trupe por umas poucas moedas de ouro. O grupo itinerante era composto de pessoas más e mesquinhas. Fui forçado a fazer o trabalho pesado e o que mais fosse considerado degradante para eles. O meu pagamento era a sobra da comida horrível que até mesmo os cães recusavam.
O dragão pode ver as marcas que a vida havia imposto naquele jovem sem destino, permaneceu quieto, alimentou a fogueira e continuou a ouvir a narrativa.
- Havia um velho músico entre eles que fora como um pai para mim, apesar de sua reputação ferrenha ele me acolheu e me apresentou o mundo da música. Toda noite após meu serviço humilhante eu tomava aulas de canto e flauta, o instrumento que me apeguei facilmente. Aprendi a compor, mas minhas canções não continham o ardor pecaminoso que eles desejavam e por isso eram rejeitadas. Suportei essa vida por quatro anos, sofrendo, me desgastando e recebendo em troca xingamentos e pontapés, até a noite em que decidi fugir.
- Eu vinha planejando a minha fuga há algum tempo, mas sempre era fisgado por imprevistos e contratempos, mas não daquela vez, reuni meus poucos pertences, roubei um pouco do ouro deles, apanhei minha flauta e parti. Parti sem rumo, andando depressa para não ser pego por eles na próxima vila. Estou nessa vida de andarilho há pouco mais de quatro meses, me escondendo e rezando para que não me encontrem e foi aí que nosso caminho se cruzou. - ele terminou de falar e percebeu que o dragão estava afundado na história, como se fosse à dele próprio.
- Você teve uma vida dura, jovem poeta, uma vida marcada pela dor e por castigos desmerecidos. - o dragão falou com empatia.
- Infelizmente, mas isso tudo é uma estrada já percorrida, ficou para trás. - o dragão concordou com a cabeça. - Ainda não descobri a resposta para sua charada, dragão sem nome, então por que você não me conta a sua história agora?
Os olhos do dragão brilharam de emoção, era a primeira vez que alguém se interessava por sua vida. Acomodou-se diante da fogueira, esticou os braços e as asas e começou.

EM BREVE - PARTE 7

O eremita e o dragão - Parte 5

| sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4

Os dois haviam se encontrado na colina há poucas horas, um havia proposto um jogo de charadas que o outro havia aceitado e das duas perguntas feitas, ambas foram acertadas.
- ... parei de me esconder dos homens, quando você pára de se esconder eles param de procurar. Às vezes as coisas mais óbvias são aquelas impensadas. - o dragão explicava porque estava na colina desprotegido.
- Você não tem medo? - perguntou Rufus sentado diante do fogo.
- Diga-me qual criatura deste mundo não teme a morte, meu caro poeta. - o dragão rebateu calmamente - Enquanto há vida, há que ter medo. Até mesmo aquele ser que se demonstra ser o mais bravo esconde dentro de si um temor que é só seu. Eu temo pela minha vida, não por ser o último de minha espécie, mas apenas por estar vivo.
Rufus compreendeu as palavras do dragão.
- Você acredita no acaso, senhor do fogo?
O dragão se admirou com a pergunta e refletiu por um momento, tentando descobrir de onde ela viera e encontrou sua resposta:
- Você questiona isso devido ao nosso encontro inesperado, correto? - Rufus assentiu calado - Muito bem, não. Não acredito em acaso, acredito que você ter tomado esse rumo e eu estar no meio do seu caminho é algo muito maior do que possamos imaginar, isto estava fadado a acontecer. Você poderia ter tomado um rumo diferente, em um dia diferente, mas não importa em qual trilha estivesse eu estaria lá. Creio que, de alguma forma, seu destino está entrelaçado com o meu e é por isso que estamos aqui, tendo esta conversa.
Rufus permaneceu calado por um tempo e depois concordou com o dragão. Ele jamais teria imaginado que após ter fugido de sua trupe terrível ele encontraria a amizade em um ser que todos julgavam ser um monstro.
O dragão deixara seu lado irreverente de lado por um momento e dialogava seriamente com o eremita, sentindo-se uma criatura de sorte por ter alguém com quem conversar.
- Estou pronto para continuar - declarou Rufus.
O dragão estava adiando aquele momento só para passar mais tempo com o homem, pois se ele resolvesse a última charada ele teria que partir e a solidão voltaria a lhe fazer companhia.
- Sim, perfeitamente, não sei por que estamos perdendo tempo - falou o dragão orgulhoso demais para admitir que havia se afeiçoado ao eremita e proferiu o último enigma, aquele que julgava ser o mais difícil:

