Keblinger

Keblinger

Três amores e uma guerra - Parte 4

| quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1, Parte 2 e Parte 3

Os dois soldados caminhavam por entre as cinzas e pelos campos destruídos, agarrados ao desejo de viver e voltar para casa. Tudo ao redor era puro caos. O ar cheirava a medo e morte, o vento soprava gemidos agonizantes e ameaças terríveis. Nenhum local era seguro o suficiente.
As tropas inimigas estavam quase todas abatidas, mas havia alguns poucos homens vagando em busca de vingança. É essa a moeda vigente da guerra, a vingança, a vontade de causar dor naqueles que lhe fizeram mal.
A necessidade de se manter alerta nem os deu a chance de sentirem a perda do colega que ficara para trás, uma vida perdida e esquecida como tantas outras, uma história inacabada.
O sol se ergueu vermelho no céu, as nuvens rubras como reflexo do sangue derramado em batalha pintavam o céu do alvorecer de mais um dia imprevisível. Ao longe bombas ecoavam à guisa de "bom dia". Sons de disparos de armas automáticas e de variados calibres estouravam no ar. A terra tremia ao peso de tanques gigantescos e dos corpos tombando sem vida.
Caos, morte, destruição. A guerra não suporta adjetivos felizes. Vitória? Será que existe vitória alguma em uma guerra? A morte de tantos por uma causa banal é motivo de vitória? Não há explicações ou argumentos cabíveis para descrever esse horror que o homem criou.
Enfurnados em um abrigo mal feito, os dois soldados tentam repousar um pouco, mas a má sorte estava em seu encalço e um grupo de quatro homens os cercaram. Com as armas em punho, atiraram para matar. Derrubaram três e o quarto inimigo, vestindo um olhar de ódio, mirou no peito de um dos soldados e disparou... o outro se lançou à frente do colega e recebeu a bala em seu lugar, caiu imóvel no chão enquanto o outro disparava contra o homem, tirando sua vida.
O soldado caído, gemendo e tentando se manter consciente, puxou as duas cartas do bolso e as entregou ao que sobrevivera.
- Diga a ela... que, que eu... eu sinto muito... - ele balbuciou cuspindo sangue e deu seu último suspiro.
O soldado sozinho urrou de raiva e dor. As lágrimas desenharam riscos grossos em seu rosto sujo e ele encarou o nada, pronto para a próxima batalha.

Flashback

Cameron e Oliver se conheceram através de um amigo em comum, a amizade entre os dois fluiu de maneira suave, como se pertencessem à vida um do outro desde sempre. O próximo passo não demorou a acontecer, o primeiro beijo roubado foi a fagulha que acendeu a chama da paixão. Em pouco tempo estavam namorando.
O temperamento exigente de Cameron proporcionou ao casal dias intensos de brigas e discussões, Oliver sempre tentava manter as coisas na paz e não criar confusão, mas a garota tinha vocação para encontrar problema onde não existia, mas apesar dos momentos de crise, das separações de pirraça, o amor os unia outra vez. E assim estavam juntos há um ano, entre gritos e beijos, mas com amor e desejo de estarem juntos.

EM BREVE - PARTE 5 (FINAL)

Três amores e uma guerra - Parte 3

| segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1 e a Parte 2

Emily mantinha os olhos fixos no anel toda manhã, antes de se levantar da cama. Ainda no quarto meio escuro alisava a superfície lisa envolta de seu dedo e seus pensamentos buscavam seu amor. Ela orava para que Greg estivesse vivo e que voltasse em segurança para seus braços para que pudessem construir uma vida juntos, a vida que tanto sonhavam.
Desde que ele partira para a guerra e não mandara notícias, o desespero e a saudade martelavam seu coração com pregos de tristeza que faziam sangrar lágrimas de dor. Ela precisava dele ao seu lado, precisava de sua presença e de sua voz dizendo que tudo estava bem e que assim ficaria. Ela não suportaria viver uma vida sem que ele fizesse parte.

Terri sentia o bebê se mover em seu ventre e aquilo remetia a lembranças de quando Brandon ainda estava ali, conversando e cantando perto de sua barriga para que seu filho pudesse ouvir. Ele queria tanto ser pai que certamente seria um daqueles super-protetores. A enfermeira estava morando com a mãe desde que seu marido havia partido, há três meses. O bebê já estava quase para nascer e não ter nenhuma notícia boa ou ruim sobre Brandon era sufocante.
Ela se sentia presa com as algemas da impotência que apertavam seus punhos enquanto a incerteza e o medo calavam sua voz. Seu amado prometera voltar pelo filho e essa era uma promessa que não poderia ser quebrada.

