Keblinger

Keblinger

História de acampamento

| domingo, 31 de outubro de 2010



Quer saber mais dessa história?
Não





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O eremita e o dragão - Parte 4

| sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2 e Parte 3

- Você quer que eu repita pela... - o dragão fingiu fazer uma contagem mental - décima-sétima vez?
Rufus bufou sem paciência, levantou e ficou andando de um lado para o outro.
- Minha voz é ouvida no breu, não apenas no breu eu devo supor - o homem pensou em voz alta.
- Não entendo a complicação dessa charada, a resposta é tão óbvia - declarou o dragão com um quê de sabe-tudo - Diga-me, cabelo cor de fogo, de onde você vem não existe esse tipo de diversão? - ele acrescentou uma pitada exagerada de desdém na voz, só para chatear Rufus.
- É evidente que existe e você sabe disso - rosnou ele - Agora me deixe pensar.
- Tudo bem, eu estava apenas aquecendo esse silêncio gelado - falou o dragão num tom forçado de desculpa.
Rufus pôs-se a cantarolar os versos ditos pelo dragão e como um estalo a resposta lhe veio na mente:
- É o rio. Na descida corre, na subida vai manso, sonhando em alcançar o mar.
O dragão ergueu os braços robustos e abriu as asas largas num sinal de rendição.
- Onde você esconde sua esperteza, Rufus? Surpreendeste-me, está absolutamente correto - ele aplaudiu e cada palma ecoou pelo ambiente como tiros de canhão.
O eremita sorriu, contente por seu desempenho e encenou um agradecimento de palco, curvando seu corpo.
- Eu sei que você quer perguntar-me algo, sinta-se à vontade - consentiu o dragão e estava certo, Rufus tinha uma pergunta na ponta da língua.
- Quantos...
- Essa é uma pergunta indelicada - o dragão interrompeu já percebendo do que se tratava - Mas eu entendo sua preocupação, você ainda não confia plenamente em mim e nada do que eu lhe disser poderá acalmar seu coração, uma vez que eu posso mentir para você, contudo eu prezo pela verdade, sábio viajante. A resposta que você obterá é zero. Eu nunca matei nenhum homem, talvez eu seja o exemplo vivo de um dragão pacifista, isso é um tanto contraditório ao que toda história conta, mas é a mais pura verdade.
Rufus digeriu as palavras por um tempo e pôde perceber que eram verdadeiras.
- Acredito em ti, mestre dragão - o gigante exibiu um sorriso assustador e sacudiu a cabeça.
- Não pude deixar de notar que carrega uma flauta, toque para mim uma canção - pediu o dragão.
O eremita que nunca tivera uma platéia tão peculiar, sentiu-se envergonhando, mas apanhou sua flauta e tocou uma melodia suave e inesperadamente começou a cantar, sua voz tão pura que pareciam notas saídas do instrumento musical:

No monte escuro, n'uma noite estrelada
Viajei solitário caçando a alvorada
O cansaço me abate de modo que paro
Para qualquer infortúnio eu perco meu faro
Na rocha encostei atado à solidão
Na noite escura topei com o dragão

Assim que sua voz cessou, o silêncio afugentou todos os sons ao redor e o vento soprou calmo tremeluzindo as chamas da fogueira e atirando faíscas ao ar que dançavam até se apagarem.
O dragão sentiu seu coração quente ao ouvir a canção dedicada somente a ele, há muito tempo ele deixara de acreditar na bondade dos homens, mas naquele instante ele soube que ainda existiam pessoas dignas de confiança e soube que em qualquer lugar em que estivessem, seus ancestrais não o julgariam por ter criado um laço com aquele humano ao invés de devorá-lo.

EM BREVE - PARTE 5

Sob o sol do verão

| quarta-feira, 27 de outubro de 2010

♪ (...) They don't know how long it takes
Waiting for a love like this
Every time we say goodbye
I wish we had one more kiss
I'll wait for you, I promise you I will... ♫
Lucky - Jason Mraz e Colbie Cailat

Final de novembro

Ele é o primeiro a me abraçar e beijar quando o dia começa, seus raios sorridentes atravessam as cortinas e me envolvem e acariciam com aquele toque morno que possui a cada manhã. Sempre adorei o sol e os prazeres que ele proporciona.
Olho o calendário e conto os dias para o início do verão, minha estação favorita. Depois de ter passado pela secura do outono, pela frieza do inverno e ter dançado nos jardins coloridos da primavera, anseio pelo momento de saudar a gloriosa estação das chuvas ligeiras e dos mergulhos no lago.
O lago. Da janela vejo a luz bailar em sua superfície em cortinas diáfanas derramadas pelo céu. Sinto o seu cheiro puro e convidativo. Aprendi a nadar ali mesmo, naquele lago, quando tinha cinco anos, dizem que fui o garoto mais novo a mergulhar naquelas águas sem a companhia de adultos, mas não sei dizer se isso é verdade.