Aquele que cospe chamas
Aquele que o homem teme
Sou a fera que tu declamas
Teu poema mais solene
A me ver tu te calaste
Mas por inimigo não me tome
Meu desafio tu aceitaste
Proclame em voz alta o meu nome.

Ao ouvir as palavras, Rufus fechou a cara irritado e levantou-se furioso.

EM BREVE - PARTE 6

Eu não poderia deixar de mandar um obrigado a todos que me desejaram os parabéns por um ano de blog, fiquei muito emocionado com o que as pessoas escreveram, esse espaço tem me proporcionado coisas boas e com isso conheci muita gente especial. De verdade, muito obrigado mesmo por todos que estão sempre por aqui.
Mais uma coisa, criei um twitter para o colocar frases do blog, quem quiser seguir é @artedeumsorriso.

1 ano de sorrisos

| quarta-feira, 3 de novembro de 2010


1º Mês

O blog era só mais um endereço perdido nesse imenso universo chamado internet. Os textos eram escritos meramente como desabafos que ninguém leu.

2º Mês

Não escrevi nada (com a mão cobrindo o rosto envergonhado).

3º Mês

Passei por aqui duas vezes (olhando através dos dedos para ver sua reação)

4º Mês

Minha volta triunfal (usei a palavra só para dar efeito). Nesse período eu deveria ter uma dúzia de seguidores.

5º Mês

Foi quando descobri o mundo dos projetos de blogs e escrevi meu primeiro conto para concorrer em um e por ter conquistado o primeiro lugar nesse concurso eu me motivei ainda mais a continuar por aqui. E também foi o mês que escrevi um dos meus maiores desabafos.

6º Mês

Ganhei meu primeiro selo. Continuei investindo em contos para projetos e com isso o blog foi tendo uma divulgação meio que automática e começaram a surgir mais seguidores. Escrevi meu primeiro conto em partes.

7º Mês

Assim como o 6º, os meses que tiveram mais postagens. Criei o selo oficial do blog para presentear a galera. Comecei o desafio musical. Comecei o segundo conto em partes.

8º Mês

Alcancei o centésimo post. Comecei o terceiro conto em partes, que se tornou a maior lição de vida que eu já escrevi. Fui destaque do mês em um projeto e ganhei uma entrevista. E já havia conhecido várias pessoas bacanas.

9º Mês

Participo da gincana de um projeto para o dia do escritor. Continuo, é claro, participando de vários projetos com contos de diversos temas e assuntos. Comecei o quarto conto em partes, o qual eu abusei sem moderação no suspense, o que deixou muita gente curiosa e brava comigo, rs.

10º Mês

Venci a gincana mencionada no mês anterior. Me afastei de alguns blogs devido a falta de tempo e por isso tive a idéia de homenageá-los através de textos batizados com seus nomes. Fiz outro desabafo bem intenso.

11º Mês

Homenageei alguns blogs. Comecei mais um conto em partes, com direito a enquente antes da parte final. Sou convidado e escrevo meu primeiro texto para o Contos Franqueados.

12º Mês

Comecei a postar mais um conto em partes, o mais diferente de todos que eu já escrevi e que ainda não chegou ao final. Continuo participando de projetos.