Camerom não teve a chance de se despedir de Oliver, soube pelos pais dele que ele havia sido convocado para a guerra e desde então o arrependimento bate a sua porta a cada novo dia e passa o resto da tarde ao lado dela e à noite o remorso e as lágrimas pelas palavras não ditas e pelo adeus não pronunciado se deitam com ela na cama e dividem seu sono turbulento por causa de pesadelos terríveis.
Ela enxergava seu erro e havia percebido que nem tudo deveria ser feito à sua maneira e ela apenas rezava para não ter aberto os olhos para realidade tarde demais. Ela pedia forças para poder passar pelos dias silenciosos e sem notícias de seu amor.

Houve uma manhã cinzenta nas três cidades onde cada uma morava. Nuvens negras cobriam o céu e os trovões rugiam no desconhecido. Nessa manhã uma delas recebeu a visita de um homem uniformizado e sua visita era sinal de que ela não tinha que esperar mais pela volta de seu amado. Esse homem de feições rígidas e coração duro sibilou um "eu sinto muito" e foi embora, enquanto a dor a rasgava por dentro e as lágrimas jorravam incessantes.

Flashback

Emily e Greg vinham de famílias abastadas e influentes e era de costume entre eles organizarem festas ou, pelo menos, ter seu sobrenome como destaque entre os colaboradores. Em uma dessas festas, onde os mais velhos procuravam fazer negócios, os mais jovens iam em busca de diversão. Greg estava elegantemente vestido em um terno extremamente caro quando uma moça desajeitada, dentro de um vestido estonteante, derrubou uma taça de vinho sobre ele. Foi assim que os dois se conheceram e o brilho nos olhos de cada um indicava que aquela não era uma simples história de contos de fadas que dura uma noite só, o amor que nasceu naqueles corações era para a vida toda.

EM BREVE - PARTE 4

Pessoal, o Contos Franqueados tem uma vaga disponível para um contista, quem se interessar me avisa, é para escrever um conto a cada 9 dias.

O casarão abandonado

| sábado, 25 de setembro de 2010

Quer visitar esse casarão comigo?
Não




Clique em sim para ver meu terceiro texto no Contos Franqueados.

Temos uma vaga de contista no blog, se alguém tiver interesse em
participar, entre em contato comigo ou com o Cristiano

Brincando de verdade

| quinta-feira, 23 de setembro de 2010
♪ (...) I don't ever wanna lose this feeling
I don't wanna spend a moment apart
'Cos you bring out the best in me, like no-one else can do
That's why I'm by your side, and that's why I love you... ♫
Best in me - Blue

V.

Não digo que me apaixonei por você à primeira vista, pois não acredito nesse tipo de coisa, mas com o passar do tempo algo em você foi me viciando de uma tal maneira que eu não conseguia ficar longe de ti, eu precisava de sua presença, como uma dependência química que eu não controlava. Nós ríamos juntos, cantávamos, pulávamos, dançávamos, mas eu sentia que aquilo não era o suficiente, eu queria toque, pele, calor...
Foi então que percebi que devia fazer a voz do coração falar, mas não sabia como fazer isso, sendo que a timidez e o receio sufocam minha voz. Decidi que deveria fazer isso da maneira que me era possível... eu sempre fui muito sincero e muitas das verdades que disse vieram através de brincadeiras que as tornaram mais amenas, mas que nem por isso perderam o teor de honestidade. Era essa a maneira que eu chegaria até você, brincando de verdade.
Entre uma risada incontida ou uma cócega intencional eu soltava uns "desse jeito eu me apaixono", "com esse seu riso eu voo até o céu em um segundo" ou "como que eu posso ganhar um beijo seu, hein?" E você apenas se enrubescia, encolhia os ombros numa pose de embaraço e sorria com o canto da boca.
No primeiro "menino, cuidado que todo esse seu amor pode ser correspondido" eu enxerguei que as minhas declarações sutis estavam surtindo efeito e que você tinha o mesmo receio que o meu e então decidira entrar na brincadeira para ver no que daria. E de palavras lançadas um ao outro, pulamos para abraços mais demorados nas despedidas e beijos no rosto a cada reencontro. E pelo seu toque meio acanhado eu percebia sua insegurança que no meu toque eu tentava esconder.
Fui mais fundo em nossa brincadeira com um "um dia te beijo e se você não gostar você revida" e ao ver seus olhos brilharem num olhar provocante de "duvido", arrisquei. Nosso primeiro beijo foi mais do que apenas o encontro que nossos lábios pediam, ele foi como se tentássemos decifrar o sabor um do outro naquele momento em que tudo ao redor desapareceu.
Brincando de nos apaixonar, a verdade por trás dessa brincadeira surgiu e o amor realmente apareceu para nós. Agora não brincamos mais e as palavras soltas vêm com a mais profunda sinceridade pronunciada pelo coração.
Brinquei de te amar, já amando. Agora sem brincar, te amo, vivendo.