21 de dezembro

Acordei logo cedo, saudei o sol, o ar e o dia. Corri para fora para sentir o frescor daquela manhã que se aquecia aos poucos. Desci descalço pela ladeira que leva ao píer e sentei com os pés dentro d’água. O lago espelhado me sorria como se me reconhecesse. O vento sacudia e despenteava as árvores ao fundo, que pareciam encenar uma coreografia sincronizada.
Com o sol do meio-dia a pico, várias pessoas desciam a encosta em direção ao lago que recebia a todos com suas águas mansas. Eu observava os casais de mãos dadas, os pais gritando tentando controlar a euforia das crianças, as solteironas de olho nos rapazes e as garotas deslumbrantes em seus trajes de banho.
De repente minha visão foi coberta por uma canga amarela que o vento atirou em meu rosto e sua dona veio correndo se desculpar e pegá-la de volta. Seu sorriso receoso e escondido no canto da boca me fisgou como os peixes que os quarentões puxavam para os seus barcos.
- Me desculpe, foi o vento, ah... - ela falou meio sem jeito.
- Não tem problema - eu disse - Você não é daqui, é?
Como se fosse uma velha amiga, ela se sentou ao meu lado, afundou os pés nas águas brandas e respondeu que não.
Conversamos por um longo tempo, ela esbanjava simpatia e bom humor e seu jeito me cativava a cada minuto que passava.
No fim da tarde, a convidei para dar um mergulho e ela prontamente jogou a canga no píer e saltou na água.
- Vamos ver quem chega primeiro até a outra margem? - ela me desafiou e começou a nadar.
Tirei a camiseta e pulei em seguida, tentando alcançá-la. A moça sorridente se mostrou uma exímia nadadora, mas paramos antes de chegar ao outro lado.
- Acho que encontrei um motivo para voltar sempre aqui no verão - ela me confidenciou.
- O lago é maravilhoso mesmo - eu respondi ingenuamente.
- Não é o lago, seu bobo - ela retrucou rindo-se e jogou água em mim - É você.
Eu não soube o que responder e antes que pudesse fazer isso ela se aproximou, feito uma sereia encantadora e me deu um beijo molhado.

Passamos o resto das férias juntos, até o dia em que ela teve que ir embora. No último dia, nadamos até perto das árvores e juramos esperar o próximo verão para nos reencontrarmos.

Por isso eu amo o verão, porque ele traz amores inesperados e surpresas magníficas. Agora percebo como as outras estações são sem graça.
Enquanto espero por ela, começo a contar os dias outra vez.

Pauta para o Bloínquês

Um dia eu a encontro

| terça-feira, 26 de outubro de 2010
Ao contemplar o passado pude ver que a possuía
Em cada foto marcada por um sorriso se denota
Aos quatro cantos ao sabor do vento ela fluía
Em cada verso e rima, em cada cifra e nota.

A essas dores no presente eu atribuo
Toda a falta que tens me feito nesse dia
Do meu passado pouco a pouco eu recuo
Em busca de tua presença, que me basta e me alivia.

Passo a passo confiante eu vou seguindo
Em cada curva paro e olho a te esperar
Se despontares no horizonte, eu já vou indo
Numa corrida frenética para te alcançar.

No dicionário um sinônimo e um vocativo
Para um possuidor, a beleza da verdade
Enquanto a busca cada um tem um motivo
Para encontrar essa tal felicidade.

Pauta para a 10ª Edição Poemas do Bloínquês
Não costumo fazer poemas, mas arrisquei com esse para a pauta, espero que gostem. Grande abraço.

O eremita e o dragão - Parte 3

| domingo, 24 de outubro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1 e Parte 2

O dragão repetiu quantas vezes Rufus pedira.
- Ora, sábio amigo, a resposta é tão clara - disse ele em tom de zombaria. Rufus franziu a testa, irritado.
- Dois amantes que nunca se viram - repetiu o homem para si.
- Estou sentido meu corpo envelhecer por toda essa demora - disse o dragão impaciente - Receio ter encontrado o eremita errado para fazer minhas perguntas. Eu poderia jurar que você me convenceu quando pareceu levemente desonrado por eu ter duvidado de seu raciocínio. Estarei esperando quando seu ego corroído decidir admitir que não é capaz...
- O sol e a lua. Você está falando do sol e a lua - respondeu Rufus confiante.
O dragão colocou a pata no queixo, fingindo pensar sobre a resposta, revirou os olhos, derrotado e assentiu:
- Perfeito, eremita conhecedor, você acertou.
- Posso fazer uma pergunta? - ele pediu.
- Concederei a ti esse privilégio - disse o dragão, pomposamente, com a pata no peito.
- Onde estão os outros dragões?
O gigante vermelho assumiu uma expressão tristonha e falou como se tivesse preso em um devaneio:
- Acredito que eu seja o último de minha espécie, a ira dos exércitos de homens dizimou a minha raça e os poucos que sobreviveram se esconderam em cavernas, mas então surgiram os caçadores de dragões, homens sozinhos que carregavam armas eficazes e fúria nos olhos. Eu não nego que muitos de nós destruiu aldeias e arrancou a vida de milhares de pessoas, mas essa guerra entre nossas raças é tão antiga que não se sabe ao certo quem a começou. Eu não tenho nenhuma companhia, Rufus ruivo, vivo sozinho há mais tempo do que você vive nesse mundo e essa vida não é agradável.
Rufus sentiu pena do dragão e percebeu que ele não era tão mal quanto havia suposto, tudo o que lhe dera a impressão errada sobre a criatura foram as histórias que ouvira, mas foi então que percebeu que para conhecer verdadeiramente uma história é preciso conhecer todos os lados da mesma e que é impossível conhecer alguém apenas pelo o que os outros dizem.
O dragão se sacudiu, como se afastasse uma nuvem implicante de pensamentos e indagou:
- Pronto para continuar?
Rufus bebericou um pouco de água do cantil que carregava e fez que sim com a cabeça.
- Muito bem - disse o dragão e proclamou o segundo enigma:

Na descida íngreme corro
Na subida vertiginosa descanso
Vidas em meu seio acolho
Enquanto o meu sonho alcanço
Minha voz é ouvida no breu
Diga-me quem sou eu.

O dragão sentou-se consciente de que a resposta demoraria a vir e começou a pensar em provocações para irritar o eremita.

EM BREVE - PARTE 4

Que seja platônico então

| sexta-feira, 22 de outubro de 2010


Vem comigo saber mais desse amor?
Não




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Selo maravilhoso e um pouco de mim

| quinta-feira, 21 de outubro de 2010


Ganhei esse selo da Karen Diniz do Little Things e fiquei super feliz por ela ter se lembrado de mim.

O selo veio com algumas regras, aí vão elas:
1. Falar um pouquinho sobre a pessoa ou o blog que te indicou.

Não conheço a Karen além das páginas do blog e confesso que a visitei poucas vezes e nem sempre acabei comentando, mas ela escreve super bem e pôe sempre muita emoção nas palavras dela. Recomendo que a visitem também.

2. Indicar este selinho para 5 blogs que você ache maravilhoso.
3. Dizer pelo menos uma característica maravilhosa de cada blog ou blogueiro indicado.

Aqui vão eles:

Cristiano Guerra - Oficina Terrosa ~> Bom, conheço o Oficina não faz tanto tempo, mas sempre que passo por lá me encontro em cada linha que o Cristiano divinamente constrói. Além de admirar os textos incríveis dele em seu blog, também vejo seu trabalho de contista na franquia que tenho a honra de participar.

Alexandre Fernandes - Elos no Horizonte ~> Nesse blog eu me encanto muito, pois o Alexandre coloca tanto sentimento em seus textos que fica impossível não se envolver com as histórias, além de escrever muito bem contos/crônicas, ele escreve lindos poemas, vale a pena passar lá sempre.

Rebeca Amaral - Mais que palavras ~> Essa é uma moça que é amiga das palavras, às vezes eu fico bobo com algumas coisas que ela escreve e nem sei direito o que comentar. Assim que vejo atualização de lá, eu corro pra ler. E além de escrever super bem, ela tem um gosto musical muito bom, diga-se de passagem.

Tatiane Tosta - [Re]construções ~> A Tati é a Tati né? Ela sabe brincar com as palavras de um jeito que é só dela e é por isso que eu sempre estou por lá, viajando pelas linhas dela sempre cheias de amor, paixão, emoção... Ela sabe conduzir o leitor sempre por bons caminhos e ainda tive o privilégio de fazer uma brincadeira/parceria com ela.

Letícia Gomes - Escafandro de nuvens ~> Não sou visitante antigo do Escafandro, mas depois que conheci esse blog não deixei de visitar mais, a Letícia é sempre tão intensa e profunda em seus textos/contos/crônicas que te leva a refletir em várias coisas, sem falar no seu talento com as palavras.

Super recomendo todos esses blogs, confesso que foi difícil escolher somente 5 de tantos blogs maravilhosos que eu acompanho, na verdade todos vocês merecem estar aqui, mas como optei por seguir a regra os meus escolhidos foram esses.

9 Things about me



O Charlie B., amigo das altas horas, cinéfilo, viciado em seriados (como eu) e dono do Paranóico me indicou o selo acima e me propôs o desafio no qual tenho que dizer 9 coisas sobre mim.
Como já fiz desafios parecidos, vou tentar citar coisas que não disse antes. Então vamos lá:

1 - Odeio churros, não suporto nem sentir o cheiro (e odeio quando o carro que tá vendendo pára bem na porta de casa com aquele alto-falante ligado)
2 - Até os 16 anos eu não curtia muita música (hoje em dia sou um completo viciado)
3 - Já fiz um beija-flor desmaiar com uma bolada (só pra constar, ele ficou bem e saiu voando depois de um tempo, hehe)
4 - Tenho crises de riso durante apresentações de seminários (é, preciso trabalhar nisso aí)
5 - Um tucano já cagou em mim (porque eu estava tentando tirar uma foto com ele e tal, aconteceu)
6 - Um dia liguei pra minha mãe fingindo que tinha sido sequestrado (ai ai, olha as coisas de adolescente que quer chamar atenção, ainda bem que já passei dessa fase)
7 - Uma vez aprendi um cumprimento africano e ficava fazendo ele no recreio (o tal cumprimento tinha a ver com bater as mãos e a cabeça três vezes, ou seja, chamava um pouco de atenção)
8 - Fui de intruso num trio elétrico que passou pela cidade anunciando uma festa (aconteceu de a moça que ía falar no microfone estar rouca no dia, então me "forçaram" a convidar a cidade toda em alto e bom tom)
9 - Em menos de dois meses eu faço aniversário (e espero a minha festa surpresa, haha)

Bom, vou deixar livre para quem quiser fazer esse (é bem divertido), até porque não tem regra nenhuma, mas peço que avisem quem o fizer para eu dar uma olhada.

Espero que tenham gostado e amanhã tem texto meu no Contos Franqueados, passem por lá para me visitar.

Te carrego dentro de mim

| terça-feira, 19 de outubro de 2010
Para os olhos que jamais vão ler essas linhas.

Eu não sei como começar esta carta, não sei folhear o passado e encontrar o momento ideal para descrever aqui... Bom, acho que vou falar de você, já que o grande motivo de estar escrevendo isso é para que você saiba, de uma maneira ou de outra, quem você foi para mim.
Talvez eu erre na escolha das palavras, talvez eu não alcance a verdadeira essência do que eu tenho para dizer, mas toda essa dor que me consome é grande demais para ficar aqui dentro. Você era aquele que me olhava nos olhos e enxergava muito além de mim, você me via como ninguém mais conseguia. Você era aquele que possuía as palavras certas e sabia usá-las nos momentos oportunos. Você esteve ali ontem do meu lado, me abraçou, conversou comigo, me escutou e disse que tudo ficaria bem, mas você não previu o que aconteceria.
A vida é mesmo uma caixinha de surpresas, mas nem todas elas são boas. Hoje, quando essa caixa se abriu para mim eu pude ver que estava vazia, porque você havia sido tirado de mim. Agora você se foi pra algum lugar onde não posso te trazer de volta, por mais que eu tente, eu não conseguirei. Por mais forte que eu queira ser e aparentar, esse aperto no peito machuca tanto que a dor latente me entorpece e tira meus sentidos...
Na verdade eu ainda não compreendi que você se foi, que não te terei mais ao meu lado, que seus olhos não se voltarão para mim, que o seu sorriso não se descortinará para minha contemplação. Não entendo que não sentirei seu toque quente, que não mais escutarei sua voz sempre atenta e que esse adeus é o último.
Adeus, uma palavra tão curta, mas de um significado tão profundo e de todas, a única que eu jamais me vi pronunciando a você e a que me escapa dos lábios agora.
A morte é tão patética em relação à vida, ou será que é o contrário? Pois a gente vive e simplesmente morre depois, então qual é verdadeiro motivo de se passar pela vida? Talvez eu possa parecer insano ponderando esse tipo de coisa, mas é o que eu penso agora. A morte é a interrupção de tudo, de um livro que você estava lendo, de um projeto, de um sonho... A morte é o fim, se tem algo depois, eu não sei, mas o aqui e agora sem você me soam estranhos.
Depois de todo o clichê dos “sinto muito” e “meus pêsames” eu ainda vou continuar aqui, a fitar o vazio do meu lado, apenas preenchido por um vento frio que sussurra lembranças de quando eu te tinha por perto, que me trazem suas palavras, seu sorriso, seu olhar... Ah, como eu daria tudo para ter mais um dia com você, para te fazer entender que sua presença era importante e essencial para mim.
A morte pode ter levado para longe, ter te roubado o ar e as batidas de seu coração, mas ela não te roubará de dentro de mim, pois aqui, nesse cantinho secreto, eu te carregarei até o dia em que nossos caminhos se cruzarem novamente.

Daquele que deixou a tristeza se derramar pelo papel.

Pauta para o Bloínquês

Não mencionei alguém em específico na carta, como um pai, mãe, parente ou amigo, justamente por saber que cada um possui alguém a quem essa carta se destinaria. Então, interpretem como lhes convir.

