Keblinger

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A menina dos olhos de mel

| segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Enquanto ela olha para o céu de um azul suave, o sol se reflete em sua íris e o castanho claro de seus olhos se torna dourado e brilhante. Ela é uma garota só, que observa o céu e os desenhos das nuvens. Que enquanto faz isso, deseja estar com alguém, pede ao vento que te traga um amor, pede ao silêncio que cante uma canção.
Ela quer um amor sereno e puro como o céu da primavera. Quer um par de olhos azuis para casar com seus olhos de mel, doces e carentes. Ela é uma garota calada, fala com os sentimentos. É poetisa, compositora e narradora de sua própria existência.
Toda tarde ela sobe ao morro perto de sua casa, onde assiste o sol se deitar e procura as cores do vento. Ela sopra canções e respira saudade. Mas é aquela saudade de um tempo que não existiu, uma nostalgia do que nunca foi vivido. Uma vontade de se atirar do precipício e descobrir que tem asas.
E a cada noite, quando o manto azul-marinho salpicado de estrelas cobre o céu, ela retorna triste para casa. Sozinha. Sem o par de olhos azuis que tanto pediu. A canção do vento não possui melodia, os versos de sua poesia se desencontraram da rima.
Ela já ouvira dizer que as coisas na vida da gente acontece quando menos esperamos, pois bem, ela constatou isso em outra tarde no morro. Assim que chegou para ver o espetáculo do sol, se deparou com mais alguém na platéia. Ali, no seu morro, havia um garoto, os cabelos bagunçados pela mão do vento, os olhos encarando o céu. Os olhos, a primeira coisa que ela reparou.
Ele sorriu timidamente e balbuciou um "oi". Ela se aproximou e então conversaram. O sol se pôs e na distração do assunto, perderam a chance de desejá-lo boa noite, logo o véu noturno tomou conta e o ar gélido os abraçou. Hora de partir, mas estava tudo tão bom ali. Ela não queria voltar a ser a garota sozinha no morro. Ele disse adeus e analisou o olhar suplicante dela e prometeu que voltaria no dia seguinte.
Seu peito se encheu de uma emoção que jamais havia experimentado antes. Voltou para casa, tentou dormir, mas alguma coisa fazia cócegas em seu estômago e cada vez que fechava os olhos, lá estava ele, o menino do seu morro.
Na tarde seguinte, ela se arrumou com seu melhor vestido e foi ao seu lugar de sempre. Subiu o morro com tamanha ansiedade que o ar lhe foi tirado. Chegando lá, o avistou de costas. Sorrindo para o horizonte e assoviando uma melodia suave. Assim que se posicionou ao seu lado, ele a presenteou com uma flor amarela, que combinou perfeitamente com seu vestido florido.
E foi ali naquele morro, onde pareciam poder tocar o céu, onde o sol acenava adeus e a noite escorregava, que a história dos dois começou.
Os olhos do garoto, cor de amêndoa, encontraram os dela e no silêncio do momento, uma canção foi ouvida.
Ela não encontrou o que pediu, mas o que conseguiu foi muito melhor do que esperava. Foi então que ela soube que os melhores presentes que a vida nos dá, vêm nos embrulhos mais inesperados.

Pessoal, nos últimos dias não tenho tido muito tempo para visitar todos que eu costumava, mas sempre que arranjo um tempo passo pelos blogs de vocês. Para suprir essa minha ausência nos comentários, tive a ideia de homenagear e indicar alguns blogueiros, criando textos com os nomes de seus blogs. Esse é o primeiro texto com esse intuito. Espero que gostem.
A menina dos olhos de mel é o blog da Amanda Menezes. Se, por acaso, você tenha achado uma ousadia da minha parte usar o nome do seu blog sem perguntar, me avise que troco o nome da postagem.

18 sorrisos compartilhados:

{ Mandy } at: 30 de agosto de 2010 17:17 disse...

Rodi eu ameeeei *------------*
Acho que to precisando de um romance assim. Queria poder encontrar de novo esse garoto ai do alto do morro. :) Ameeei mesmo. E bom, eu fui lendo e fui me encontrando ai nas palavras e me senti tão importante com isso, que você nem faz ideia. Obrigada mesmo. Em pouco tempo, e apenas lendo meus textos você pode perceber parte do meu jeito de ser. Claro que algumas coisas não são iguais, acho que nem era pra ser, mas eu adorei.
Já falei que me senti muito importante recebendo essa homenagem de você? *--* E sendo a PRIMEIRA a ser homenageada? ♥
Obrigada mesmo Rodi fofo.
Beijão :D
A menina dos olhos de mel que se torna dourado e brilhante.
Mandy

{ Mali Melo } at: 30 de agosto de 2010 18:40 disse...

Aaaaaaaai morri. D: Lindo demais, Rodolpho! Esse eu salvei aqui. n_n
Amo essas metáforas, são perfeitas.
Poxa, me identifiquei tanto com essa menina. Só espero ter um final (ou seria começo?) feliz que nem o dela. xx

{ Cristiano Guerra } at: 30 de agosto de 2010 20:23 disse...