De seu brincalhão,
E.

Quarto texto em homenagem aos blogs, o Brincando de Verdade é o blog da Milla, espero que não ache ruim de eu ter pego emprestado o nome do blog. E espero que tenham gostado de mais esse texto.
Pessoal, devido a problemas de plágio que andam acontecendo com alguns blogs que conheço e por já ter passado por isso também, eu bloqueei o blog, se alguém quiser copiar algo é só me avisar por aqui ou entrando em contato via e-mail ou twitter. Abraços.

Três amores e uma guerra - Parte 2

| segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1

O céu estava escuro e manchado pela fumaça das explosões. No chão esburacado por granadas e minas, os soldados corriam desesperados, gritando e atirando. Numa barricada improvisada três homens se escondiam da frente inimiga que avançava.
Naquele ambiente hostil e fulminado pelo ódio, as vidas desses três homens se cruzaram. Um laço de fraternidade se criou no intuito de permanecerem vivos. Durante o fim da tarde, tiveram a sorte de escapar de uma emboscada e se refugiaram nas trincheiras de um campo árido.
Nenhum deles queria estar ali, tirando vidas de estranhos para manter a própria.
A guerra é um palco sujo onde os atores são obrigados a matar ou morrer, não há meio termo, não há tempo de pensar duas vezes... é mirar e atirar.
Os três passaram a noite no abrigo encontrado e revezavam o posto de ficar de guarda, mas a verdade é que nenhum deles conseguiu dormir com o som dos bombardeios à distância.
Eles compartilharam suas histórias e seus motivos para retornar. Cada um possuia uma história inacabada que pedia um final feliz, mas naquele lugar era praticamente impossível encontrar felicidade, só o que viam era desgraça, mortes e destruição e isso fazia o peito arder de desejo de voltar para casa enquanto a saudade machucava mais que projéteis.
Antes de irem para a batalha, cada soldado escrevia uma carta de despedida para quem deixou, caso não retornassem vivos, mas nenhum queria que essa carta fosse entregue.
Na madrugada daquele dia, um grupo inimigo atingiu o local onde estavam e houve um confronto rápido e sangrento.
Os guerreiros comemoraram a vitória até notarem que um dos seus havia sido ferido gravemente.
Permaneceram com ele por cerca de uma hora, usando os recuros precários para mantê-lo vivo, mas o ferimento fora muito profundo e ele não resistiu. Foi aí que perceberam que em uma guerra, nunca existe um lado vencedor.
Um dos que restaram apanhou a carta que o companheiro abatido levava e disse que a entregaria a quem ela se destinava.

Flashback

Brandon era atendente no hospital e em um dos seus plantões noturnos foi chamado às pressas ao quarto de um paciente que estava tendo um ataque cardíaco. Ele fez o procedimento de ressuscitamento com a ajuda de uma enfermeira e conseguiram estabilizar o paciente.
Dias depois, ele convida essa mesma enfermeira para sair e ela aceita. A química perfeita entre os dois os mantiveram unidos, além do amor que surgiu.
O casamento aconteceu dois anos e meio depois e em dois meses souberam que seriam pais.