O eremita e o dragão - Parte 2

| domingo, 17 de outubro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1

Os olhos do dragão cintilavam à luz bruxuleante das chamas enquanto esperava o homem falar e finalmente ele rompeu o silêncio que começava a ficar mórbido entre os dois:
- E se eu recusar?
- Ora, estou lhe oferecendo a oportunidade de se tornar um homem rico, mas se recusar, eu compreenderei a sua incapacidade intelectual... - ele deu uma pausa como uma deixa para o homem protestar e defender sua honra e sua alfinetada surtiu efeito.
- Pois bem, majestoso dragão, eu aceito seu desafio - ele disse, esperançoso de provar ao dragão que possuía sabedoria o suficiente para adivinhar seus enigmas.
- Eu reconheço sua bravura, eremita. - o dragão encenou uma reverência desajeitada e quando tornou a se sentar sua cauda produziu um tremor leve de terra.
- Como saberei que posso confiar em sua palavra? - a pergunta saltou de sua boca antes que sua mente lhe avisasse que seria imprudente confrontar a terrível criatura.
O dragão abriu a boca, forjando uma cara de ofendido e respondeu:
- É visível que você não tem conhecimentos sobre dragões, mestre eremita - bufou ele sentindo-se aborrecido - Mas eu não o culpo, nesse mundo onde somente lendas de caçadores nos difamam e constroem uma imagem horrenda sobre nós é evidente que eu seria um monstro voraz e de índole duvidosa. Vou lhe dizer, viajante solitário, nós dragões, somos criaturas civilizadas tanto quanto vocês, é óbvio que existiram alguns que possuíam um mal temperamento, assim como existem homens com esse caráter, o que eu quero dizer é que somos todos iguais, não mentimos e nem trapaceamos mais que qualquer outro ser, portanto da mesma forma que não há garantias sobre minha palavra, não há sobre as suas. Como saberei que você não me apunhalará no coração enquanto eu estiver adormecido? - ele ergue a pata como se não esperasse resposta, balançou a cabeça inconformado e continuou - Não me venha com tolices que sobrepujem a sua espécie sobre a minha. Acho que devemos nos apressar quanto ao nosso acordo - ele evitava o olhar do homem, como uma criança emburrada que acabara de levar bronca de adultos.
- Peço perdão pela desconfiança, eu...
- Assim está melhor - o dragão interrompeu - Posso ver seu arrependimento - ele brincava com as chamas da fogueira.
- Podemos começar quando quiser - disse Rufus.
O dragão estava esperando por aquela iniciativa, não queria parecer desesperado demais, apesar de sua solidão ter afetado seu bom senso.
- Sim, certamente - ele pigarreou para limpar a garganta e aquilo soou como um bramido grave e então ele atirou o primeiro enigma:

Os opostos que os atraíram
Em seus seres amor fez brotar
Dois amantes que nunca se viram
De quem estou eu a falar?

Rufus apoiou-se nos cotovelos e encarou o fogo tentando resolver a charada.

EM BREVE - PARTE 3

O eremita e o dragão - Parte 1

| sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O eremita caminhava pelas colinas do reino, pulando de vilarejo em vilarejo, se escondendo na mata fechada durante a noite. Mendigando comida em troca de odes, tocando sua flauta para ganhar moedas de pouco valor. Ele não se recordava quando sua vida se tornara solitária, talvez tenha sido quando fugira da trupe que o explorava, onde ele era açoitado por abominar poemas mundanos e por somente compor aqueles cheios de amor, eles queriam fogo, queriam ardência e brasas nas melodias, queriam incendiar o público e os levar a delírio.
Ele era apenas um jovem aprendendo a viver. Um amante da natureza e da primavera. Naquele ambiente hostil nada do que almejava poderia ser obtido, então ele fugiu.
Certa noite apanhou sua flauta, seu pertence de mais valor e seus pés descalços deram passos taciturnos rumo ao desconhecido.
Agora, vendo o dia se converter em noite ele subia um morro gramado a procura de um abrigo. Encontrou uma rocha grande no caminho e encostou-se nela e a rocha suspirou. O eremita deu um salto assombrado enquanto a rocha se sacudia pesadamente e se sentava. A expressão de horror se espalhou pelo seu rosto ao ver que se encontrava diante de um gigantesco dragão vermelho.
Todas as lendas antigas diziam que esses seres diabólicos haviam sido extintos pelas mãos de caçadores destemidos, mas aparentemente nem todas elas eram verdadeiras.
- Não se assombre, caro humano - disse o dragão com voz de trovão - É bem verdade que já faz dias que não como, mas necessito mais de um amigo do que de alimento - ele soltou uma risada calorosa e soltou fumaça pelas narinas.
O eremita não sabia como proceder naquela situação. Ele não portava nenhuma arma e certamente nada que carregasse seria eficiente contra aquele monstro enorme. Tentou a diplomacia, a exemplo do gigante diante de si:
- Eu não quis ofendê-lo, nobre dragão - sua voz soou mais trêmula do que gostaria.
- Você não ofendeu, bravo eremita. Sente-se, por favor, e me diga seu nome - pediu o dragão educadamente.
O homem muito relutante sentou-se diante dele e respondeu:
- Me chamo Rufus.
- Rufus, o Ruivo - disse o dragão observando a cabeleira vermelha do viajante. - Vejo que temos algo em comum.
- Vejo que conhece o latim - o homem falou tentando se manter à vontade.
- Certamente que sim, é uma língua antiga, assim como eu - o dragão cuspiu uma bola de fogo no meio dos dois e uma fogueira prontamente se materializou, seus olhos cor de sangue faiscaram - Não costumo dialogar com homens, a maioria deles tenta me matar antes que eu diga qualquer palavra, você foi diferente, amigo solitário, por isso quero propor um desafio.
O eremita se enrijeceu e teve um mau pressentimento, não respondeu e o dragão prosseguiu:
- Você terá que responder três enigmas, se obtiver sucesso lhe darei meu tesouro, se fracassar terá que ficar comigo pelo resto de seus dias - ele esperou a resposta, lambendo os lábios grotescos e exibindo seus dentes afiados.
O homem pôs-se a pensar na oferta.