Em suma

Essa é a comemoração de um ano de postagens do blog, pois na verdade ele foi criado em dezembro de 2008, abandonado e retornei apenas em novembro de 2009, a partir de quando começo a contar sua “existência real.”

Mantendo um blog

Para quem acha que é fácil manter um blog ativo, eu digo que não é bem assim. Há alguns fatores que devem ser levados em conta, por exemplo, motivação, inspiração, criatividade, empenho e responsabilidade, essas características são indispensáveis a um bom blogueiro e sem falsa modéstia, acredito que me enquadro na categoria.

Agradecimentos

Quem faz o blog, acima de tudo, são os que o acompanha e é por isso que nessa postagem não poderia faltar o meu muitíssimo obrigado a todos que passam por aqui, principalmente àqueles mais fiéis que eu reconheço muito.

Metas atingidas

Através do blog eu expandi meus horizontes, fui além do que eu esperava de mim mesmo, desenvolvi mil vezes a minha escrita, conheci pessoas fantásticas e outras formas de pensamento.

Desejo

Ao soprar a velinha, o único desejo que tenho é de que eu consiga mantê-lo por mais um ano com textos que sejam bem aceito por vocês.

Um grande abraço desse cara que se diverte muito por aqui.

O passageiro sombrio

| terça-feira, 2 de novembro de 2010


A quem interessar

A minha vida toda eu caminhei nas sombras do meu próprio ser.
Sempre desviando de olhares, escolhendo as palavras certas e os momentos certos para usá-las, sempre vivi acorrentado a esse segredo que me tragava cada vez mais para dentro de mim mesmo, para uma escuridão sem fim. Eu busquei uma luz, tateei em vão à procura de respostas, mas sempre me deparei com o hálito frio do vazio a soprar meu rosto, como um mau agouro que simboliza a desesperança.
Eu lutava para que o silêncio fosse embora, para que então eu pudesse encontrar uma voz perdida no deserto de minha consciência abafada pelo medo e controlada por um outro eu.
A culpa me dilacera a alma e costura trevas onde deveria haver luz. A memória assopra a poeira de lembranças que deveriam ser enterradas para sempre. Os gritos rasgam o silêncio da minha mente e eu não consigo calá-los.
Alguns segredos pesam demais para serem carregados por uma pessoa só, mas o meu segredo obscuro não pode ser mantido por mais ninguém além de mim.
Eu sou um monstro que vaga pela noite em busca de sangue, dor e morte. Eu me esgueiro pelo breu à espera de uma próxima vítima. Eu sinto o prazer da carne se rompendo pela minha lâmina. Eu sou um assassino.
Meu segredo carrega a culpa do fim da vida de várias pessoas. Meu segredo me mantém refém de minha própria essência corrompida.
Eu preciso exorcizar os demônios dentro de mim e arrancar os espinhos que cresceram em meu peito. Tenho que me livrar das máscaras e encontrar meu verdadeiro rosto. Preciso revelar as mentiras que me cercam por onde eu vou.
Tomei uma decisão sobre o que devo fazer. É chegada a hora de me redimir e me libertar de meus pecados ou quem sabe ir para o lugar onde pagarei por eles.
Talvez você encontre essa carta manchada de sangue, mas saiba que esse sangue perdeu sua inocência há muito tempo.
Na primeira gaveta do criado-mudo está uma lista com o nome de todas as vítimas que fiz, nenhum pedido de desculpas seria o suficiente para atenuar a dor que causei a eles e aos que pertenciam a suas vidas.
Essa não é uma carta de remissão, tampouco um desabafo, é apenas uma carta de adeus ao mundo decadente que me acolheu.
É o fim de um ciclo de acontecimentos. É o desfecho de uma história sem final feliz.
A vida toda eu caminhei nas sombras. Que elas me engulam de vez agora.

De um profano desalmado e sem vida.

Pauta para o Bloínquês
Obs: O título do texto faz menção ao lado obscuro do personagem Dexter, no seriado que leva o mesmo nome.
 

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