EM BREVE - PARTE 3

Menina bordada

| sábado, 18 de setembro de 2010
Do meu cantinho eu sempre a vejo encostada na janela contemplando o céu estrelado. Seus traços suaves e sua expressão sorridente foram as coisas que me cativaram de imediato. A garota brincava com ela todo dia e o dia todo, mas sempre que chegava a noite e o sol se deitava para dormir ela a colocava no mesmo lugar de sempre, ao alcance de minha vista.
A menina boneca, de pano, bordada, nunca piscava ou deixava de olhar o céu escuro. Ela nunca olhou em minha direção. A menina bordada, com seu vestidinho rosado costurou em mim seu encanto com uma linha que ninguém mais consegue cortar ou arrebentar.
Minha vida aqui era vazia sem sua presença. Minha vida era sem sentido até sua chegada. Ah, menina de pano, macia. Joga teus braços leves sobre mim e me arranca suspiros. Ela não me ouve, ela está longe.
Lá da janela ela vê o mundo, tudo mais interessante do que eu.
Eu estou na prateleira no canto do quarto. Um urso marrom de nariz preto. Um urso de pelúcia que foi esquecido pela garota crescida, ignorado pelos outros ursos e fisgado pelas linhas dos contornos da face da menina boneca de pano.
A luz da lua atravessa o vidro e ilumina o rosto encantador da boneca repousada suavemente na janela. Ela sacode os cabelos trançados e empina o nariz de um jeito que me arrepia de emoção. Ela ameaça olhar para os lados, mas as estrelas sempre tomam sua atenção.
E a noite vira dia, as estrelas desaparecem e eu perco de vista a minha imagem de contemplação. Passo o dia esperando a noite chegar para poder vê-la novamente.
Naquele dia a menina já moça brincara com a boneca sem parar e exausta esbarrou na prateleira onde me encontro, o baque foi brusco e não pude me segurar, despenquei e caí sobre o tapete.
Senti a mão da menina me pegando e me levando a um local diferente. Ela me moveria, isso não pode acontecer. Vou perder a estrela da minha noite.

Anoiteceu.
Quando dei por mim estava diante da janela fria, ouvindo a respiração do vento e assistindo a dança das estrelas. Olhei para o lado e lá estava ela, tão perto, tão... tão linda.
- Eu me perguntava quando teria a honra de conhecê-la, Menina Boneca. - eu disse a ela com a voz boba de um ser apaixonado.
- Bem que você poderia ter se atirado ao chão antes, Sr. Urso. - ela sorriu para mim com as bochechas coradas. - Toda noite vejo o mundo lá fora e me sinto sozinha, eu não ousava olhar para ti para não sentir a tristeza e enxergar a distância que existia entre nós.
- Eu estou perto agora, Menina Boneca. E espero que essa noite demore muito para acabar. Eu sempre imaginava como seriam as estrelas e a lua, mas percebo agora que nada é mais deslumbrante que seu sorriso meigo.

A menina boneca sorriu e atirou os braços em volta do urso marrom e as estrelas se tornaram platéia do amor que nasceu.

Terceiro texto em homenagem aos blogs. O Menina Bordada é o blog da Thammy. Desculpe se se sentir ofendida por eu ter usado o nome do blog. Espero que tenham gostado do textinho.

Desafio dos Sete

| sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A Nathalie do Que seja doce me passou o seguinte desafio. Tenho que responder as coisas listadas e indicar mais sete pessoas.

7 coisas que tenho que fazer antes de morrer:
Conhecer Fernando de Noronha (meu sonho)
Visitar vários países
Aprender a falar francês e italiano
Ler todos os livros que quero (nunca vou morrer se depender disso, haha)
Publicar um livro
Ir num show do James Morrison
Pular de para-quedas

7 coisas que mais digo:
"Really?"
"C'mom"
"Né?!"
"Por que você faz isso comigo?"
"Me respeita!"
"Parece que eu tô com fome..."
"O que é que tá pegando?!" (esse é muito utilizado para os meus cachorros, rs)

7 coisas que faço bem:
Escrever
Brigadeiro
Os outros rirem
Dançar (me achei nesse, hehe)
Conversar
Falar inglês
Gastar

7 defeitos meus:
Sem paciência (não impaciente)
Intolerante (às vezes)
Egoísta (às vezes)
Preguiçoso
Perfeccionista
Exigente
Direto (às vezes pode ser um defeito)

7 coisas que eu amo:
Meus amigos
Minha família
Meus cachorros
Seriados
Música
Cinema
Viagens

7 qualidades:
Extrovertido
Simpático
Sincero
Educado
Fiel
Engraçado
Amigo

7 pessoas pra fazer o jogo dos 7:

É isso!

Entre irmãos

| quinta-feira, 16 de setembro de 2010


Quer descobrir o que o amor fraterno é capaz de fazer?
Não




Clique em sim para ver meu segundo texto no Contos Franqueados.