EM BREVE - PARTE 2

Sr. Urso

| quarta-feira, 13 de outubro de 2010




Quer conhecer esse simpático ursinho?
Não








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E sim, foi eu que fiz esse desenho, por isso não está grande coisa, hehe.

Meu mundo inteiro

| domingo, 10 de outubro de 2010
Na beira da praia eu construo um castelo de areia, quero moldar o castelo mais belo para você, minha princesa. Uma fortaleza edificada com blocos de felicidade unidos pelo amor e carinho. A torre mais alta, logo ao lado da estrela mais brilhante será nosso recanto, nosso refúgio desse mundo decadente. Naquela torre nos amaremos e espalharemos nosso sentimento por todo o mar e os ventos e as ondas levarão nossa história que será contada em cada canto.
A história de dois amantes que não precisavam de nada além de um do outro. Dois amantes que se cobriram com o manto do amor e sopravam beijos às estrelas, dando-as mais brilho.
Aos poucos eu ergo esse castelo-abrigo, como foi aos poucos que abriste passagem pelos espinhos e entraste em meu coração. Não sei explicar como teu encanto me tirou de dentro de mim e me carregou pelo ar até repousar-me sobre teu travesseiro de devoção. Aos poucos a paixão fez morada aqui dentro e agora que me habita já não sou mais o mesmo.
De todas as canções já feitas por espíritos apaixonados e almas românticas, nenhuma delas seria capaz de descrever aquilo que possuo em meu interior. Peço que a brisa leve assopre a melodia ideal, peço às cortinas diáfanas de luz do sol que me dêem poesia, peço às cores do arco-íris que me emprestem sua inspiração de surgir após uma tempestade, com isso tento fazer a canção perfeita a seu coração e sob a luz sedutora da lua, escrevo em minha mente os versos que só rimam com você.
Você, que trouxe felicidade em doses certas, que surgiu quando eu mais precisava me sentir vivo. Você, o ar que me faz respirar, a voz que desemudece meu silêncio. Você, meu alicerce, meu castelo, meu mundo inteiro.

As águas mansas se derramam por toda a beira da praia, indo e vindo conforme a vontade do vento. O dia se vai, a noite chega sorrateira, pedindo licença para espalhar seu véu azul-marinho pelo mundo e meu castelo incompleto me lança um olhar intrigado...
E você vem dançando como folha no outono, desabrochando seu sorriso lindo de primavera, me iluminando como o sol de verão e atraindo meu olhar como neve no inverno. Seu abraço me aquece, seu beijo me traz de volta ao chão.
- O que está fazendo? - você me pergunta quase cantarolando as palavras.
- Eu queria construir um castelo para nós - eu respondi, me constrangendo pelo absurdo que a ideia transmitia.
Você me sorriu, pegou um punhado de areia nas mãos e disse:
- Se o castelo é nosso, nada mais justo do que eu o ajudar a construí-lo. Vamos, não me deixe com todo o trabalho pesado...
- Meu castelo é você, onde sou rei e tenho minha rainha.
Você soltou uma gargalhada que até mesmo o sopro da brisa cessou para ouvir.
- Ora, tolinho, não posso ser um castelo e uma rainha, você terá que escolher.
- Você é meu amor, não há escolha mais certa. - eu respondi.
- Muito bem então, meu amor, saiba que seu castelo já está feito em meu coração.
Eu sorri, te beijei e de mãos dadas e corações colados, deixamos o monte de areia bagunçado e voltamos para casa.

Sexto texto em homenagem aos blogs, o Meu mundo inteiro é o blog da Thiara Ribeiro, espero que acolha a homenagem e que todos tenham gostado.

Desempacotando o remorso

| sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Para você que não se lembra mais de mim.

