Keblinger

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E a tempestade levou

| sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Enquanto eu cortava os pingos da chuva gelada que caía, eu corria contra o tempo seguindo na direção oposta da multidão que bloqueava a passagem. Entre cotoveladas e empurrões abri caminho, observando as nuvens cinzentas no horizonte se contraindo furiosas e despejando mais água.
- Estou quase lá - eu repetia para mim mesma, cuspindo as palavras entre minha respiração ofegante.
Assim que cheguei no porto, o imenso navio soltava baforadas de fumaça negra pelas chaminés enormes. A fila de embarque se estendia além do alcance dos olhos, todos tentando embarcar o mais rápido para se abrigarem da tempestade que se aproximava iminente.
Os relâmpagos ribombavam como tambores dos deuses, cortando o dia escuro com um clarão repentino e veloz.
Parei ao lado do navio, encarei cada rosto indiferente, procurando por ele.

ANTES

- Minha família é contra nosso amor, meus pais não vão permitir que fiquemos juntos - ele me disse certa vez.
- Nós podemos fugir, você não precisa deles - eu respondi aflita, sentindo cada pulsar do meu peito aumentar de velocidade só de pensar em perdê-lo.
- Fugir para onde?
Fizemos um plano de fuga, quão típico é isso? O garoto rico fugindo com a garota pobre. A família dele, banhada em ostentação certamente escolhera uma moça de origem influente para casá-lo, mas seu coração bateu mais forte pela plebéia que servia na festa de luxo.
Nosso plano consistia em embarcarmos em um navio, irmos para o outro continente e começar uma vida nova. Ele não levaria nada, nos tornaríamos novas pessoas.
Compramos os bilhetes de embarque, mas um dia antes de nossa fuga, os pais dele o levaram. O mandaram para um colégio interno.
Recebi seu recado através da cozinheira da casa:
"O navio está me levando para longe"

AGORA

Não entendi o bilhete naquele momento, mas depois percebi que era uma esperança a qual eu podia me agarrar, ele daria um jeito de me encontrar ali, mas o tempo passava, a chuva aumentava e a fila diminuia.
Enfim todos os passageiros subiram a bordo, a rampa de acesso foi içada e o navio partiu rumo a escuridão da tempestade.
Minhas lágrimas se misturaram aos pingos que caíam, despenquei no chão com o peso da derrota sobre mim, vi o bilhete dele sendo levado pela água suja que escorria.
Deixei o porto e lá ficou meu coração despedaçado.
Dois dias depois eu recebo um convite para ir até a casa dele, me senti animada, mas receosa, afinal os pais dele não me aceitavam.
Cheguei lá e a notícia que recebi me golpeou de uma forma inesperada que senti meu corpo se partindo em dois.
Meu amado havia sucumbido a uma doença e falecera na noite anterior. O bilhete não era de esperança, ele estava me avisando que partiria em uma viagem egoísta e não me levaria junto. As lágrimas queimaram meus olhos, mas eu já não tinha coração, aquele que ficou no porto na noite da tempestade, nesse momento havia parado de bater, pois perdera sua razão de viver.

Pauta para Bloínquês

17 sorrisos compartilhados:

{ Contando Historias (Isabela) } at: 6 de agosto de 2010 17:22 disse...

Muito, muito bom. Já pensou em publicar alguma coisa? eu acho que você tem futuro. Boa sorte com o Bloíquês.

{ Gabriela Furtado } at: 6 de agosto de 2010 17:34 disse...

Que triste! Mas muiito bom...
beijos

{ Luria Corrêa , Martins . } at: 6 de agosto de 2010 17:55 disse...

e os meus olhos se encheram d'água ,numa vontade louca de estar ali no meio e fazer alguma coisa, claro,não é a primeira a respeito que leio,mas Rodolpho, suas palavras tocam. Linda,linda a história. Me lembrou um pouco Titanic.

bejs :)

{ Vanessa Monique } at: 6 de agosto de 2010 19:20 disse...

Que lindo,deu uma dor no coração.
O amor é mesmo duro e pior qnd existe separação.
:*

{ Ana Agarriberri } at: 6 de agosto de 2010 21:05 disse...

Eii Rodrigo, agradeço teus comentários lá no Molhe-se, como sempre, teus posts tão belos...

Tem selo pra vc lá. Beeejo,beeejo.

{ Luana Ribeiro } at: 6 de agosto de 2010 21:58 disse...

Texto lindo, escreves bem menino! Viajei no texto, rs, me senti completamente dentro do texto embora nunca tenha passado sitaução parecida! Parabéns Rodolpho e boa sorte!
Beijos

{ Thiara Ribeiro } at: 7 de agosto de 2010 03:12 disse...

Perfeito e triste! Muito triste!

;*

{ - maria elis } at: 7 de agosto de 2010 11:10 disse...

esse texto me lembrou titanic *-*

beijas, moço :*

{ Rebeca Rocha } at: 7 de agosto de 2010 14:06 disse...

Triste e lindo ao mesmo tempo.

{ Grafite } at: 7 de agosto de 2010 17:50 disse...

parabéns!
você tem um jeito tão especial de brincar com as palavras!

beiijo,
*.*

{ Rebeca Amaral } at: 7 de agosto de 2010 19:02 disse...

"amar é doar-se", isso é clichê mais é válido. lindo texto! você, hein? quanta inspiração!

desculpa pela demora em vim te ver, fiquei a semana inteira desligada do mundo, rs.

enfim,
beijinhos!

{ Rebeca Amaral } at: 7 de agosto de 2010 19:07 disse...

*correções= mas, vir

{ Mandy } at: 7 de agosto de 2010 19:28 disse...

Passando só pra avisar que tem selinho pra ti no meu blog :)

{ Cris . } at: 7 de agosto de 2010 23:40 disse...

Que texto maravilhoso Rodolpho,
fiquei encantada, terminei de ler com gostinho de quero mais. Bem triste mas muito lindo, boa sorte no Bloínquês.

Abraço meu.

{ Doce Nostalgia } at: 8 de agosto de 2010 00:00 disse...

Que triste...
Nem sei o que dizer, rs enfim lindo como sempre!
O amor é tão simples e complexo ao mesmo tempo...rs

Beijos anormes!!!!

{ Hoho'n } at: 8 de agosto de 2010 11:54 disse...

Que texto perfeito e triste!
Não achei palavras pra descrever o quanto esse texto me tocou, sério!
Lindo
me fez sorrir!
Super beijinhos:**

ps: é a primeira vez que vejo o blog. Parabéns por ele, eu amei!

{ Emi } at: 8 de agosto de 2010 13:37 disse...

Nossa. Rodolpho, vc sempre é tão criativo em seus textos!
Amo demais! Parabéns!!!
Ps: então você também gosta de I'm Yours?? nossa, que bom que curte as músicas que eu coloco pra tocar lá, hahahahha!!!!! Essa é a segunda que curte, depois de 'Its not easy to be me'!
Fica com Deus, querido!
Sucesso sempre!

 

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