Três amores e uma guerra - Parte 1

| segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Emily e Greg estavam no píer, assistindo o pôr-de-sol de verão, assim como faziam em todas as tardes de domingo. Eles estavam juntos há dois anos.
Ela era uma garota linda, aspirante a cantora e ele um estudante de engenharia. Os dois se conheceram em um baile de gala ao qual a família de ambos havia sido colaboradoras.
O sol de fim de tarde ameaçava se esconder no horizonte, enquanto seus raios enfraquecidos ainda acariciavam as cidades.
- A carta de convocação chegou - ele disse olhando para o mar.
A guerra estava no auge e a maioria dos homens aptos a combater eram levados à campo.
Os olhos dela marejaram.
- Eu vou voltar, eu prometo - ele disse e tirou uma caixinha do bolso. - Diga que sim, que vai me esperar e quando eu chegar nos casamos. - ele retirou um anel.
Ela deu um sorriso banhado de lágrimas e acenou com a cabeça.
Ele colocou o anel no dedo dela.

Brandon e Terri estavam esperando seu primeiro filho. Ela estava grávida de quatro meses.
Ela era enfermeira e ele cursava medicina, se conheceram no hospital onde ambos trabalhavam. Quando souberam da gravidez, suas vidas se encheram de alegria, uma criança seria o que traria paz para aquele mundo caótico em que viviam.
- O que chegou pelo correio? - ela perguntou assim que viu o olhar aturdido dele.
- Eles me chamaram - ele disse e ela despencou no sofá.
- Você tem que recusar, eles não pode... nós vamos...
- Calma, meu amor, vai dar tudo certo. A guerra está quase acabando, eu voltarei para você - ele a consolou.
O bebê deu um chute de protesto dentro da barriga.
- O papai vai voltar por você - ele acariciou a barriga de sua amada.

Cameron e Oliver, entre idas e vindas, estavam juntos há um ano. O casal tinha seus conflitos, suas brigas que muitas vezes acabavam em rompimentos, mas apesar de tudo o amor sempre os manteve unidos.
Ela esperava demais dele e ele nem sempre correspondia as expectativas dela e isso era um dos grandes motivos de crises.
- Eu não aguento mais ter você desse jeito, você nunca liga para mim - ela começou.
- Eu sempre faço tudo para te agradar...
- Você só pode estar brincando. Para mim já chega, não vou ficar aqui ouvindo as suas mentiras. - ela disse, saiu e bateu a porta.
Oliver ficou sozinho na sala, encarou a carta sobre a mesinha de centro e desejou que sua namorada estivesse ali para lhe fazer companhia, pelo menos nos últimos dias antes de sua partida para a guerra.

Os três casais estão separados por milhares de quilômetros de distância. Nunca se viram. A guerra vai conectar, de alguma forma, essas três histórias.
Três homens lutando por suas vidas nos campos de batalha. Três mulheres em uma espera angustiante pelo retorno de seus amados. O que eles não sabem é que somente um dos três soldados voltará vivo para casa.

EM BREVE - PARTE 2

Façam suas apostas sobre qual dos três vai voltar. Qual dessas histórias merece um final feliz? Com qual você se identificou mais?
Tem post novo no Debaixo do pé de açaí. A história de quando eu quase pus fogo na casa.

O amor uniu

| sábado, 11 de setembro de 2010
♪ (...) Count the days til I can see the side
of you walking toward me dressed in white
All of our friends and our families too
Count the moments til we say "I do"... ♫
Count the days - Ernie Halter

ELE

Não sei por onde começo a contar sobre como me apaixonei por ela. Não sei se foi seu sorriso lindo ou sua voz suave que me atraiu primeiro, não sei se foram seus olhos brilhantes e cheios de vida que prenderam minha atenção, eu apenas sei que no momento em que a vi, senti uma fisgada na barriga e meu coração pulsou de uma maneira diferente. Foi então que eu soube que era ela. A garota com quem eu me casaria.
Pode parecer exagero da minha parte dizer isso, mas só quem sente o que senti, na intensidade que eu senti pode me entender. Foi como se o amor se materializasse diante de mim. Aquele amor que todos falam, cantam, escrevem e sonham. O amor me escolheu.
Eu passei a acreditar em almas gêmeas depois que a conheci, pois vejo a minha alma refletida nos olhos dela, como se suas pupilas guardassem outra parte do meu eu que jamais ficaria completa sem sua existência.
Todo o amor que eu sinto emana pelos meus poros e escorre pela minha essência. O amor se tornou parte do que sou, quem eu sou e quem me tornarei.
Aquele sentimento que parecia tão distante e apenas pertecente aos filmes mais românticos se mostrou real. Com toda certeza eu digo: Sim, o amor existe. Ele é real e ele é o que rege minha vida.