Estou aqui remexendo as velhas lembranças que guardei dentro de uma caixa com a etiqueta "para esquecer" e tentando encontrar as palavras para lhe dizer o quanto sinto muito e que por mais que eu tente, eu jamais esquecerei o que vivemos juntos e até mesmo as recordações que não tivemos.
Você era o que eu precisava, me trouxe paz e carinho quando todos haviam me deixado de lado e me colocado na mesma caixa de onde eu te tiro, mas você veio no momento errado. Eu estava demasiadamente danificado, como um equipamento que perdera as peças principais. Apesar de toda a sua calma e disposição, a solidão ainda fazia morada aqui dentro enquanto construía uma fortaleza em volta de mim, repelindo a todos que tentassem se aproximar... talvez eu mesmo tenha me colocado naquela caixa, talvez tenham lançado cordas ou bombas tentando ultrapassar ou destruir a minha barreira, mas o fracasso de todos venceu e o egoísmo gargalhava sobre a torre mais alta.
Eu sei que todas essas palavras soltas e desconexas não serão o suficiente para que você entenda o que eu estava vivendo naquele momento, eu nem espero que você esteja disposta a entender, mas eu precisava dizer que me arrependi por não enxergar o raio de sol que me era dado de presente. Não peço nada além do seu silêncio, que é o que mereço e o que terei. Não pude colorir os seus dias, não pude dar sabor às suas noites e saber que tive a oportunidade de ter feito tudo isso me machuca de dentro pra fora, como se a dor possuísse uma faca e com ela apunhalasse o meu coração que chora.
Você deve estar se perguntando o motivo de eu estar escrevendo isto depois de tanto tempo. É que eu te vi passar na rua há alguns dias. Mudei de calçada assim que vi você caminhando e sacudindo aquele sorriso calmo no rosto. Você não me notou, ultimamente me visto com o casaco da insignificância e sou apenas mais um rosto mascarado na multidão, patético e desinteressante, mas você está bem, está radiante como nos dias mais felizes que tivemos.
Toda essa sua alegria deve ter um nome, não que eu queira me intrometer e acho que já estou falando até demais. Vou parar por aqui, espero que receba esta carta e o meu sincero pedido de desculpas. Não quis parecer inconveniente surgindo como uma sombra saída do seu passado, mas o passado da gente está sempre lá atrás e às vezes ele volta para nos assombrar.
A única palavra que cabe aqui agora é "adeus".

Daquele que não merece ser lembrado.

Pauta para Bloínques

Três amores e uma guerra - Parte 5 (Final)

| quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4

Cartas

(...) o adeus que eu nunca disse vem a ti por essas linhas tristes. A vida é uma estrada a qual não vemos o fim, nem sabemos o que a curva logo a frente guarda para nós, mas em uma dessas curvas eu encontrei você e meus passos nessa estrada se tornaram mais leves e felizes, você trouxe amor e carinho para mim, trouxe dedicação e se entregou completamente. Eu queria que tudo tivesse sido diferente, queria que você nunca tivesse que ler essa carta e nem sofrer pela minha falta... Eu espero que você entenda que nem tudo acontece da maneira com que queremos e que devemos sempre nos despedir das pessoas com um sorriso no rosto e uma palavra de carinho, pois pode ser que aquela seja a última vez que a veremos, não guarde remorsos por qualquer coisa, apenas se lembre de como eu era feliz quando estava contigo, lembre-se do meu sorriso e do som da minha voz e assim você me manterá vivo, dentro de você...

Cameron ergueu os olhos molhados para o homem que lhe entregara a carta, desde aquela manhã em que estivera na casa dos pais de Oliver e recebera a notícia de sua morte ela sentia como se tivessem feito um buraco em seu ser e aquele espaço jamais seria preenchido novamente, ela perdera seu chão. Sentia dor, falta de ar e o peso de uma culpa que não era dela. As palavras de seu amado a trouxeram um pouco de paz e ela sabia que enquanto vivesse ele viveria através dela, em cada batida de seu coração.

(...) não me arrependo do que vivi, do que disse e do fiz enquanto estive com você. Eu me arrependo de não ter te amado mais, de não ter te dito a cada segundo que você era a mulher feita para mim, de não ter te beijado a cada minuto de nosso tempo juntos. Por meio destas palavras duras e cruéis eu venho lhe dizer que meu futuro sempre te pertenceu, venho compartilhar um pouco mais do meu amor que de tão grande não cabe nessas linhas. Nenhum de nós jamais esperou por esse golpe cruel do destino, jamais esperávamos ser separados dessa maneira, mas eu quero que você siga sua vida, não fique presa em um passado ou em suposições do que teria sido se eu estivesse ao seu lado. Eu quero que você saiba que os dias mais coloridos e incríveis da minha vida foram aqueles em que meus braços estiveram em volta de ti e que meus lábios se encontraram com os seus. Eu não tive uma segunda chance, uma chance de voltar e continuar a nossa história, mas você tem a chance de fazer isso e quero que o faça, por mim. Viva, seja feliz, ame e saiba que em qualquer lugar em que eu estiver, estarei olhando por você e contemplando seu sorriso lindo...

A moça manteve a cabeça baixa enquanto o papel se manchava com as lágrimas que despencavam de seu queixo. Suas mãos tremiam e sua cabeça girava por saber que jamais o veria outra vez.
- Ele pediu para eu te dizer que ele sente muito - ela ergueu os olhos para o homem - Eu estou vivo por causa dele, ele foi um verdadeiro herói - ele falou encarando os olhos marejados dela e se sobressaltou quando ela o abraçou com força e chorou em seu ombro.

