Keblinger

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A porta secreta

| sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Atravessei o corredor, a porta do quarto estava fechada, fui torcendo a maçaneta sem fazer ruído e cruzei o portal. Do outro lado da porta me deparei com uma floresta densa e silenciosa, o capacho verde feito grama dizia "aventure-se" e eu dei o primeiro passo naquele mundo.
A porta atrás de mim se fechou silenciosamente, a dúvida ainda pairava sobre mim, como uma nuvem cinzenta atrapalhando o caminho do sol. Decidi seguir pela trilha de pedras que se estendia à minha frente e dei passos firmes rumo ao desconhecido.
Aqui e ali alguns pássaros coloridos surgiam do meio das árvores altas e de troncos grossos, cobertos por musgo. A umidade deixava o local frio e o silêncio era perturbador. Meus passos ecoavam e minhas pegadas desapareciam ao ficar para trás. Uma agitação na mata ao redor chamou minha atenção e as batidas de meu coração soavam como os tambores ao longe que passei a escutar, ritmados e incessantes. Alguma coisa se aproximava.
Deixei meu instinto me guiar e minhas pernas dispararam, corri cortando o vento e tudo se transformou em um borrão verde intenso. Assovios e pios ecoavam das copas das árvores e o céu de repente escureceu. A trilha à minha frente se apagou. Os tambores cessaram.
No terror daquele momento derradeiro eu só ouvia o som da minha respiração e do latejar de meu coração que parecia bater dentro do meu ouvido. Eu estava sem fôlego, afoito e desesperado por uma resposta ou qualquer coisa que me tirasse dali.
Lá na frente um brilho opaco dançava no ar e sem pensar duas vezes corri até ele, mas parei no meio do caminho ponderando se eu devia continuar naquela trilha desconhecida ou retornar àquela porta. Vozes espalhadas pelo ar, frias como o inverno sibilavam "venha", mas eu não arrisquei, não dessa vez. Fiz meu caminho oposto, atravessei o véu da noite e encontrei a porta. Apenas uma porta no meio de uma selva estranha. Nada antes e nada depois dela.
Girei a maçaneta com cuidado e atravessei.
Voltei para meu quarto silencioso. Eu estava deitado em minha cama, a chuva caía lá fora numa tarde fresca de primavera e um livro se encontrava em minha mãos.
Aos olhos de uma pessoa qualquer, era apenas um livro, mas para mim, não. Ele era muito mais do que isso, era uma porta secreta que me levava para diversos lugares, que me fazia viajar sem sair do lugar e viver experiências sem mover um músculo. Cada página é um passo rumo ao segredo que ele esconde.
Logo mais retorno ao próximo capítulo e abro aquela porta outra vez.


Pauta para Bloínquês

14 sorrisos compartilhados:

{ Felipe } at: 20 de agosto de 2010 11:54 disse...

Como em mais uma vez o seu texto me prendeu. Chamou minha atenção.
É exatamente isso que eu sinto quando eu leio o livro. Viajo para outros lugares, tenho ótimas sensações, rio, choro, me aventuro.
Toda vez que eu leio um livro eu giro uma maçaneta e abro a porta para um mundo diferente e maravilhoso.

{ - maria elis } at: 20 de agosto de 2010 12:57 disse...

viajar é sempre bom, principalmente quando a preocupação com passagens/hospedagens não existe (hi hi) '-'

beijas, moço :*

{ Cristiano Guerra } at: 20 de agosto de 2010 13:46 disse...

Sabe o que me faz voltar sempre aqui? A cada post fico ansioso para o próximo, é sempre assim. E esse me surpreendeu. Porque quem lê, sabe exatamente que é assim.

Abraço

{ Hoho'n } at: 20 de agosto de 2010 14:04 disse...

Magnífico! Não há aventura melhor que um livro. Muito bom!
Super beijinhos

{ *Amanda* } at: 20 de agosto de 2010 17:46 disse...

repito minhas próprias palavras...
ter um amigo escritor é assim... viver emoções... sem sair do lugar!! rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs...

ameiii rodiii!!!

bjs*

ahh.. só pra constar.. gostei da parte.. "a dúvida ainda pairava sobre mim, como uma nuvem cinzenta atrapalhando o caminho do sol" rsrsrsrsrs..
acho que não faço mais parte disso! \o/ (ACHO!) rsrsrsrsrs

{ Lury Sampaio } at: 21 de agosto de 2010 01:13 disse...

Aaah eu adoro abrir essas portas secretas e descobrir pra que mundo aquelas palavras irão me levar.
beijos.

{ Ariana } at: 21 de agosto de 2010 12:20 disse...

Que lindo, não há nada melhor que ler um bom livro, viajamos demais ne!

Amei o texto e o blog!


bjos

{ Renata } at: 21 de agosto de 2010 12:36 disse...

pois é bem assim que eu me sinto com um livro na mão: explorando novos mundos, descobrindo outros sonhos, vivendo...

{ Naia Mello } at: 21 de agosto de 2010 14:18 disse...

Ixe. Me prendi muito rápido a sua narração.

{ Jaci Macedo } at: 21 de agosto de 2010 19:45 disse...

Gostei. Me lembrou Nárnia e outros modos viajantes. Escrevestes bem, parabéns. E perdoe minha falta de comentários aqui. Mas já li todos os posts atrasados. Beijos, coração.

{ Carol } at: 21 de agosto de 2010 20:20 disse...

Que lindo seu blog, seu jeito de pensar, seu sorriso (rs)!
estou te seguindo, tudo bem?

{ Camila Mancio. } at: 22 de agosto de 2010 12:11 disse...

doce e belo texto.
sucesso.

{ Alexandre Fernandes } at: 22 de agosto de 2010 13:53 disse...

Da mesma forma como o livro dele, esse texto foi como uma porta, atraindo a gente com esse 'Venha!'. É imenso esses teu talento de prender a nossa respiração quando lendo essas linhas tão bem construídas e elaboradas. Tem sentimento, tem profundidade e principalmente beleza, essa essência bonita que forma o corpo de um texto.

Achei um texto intenso e imenso, mas suave e pequeno na medida em que a nossa tensão vai se tornando paz. Bonito.

ps: desculpe o sumiço. Andei visitando poucos blogs. Nas ultimas semanas tenho vivido dias tensos. Mas pretendo estar sempre por aqui. Tu escreve peculiarmente bem.

Um abraço meu rapaz.
Tudo de bom.

{ Thiara Ribeiro } at: 25 de agosto de 2010 22:48 disse...

Me lembrou tanto As Crônicas de Nárnia!
^^

Nada melhor que um bom livro né?

;**

 

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