Parado diante da igreja cheia de gente, espero ansiosamente pelo momento que minha vida se tornaria a vida dela.
As portas se abrem e lá vem ela, vestindo aquele sorriso encantador que irradiava felicidade por todos os cantos. O tapete vermelho parecia não ter fim. Dei alguns passos e o pai dela entregou-a a mim.

ELA

É engraçado como as coisas na vida da gente são repletas de surpresas e acontecimentos inesperados. Ele era um rapaz comum, sem nenhum atributo especial, assim como eu era uma garota normal e sem nada que chamasse atenção. Mas tivemos uma conexão. Nossos corações reconheceram a batida um do outro, como um chamado da paixão para que se encontrassem.
Ele é doce, meigo e atencioso, o tipo de homem que toda mulher sonha encontrar. Ele fala coisas doces ao pé do meu ouvido, me beija delicadamente e me dá carinho. Seu toque eriça minha pele e sua presença é a coisa mais importante que eu tenho. Eu sou dele e ele é meu.
Nossas almas se entrelaçaram em um mundo paralelo que permitiu o surgimento desse amor.
Ah, o amor que ele me dá sacia a fome do meu coração, mata a sede do meu desejo e me faz flutuar. O amor que nos escolheu veio puro e singelo.
Quantas vezes eu suspirei ao ler versos e poemas recheados desse sentimento, várias vezes chorei de emoção em livros e filmes carregados de paixão, mas dessa vez não era ficção. O amor foi bordado em minha vida com a linha da paixão e cada ponto cruz distribuído no tecido de meu coração formou o mais lindo desenho, formou a nossa união.

O tempo parece parar, enquanto tudo acontece em câmera lenta.
Entro na igreja e lá está ele, me esperando no altar. Sinto todos os olhares repousarem sobre mim, mas não escuto som algum e mal sinto minhas pernas caminharem. A felicidade tomou conta de mim e eu me seguro para não me entregar as lágrimas de alegria.
Toco sua mão trêmula ao chegar até ele e me preparo para oficializar nossa vida juntos.

ELE e ELA

Sim, eu aceito.
(E as alianças foram colocadas).

ELES

Nosso amor nasceu como a flor em um campo cheio de erva daninhas, imprevisível, mas com a força para germinar e crescer. O amor que brotou em nosso peito, agora maduro, rendeu frutos que colhemos em uma estação farta e próspera.
O nosso amor é a prova viva de que quando duas almas se encontram, dois corações se transformam em um só e apenas o infinito é o limite aproximadamente comparável ao que sentimos um pelo outro.

Texto escrito para uma amiga que casou. Ela pediu, eu escrevi, hehe.

Coração rejeitado

| quinta-feira, 9 de setembro de 2010
E quando todas as palavras parecem ter sido ditas? E quando somente o silêncio é o que existe entre duas pessoas? O que isso significa? É esse o momento de dizer adeus?
As perguntas passeiam pelo vento feito as folhas dançantes no outono, que mais ou cedo ou mais tarde atingem o chão, ou seja, não tem mais para onde ir. O percurso se completa, a queda fecha o ciclo que começou. As perguntas são barradas por um beco forjado em minha mente. Quem sabe as respostas sejam tão doloridas que eu me recuso a querê-las verdadeiramente? Não são perguntas retóricas, elas exigem respostas que apenas o tempo me dirá, mas o tempo é um indivíduo muito ambíguo, relativo e ilógico. Ele se dá ao luxo de ter seu próprio tempo e de chegar quando bem entender, é uma pena, pois preciso de respostas agora, não posso ficar atado aos caprichos de alguém que talvez não me ajudará.
Se tudo já foi dito como eu ainda espero uma solução para os problemas que nossa relação trouxe? É, eu te amei, me entreguei a esse amor, de olhos vendados pela paixão. Você me aceitou, me iludiu, acariciou meu coração por um tempo e depois o atirou na primeira lixeira que encontrou, mas sabe que ele, sozinho, abandonado e carente, ainda chorou por você e desejou tê-la de volta. Nenhum coração é tolo o bastante até que aprenda a amar e nenhum dos seus batimentos fazem sentido ao menos que ele padeça dessa tolice.
E o que você me disse quando partiu e me deixou afogado em minha solidão venenosa? Nada, não é? Você não proferiu nenhuma palavra, nem ao menos me deu motivos para rasgar meu peito. Às vezes eu acho que diante de tudo o que aconteceu, as respostas estejam bem nítidas na minha frente, embora eu ainda insista em ignorá-las.
Eu soube que você tem outro alguém. Foi difícil aceitar isso e o ferimento que começava a cicatrizar se abriu novamente, mas sabe de uma coisa, foi até bom, hoje vejo vocês dois naquele banco, juntos, sorrindo, se beijando. Espero realmente que ele te faça feliz e que não seja apenas mais uma vítima de sua armadilha cruel de despedaçar corações.
Essa é a última vez que vejo vocês. Corri até o fim da praça e lá de longe olhei para trás, dei mais alguns passos e tropecei na resposta para as minhas perguntas e ela me sorriu timidamente e seus olhos se encontraram com os meus. Todo fim traz um novo começo. Era hora de começar novamente.
Meu coração encardido precisava de um banho, afinal, ele precisa estar bem arrumado para o próximo encontro.