Reencontro

O soldado se despediu das moças, sentindo a dor que sentiam e imaginou como seria se alguém entregasse a sua carta a sua amada, mas assim que a viu, com aquele sorriso largo, esse pensamento desapareceu e ele correu ao encontro dela.
- Eu não sei o que faria se você não tivesse voltado - ela o abraçou com os olhos cheios de lágrimas.
- Eu prometi que voltaria, não foi? - ele segurou o rosto delas com as duas mãos, o observou por um momento, como se quisesse gravar essa imagem e lhe beijou como se fosse o último beijo. - Onde ele está?
A moça fez um gesto e uma senhora se aproximou carregando um lindo bebê nos braços.
- O Júnior é teimoso como o pai - Terri disse sorrindo.
Brandon tomou seu filho nos braços, sorrindo entre lágrimas, como se a felicidade fosse se derramar de seu corpo, o beijou delicadamente e abraçou sua mulher. Ele estava de volta para sua família e ali era o lugar de onde nunca mais sairia.

Finalmente o fim, espero que tenham gostado de mais esse conto. Se o casal pelo qual você torceu não teve um final feliz, eu espero que tenha aprovado o final que eu escolhi. Confesso que quando comecei a escrever eu ainda não sabia qual deles retornaria, analisei cada caso e escolhi o que achei que merecia mais, não que os outros não merecessem... ah, vocês entenderam. Abraços.

Página 27

| segunda-feira, 4 de outubro de 2010



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Doce nostalgia

| sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Quando abro o velho álbum de fotografias desperto aquela sensação adormecida dentro de mim, que escorre pelos poros e me envolve da cabeças aos pés. Sorrisos guardados em cada foto me remetem a tempos que não voltam mais, tempos de união, de alegria, de momentos únicos e inesquecíveis.
Posso ouvir os risos sufocados pelas paredes que o esquecimento construiu durante os anos, posso escutar a melodia das músicas que tocavam, como um som distante, mas que meus ouvidos jamais deixarão de reconhecer, posso sentir o cheiro se desfazendo no ar e fugindo de volta ao passado a qual pertence.
Cada detalhe, marca e pessoa foram registrados ali. Alguns sorrisos não existem mais, algumas músicas deixaram de tocar, algumas pessoas se foram para longe, outras se foram por completo. Algumas histórias e sensações foram esquecidas ou abafadas pelos momentos presentes. Sonhos antigos que não se realizaram acenam em imagens, sonhos mortos, sonhos ultrapassados.
Essa doce nostalgia que se espalha pelo meu corpo feito um cobertor num dia frio, me rouba sorrisos incontidos, me dá as mãos e me arrasta para as lembranças daqueles tempos que podem não ter sido tão antigos, mas que ficaram para trás.
Vejo mudanças, vejo transformação. Vejo uma pessoa que eu fui, vejo pessoas que eu tinha ao redor e que deram lugar a outras, ou foram elas que deram o meu lugar a outro alguém? Enquanto me deleito em memórias empoeiradas do baú do tempo, a saudade se aproxima de mansinho e joga seus braços sobre mim e apenas fica ali, enroscada ao meu lado.
Confesso que chega a bater uma tristeza por ver que muita coisa não me acompanhou até o hoje e isso me leva a pensar que daqui há alguns anos eu estarei olhando as fotografias do meu presente, abraçado à nostalgia e com a saudade me fazendo cafuné.
Não sei quantas pessoas do meu presente me acompanharão, não sei quantas se tornarão apenas rostos sorridentes, não sei quantas se lembrarão de mim e sentirão saudade de me ter por perto, não sei de nenhuma dessas coisas, mas eu sei que isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde.
A gente não possui uma mala onde pode carregar a todos por perto o tempo todo, mas temos um coração que recebe as pessoas por um período indeterminado, alguns saltam durante o trajeto, outros se afastam e se tornam conhecidos de mensagens de aniversário e outros, bem poucos, permanecem em nosso coração.
Eu não quero esquecer do sabor dos sorrisos que tenho hoje, não quero me esquecer das vozes e risadas que me cercam, não quero me afogar no mar do esquecimento, não quero ser um rosto numa foto de alguém que ficou para trás. Eu quero manter a todos que me importam sempre perto de mim, quero vê-los, ouvi-los e saber que eles estão e sempre estarão ali.
Uma foto a gente guarda, lembranças a gente coleciona e pessoas o coração acolhe. Uma foto pode se perder, uma lembrança pode se apagar, mas aquilo que no coração repousa, é eterno, não sai mais.

Quinto texto em homenagem aos blogs, o Doce nostalgia é o blog da Francilene Suri, espero que não tenha se importado de eu ter usado o nome do seu blog.
Pessoal para melhor visualização do novo layout, usem o Google Chrome. Abraços.
 

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