Nossa, esse foi fantástico. É claro que depois que li fui correndo olhar o blog citado. E Rodolpho, nesse conto você fez cada construção sublime! Eu pensei em copiar e colocar as que mais gostei, mas ia passar de dez, então desisti. Mas de todo jeito, esse ficou muito muito bom. Parabéns ;]

{ Talita } at: 30 de agosto de 2010 21:16 disse...

Que gostoso teu blog, lindo os textos..

beijos, linda semana

Talita
tatapalavrasaovento.blogspot.com

{ Milla } at: 30 de agosto de 2010 21:58 disse...

Adorei o seu texto e a sua ideia muito mais! Boa sorte com seus textos futuros :)

Ah adorei a Imagem da Semana :)

beijos e obrigada pelos selos.

{ Thiara Ribeiro } at: 30 de agosto de 2010 22:19 disse...

*-*

Ficou tão lindo!!!
que criatividade!!!! Só um excelente contador de histórias podia ter a maravilhosa idéia de homenagear alguns blogueiros!
Perfeito!

;**

{ Stella Rodrigues } at: 30 de agosto de 2010 23:45 disse...

como sempre, perfeito, falei pra algumas pessoas que tenho um amigo bloggeiro que escreve pra caramba :D quanto aos selos :/ to sem tempo de postar e acho que nem vou postar tão cedo, mas me lembre não é descaso, adoro você e tudo que você faz, assim que tiver tempo eu posto obrigada, me sinto honrada sendo presenteada por você :*

{ Gabriela Furtado } at: 31 de agosto de 2010 14:20 disse...

Acho que todo mundo sente essa saudade do que nunca aconteceu, talvez quem sabe, nossas projeções.
p.s ainda bem que ela encontrou bem mais que pediu
muuuuiiiito bom
beijos

{ Rebeca Amaral } at: 31 de agosto de 2010 15:23 disse...

eu nunca me identifiquei tanto com um texto. Meu Deus! Rodi, pode parecer muita pretensão, mas parece que escreveste pra mim. nossa!
lindo demais! e mais linda é essa homenagem!

você arrasou!

beijos!

{ Carolyne Mota } at: 31 de agosto de 2010 20:00 disse...

Seus textos sempre tão sutis e extraórdinários, me fez ler e reler várias vezes de tão encantada que eu fiquei!

Um abraço.

{ Raphael Trew } at: 31 de agosto de 2010 22:52 disse...

Muito boa a sua ideia, temos que sempre buscar novas inspirações para nos mantermos vivos.
Eu gosto de completar uma história, ou contar a visão do outro personagem, quando encontro um testo assim acabo me empolgando.
Parabéns pela sua persistência.

{ Patrícia Azevedo } at: 1 de setembro de 2010 13:12 disse...

fantástico!
"E foi ali naquele morro, onde pareciam poder tocar o céu, onde o sol acenava adeus e a noite escorregava, que a história dos dois começou."
suas palavras são tão lindas! ando meio sumida dos comentários mas estou sempre passando por aqui.. viu?
parabéns pelo texto.. maravilhoso como sempre!
ainda vou comprar um livro seu!
até o próximo post..

{ Flávia } at: 1 de setembro de 2010 18:27 disse...

É... Que linda a homenagem!

Parabéns pelo belo texto e que sorte pra quem for homenageada(o)

{ *Amanda* } at: 1 de setembro de 2010 23:05 disse...

"Ela não encontrou o que pediu, mas o que conseguiu foi muito melhor do que esperava. Foi então que ela soube que os melhores presentes que a vida nos dá, vêm nos embrulhos mais inesperados"

Vixe.. se eu encontrar um embrulho pior do que eu encontrei.. kkkkkkkkkkkkkkk... vai ser bem complicado neh... rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs...

{ Doce Nostalgia } at: 2 de setembro de 2010 02:14 disse...

Hummm que texto lindo esse, envolvente!
Poxa que ideia boa Rodolpho!!!!
Tenho certeza que ela amou isso! hahaha

Beijos!

{ Ju Fuzetto } at: 2 de setembro de 2010 15:40 disse...

Maravilhoso esse texto, Parabéns teu blog é show, beijo e bom restinho de semana!!!

{ Leticía Gomes } at: 2 de setembro de 2010 18:39 disse...

aaaah, quase chorei no começo. to meio sensível, com seus textos vai ficando pior; haha
rô, sabe o que eu percebi? que voce tem usado mais ponto finais! eu lembro que tinha te dado a dica, morrendo de medo de voce ficar bravo, mas voce acolheu super bem.
quando vejo suas postagens, confesso que dá uma preguicinha. mas é só começar e lembrar que é coisa boa, daí eles ficam muito menores :)

gostei muito desse. eu chamo meu namorado de garoto dos olhos castanhos, haha.
e amei essa frase: "Ela não encontrou o que pediu, mas o que conseguiu foi muito melhor do que esperava"

beijo.

{ Tati } at: 4 de setembro de 2010 22:59 disse...

Lindissimo Coruja.

Amei o modo que você nos conduziu linha após linhas... Cenário perfeito... Tudo lindo demais.


Beijos

 

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