Pauta para Bloínquês

O primeiro passo

| terça-feira, 7 de setembro de 2010


Vem dar esse passo comigo?
Não





Clique em sim para ver meu primeiro texto no Contos Franqueados.

Pessoal que me acompanha por aqui, espero vê-los por lá,
seguindo e comentando.

Fases da lua

| domingo, 5 de setembro de 2010
Quase todo mundo sabe que a lua tem quatro fases, digo quase todo mundo porque tem gente que não sabe, acreditem. Há alguns dias eu estava conversando com um amigo compositor/cantor/conhecedor das letras e quem me ensinou o que é estribilho, estávamos falando da lua. É, assunto diferente, eu sei. Ele disse que a lua o inspira, ou será que eu estou inventando isso, enfim... sei que o assunto passou do desinteresse das pessoas pelas coisas da natureza para as fases da lua. Ele me disse que além de reger mares, a lua ainda possui uma influência na nossa vida, nisso eu tive um estalo e passei a pensar no assunto. Eu já tinha ouvido falar que a lua influencia no corte de cabelo, mas na vida da gente, foi a primeira vez, vejamos as nossas conclusões:
Na fase minguante é quando as coisas não estão muito bem, estamos perdendo coisas importantes, deixando de lado alguns problemas, é a fase onde a frustração aparece. Em seguida temos a lua nova, nessa fase as coisas dão um salto positivo, começamos a enxergar as coisas melhores e aparecem oportunidades. Na fase crescente é quando o que foi alcançado na fase "nova" se desenvolve, as melhoras se tornam mais nítidas e, por fim, temos a lua cheia, nela atingimos o ápice das mudanças em nossa vida ou naquela fase em que estamos vivendo.
Bom, não sei realmente se a lua altera ou acrescenta alguma coisa em nosso dia-a-dia, mas se observarmos é bem assim que acontece, no começo vemos um problema que parece sem solução e no fim tudo acaba dando certo, passamos por reviravoltas, momentos de estresse e desespero, nos frustramos, procuramos culpados, blasfemamos, mas no fim as coisas entram nos eixos e a gente se arrepende de ter esperado pelo pior.
A lua tem fases, as pessoas têm também, assim como a vida. Nada é tão perfeito que seja imutável. Mudar faz bem de vez em quando, renovar-se é necessário. Esteja você em que fase estiver, que mingue as desavenças e o sentimentos ruins, que novas coisas boas possam chegar, que cresça as emoções, amor e felicidade e que a vida seja sempre cheia de tudo aquilo que é bom.
Acreditar no próprio potencial é a chave para atingir grandes feitos, afinal, até mesmo a lua fica encoberta por nuvens, mas ela nunca deixa de brilhar.

Mais que palavras

| sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Como se mede o conhecimento de um homem? Como se mede seu talento, sua emoção e sensibilidade? E mais, como se mede seu amor? São questões que giram em minha mente toda vez que repouso minha cabeça no travesseiro, são perguntas que podem não ter respostas ou ainda não estou preparado para tê-las. A gente tem que buscar muita coisa nessa vida ao invés de ficar sentado esperando o trem passar, pois quando percebemos chegamos atrasado na estação e perdemos a viagem.
Sou um homem que conhece o amor através dos olhos alheios e de histórias contadas, não sei se foi a minha essência corrompida ou outra coisa que o afastou de mim, na verdade nem sei ao certo se ele já esteve ao meu lado. Nunca vi corações flutuando ao redor, nem senti um frio na barriga ao pensar em certo alguém. Parece que me fechei para o amor e ele pacientemente bateu à minha porta algumas vezes, mas fingi não ter ninguém em casa e ele se foi. Observei através da cortina da janela enquanto ele se afastava cabisbaixo e decepcionado. Afinal, eu permiti a visita dele ou ele apenas apareceu de repente?
Não entendo o amor por senti-lo ou tê-lo, ouço canções a seu respeito, leio versos que transbordam esse sentimento, mas me pergunto intimamente, será que ele foi feito para mim? O que uma pessoa tem de fazer para merecer o amor? Ele é um prêmio ou a conquista de uma batalha? Como pode uma palavra de apenas quatro letras conduzir devaneios e pensamentos tão distintos? Como pode essa mesma palavra ter tanto poder?
Acredito que mesmo que todas as palavras sejam usadas para descrevê-lo, ainda não seria o suficiente para dizer tudo a seu respeito. O amor não foi feito para viver preso entre vírgulas e pontos finais, ele existe para ser vivido, sentido, pulsado pelas veias e recebido pela alma.
Ao falar nele, sinto meu coração sorrir dentro do peito, logo percebo que não sou tão fechado assim. Prometo que na próxima vez que ouvir uma batida na porta, atenderei sem hesitação, só espero que essa nova visita não demore.
É preciso mais que palavras para falar sobre ele e muito mais vontade para possuí-lo.

O amor não vive em jaulas,
não perambula em vales hostis.
O amor paira no céu ameno
e habita campos coloridos.
Ele adocica o mais amargo fel
e dá gosto ao que é insípido.
O amor não é o começo, meio e nem fim,
ele é o todo... é o infinito.

Segundo texto (fictício) em homenagem aos blogs. O Mais que palavras é o blog da Rebeca Amaral. Espero não ter sido invasivo usando o nome do blog. O primeiro texto foi muito bem aceito e espero que tenham gostado desse.

Após sua partida

| quarta-feira, 1 de setembro de 2010
♪ (...) And it sure feels fine
When the sunshine shines
It warms your skin
And your soul within
And the birds sing
Doo-Doo-Doo... ♫
And The Birds Sing - Tyrone Wells

Você caminhou por aquela porta dizendo que não voltaria, naquele momento você despedaçou meu coração e deixou seus cacos espalhados pelo chão. Vi sua silhueta cortando a noite e se afastando de mim. Apanhei cada pedacinho do que sobrou de minha dignidade e mesmo com lágrimas grossas e quentes me pus de pé e me fiz a promessa de voltar a ser quem eu era.
Os dias foram agonizantes após sua partida. Era como se tivessem feito um buraco no meu corpo que jamais seria preenchido novamente... mas aos poucos essa ferida foi se fechando e o que restou foi apenas uma marca do que um dia existiu ali.
Não me perco mais em lembranças doces de sua presença. Não percorro sonhos com você. Não me permito mais sentir sua falta. Sua partida me ensinou que coisas ruins acontecem, sim, mas elas vêm para trazer algo bom, com um significado ainda maior.
Depois de você eu pude descobrir o que é o verdadeiro e puro sentimento dentro de mim, descobri o amor-próprio. Encontrei meu eu assustado, escondido nas entranhas de meu ser e pude ver que estou melhor assim.
Hoje o sol brilha mais, a brisa é mais mansa e o mar lá fora está mais calmo do que nunca, como meu coração, e por falar nele, ele está bem, consegui reunir todos os cacos e juntá-los de volta.
Depois de dois anos sem notícias suas, você me manda essa carta. Ao contrário do que supus que poderia sentir ao ver sua caligrafia no envelope, aquilo só me causou náuseas. Decidi que não leria aquela carta. Seria melhor deixar tudo como estava... ou melhor, como está.
Se viver à sombra de um amor que me machuca é o mesmo que padecer na luz da solidão, prefiro me perder na estrada da incerteza à procura de salvação.
Enquanto isso deixo o sol aquecer minha alma e me deleito na canção dos passarinhos.

Pauta para Bloínquês

Pessoal, fiquei extremamente feliz com o convite do Cristiano Guerra do Oficina Terrosa para fazer parte de um blog de contos. Hoje, ele, eu e a Nini C. do Confusion and Frustration estamos inaugurando o Contos Franqueados, espero ver todos vocês por lá. Teremos postagens a cada três dias.

 

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