Keblinger

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As cartas do monge sem nome - Parte 7

| terça-feira, 24 de agosto de 2010
No mosteiro

Assim que terminei de ler a carta de meu filho, retornei à meditação, mas antes que pudesse fazer minhas orações, fui requisitado no aposento do Abade. Entrei em silêncio e encarei os olhos de meu superior, que fez um gesto para que eu me sentasse. Eu já esperava por aquele momento.
- Me sinto desconfortável com toda essa encenação minha e de vocês - ele me disse, sendo direto como sempre - Preciso saber se valeu a pena?
Meus lábios se curvaram em um sorriso incontido.
- Sim, meu senhor, ter meu filho por perto foi o maior presente que eu poderia receber. Ele me trouxe luz e mais vontade de viver e servir a nosso Senhor. - respondi.
- Fico satisfeito com sua alegria. Depois de todos esses anos e de tantos segredos e mentiras, eu entendo como você se sente e sentiu ao fazer sua escolha. Eu o perdôo.
Levantei os olhos, emocionado.
- Isso era tudo o que eu precisava ouvir agora. Obrigado - meus olhos se encheram de lágrimas.
- Eu desejo apenas que ele possa saber um dia, de fato, quem eu sou. - disse o Abade, com um olhar pesaroso.
- Ele vai saber, pai - eu respondi - Um dia ele vai saber.

No vilarejo

Sentei-me ao lado de minha mãe e escutei sua história:
- O amor de seu pai e eu começou quando ainda éramos jovens, mas ía contra a tradição de nossa família, na qual todo filho primogênito era destinado a servir ao Senhor, todos deveriam aderir a vida monástica, mas essa não era a única barreira para que não ficássemos juntos. Meu pai não teve filho homem e foi o segundo filho de sua casa, portanto não ingressou na vida no mosteiro, mas o irmão mais velho de meu pai, se tornou um monge devotado e subiu de posto até atingir o grau máximo que qualquer um de nossa família. Filho, o Abade do mosteiro onde esteve é seu avô e seu pai é meu primo.
A revelação de minha mãe me atingiu bruscamente, senti a cabeça rodar enquanto engolia toda aquela informação.
- Essa é a razão pela qual não ficamos juntos, além de seu pai ser o primogênito. Nosso amor era proibido e se fôssemos descobertos, Deus sabe o que aconteceria, por isso ele partiu e fez os votos...
- Eu devo fazer os votos também? - perguntei.
- A tradição e honra de nossa família ficou manchada por causa do que eu e seu pai fizemos. Você é livre para decidir o que você quer.
Eu refleti por um tempo e respondi:
- Aqui é onde eu quero estar, mãe. Não vou a lugar algum.

Meu pai e avô permaneceram no mosteiro até o fim de suas vidas e eu nunca mais os vi.
Eu e minha mãe tivemos boas colheitas e fartura nos anos que se seguiram.
Minha amada mulher espera nosso primeiro filho, que também será livre para escolher qual caminho seguir. E assim começamos uma nova tradição, a do livre-arbítrio.

FIM

É isso pessoal, o conto finalmente acabou, depois de quase um mês de espera.
Espero que tenha valido a pena e que tenham gostado, apesar de terem me xingado por tanto suspense, haha.
Grande abraço a todos que acompanharam desde o começo, o apoio de todos vocês é muito bom, muito obrigado.

17 sorrisos compartilhados:

{ Tati } at: 24 de agosto de 2010 17:15 disse...

Supreendente esse seu final.
Gostei muito.

{ *Amanda* } at: 24 de agosto de 2010 20:11 disse...

Comooooooooo assim... avô?!!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...

mais uma vez o texto me faz entender.. que 'as pessoas mudam' rsrsrsrsrs...

nem preciso falar que eu amei!

Só odiei a demoraaaa.. parecia um livro que eu não conseguia acabar de ler.. rsrsrsrsrs... mas como sempre.. me surpreendi!

bjs para o meu escritor preferido!

;)

{ Bell Souza } at: 24 de agosto de 2010 22:21 disse...

Eu não acompanhei a história, mas confesso que a sutileza dessa última parte e o próprio tema/cenário revela uma preciosidade em criatividade. Admiro o seu trabalho e cada comentário é sincero.

{ Jaqueline Jesus } at: 25 de agosto de 2010 15:09 disse...

aaaaaaaaaaaaah finalmente o final *---*
esperei taaanto por ele, rs.
aah eu gostei, o livre-arbítrio é fundamental.
Nascemos com ele e ngm tem o direito de querer nos tirar isso.
Suas histórias são ótimas, espero que tenha ganhado a votação.
beeijos

{ Cristiano Guerra } at: 25 de agosto de 2010 21:22 disse...

Lol, surpreendente e esclarecedor. òtimo final, melhor, ótima lição no final.

Abraço

{ Thiara Ribeiro } at: 25 de agosto de 2010 23:27 disse...

Emocionante!

-Ele vai saber, pai - eu respondi - Um dia ele vai saber.

Rodolpho, qdo acho que já li seu melhor conto, vc vem e surpreende!
Parabéns!

;*

{ Stella Rodrigues } at: 26 de agosto de 2010 09:01 disse...

Só de falar mosteiro me lembrou o livro a noite. quando eu lia lembrava de você. (:

{ Emi } at: 26 de agosto de 2010 11:03 disse...

Nossa! Não cheguei a acompanhar todas as outras partes, mas esse final fez com que eu tivesse a curiosidade de saber detalhadamente da história.
Parabéns, Rodolpho! Acho você um escritor completo, brilhante!*-*
Beijos!

{ Gabriela Furtado } at: 26 de agosto de 2010 15:35 disse...

Ficaram MUIIITO boas mesmo!
Adoorei o final... ;p
beeijos

{ Danny } at: 26 de agosto de 2010 16:04 disse...

Tem selo no meu Blog pra ti, não precisa repassa-los, mas indiquei teu blog, gosto daqui...

{ Sara Carneiro } at: 26 de agosto de 2010 16:48 disse...

Só agora pude ler o conto inteiro, desculpe-me. Sabe, meu pc tava com vírus e tal. Olha Rô, o conto ficou PERFEITO. Muito bom mesmo, parabéns. E putz! Que saudades de alimentar as carpas :/ Eu amo muito as tuas palavras, e acho que isso não é novidade. 8595962521747 milhões de beijos pra ti, meu escritor preferido *-*

{ Leticía Gomes } at: 26 de agosto de 2010 17:44 disse...

ROOOOOOOOO.
aaai céus. falei que ia ler no final, né? eu alem de odiar suspense acabo esquecendo as partes anteriores >.<
mas vamos falar de voce.
eu amei, amei muito mesmo. li as partes comendo pipoca e foi meio que um filme. a maneira como os laços familiares foram revelados é realmente incrível, meus parabens.
nos primeiros textos, as cartas eram extraordinárias. voce faz um emaranhado de figura de linguagem que, francamente, é difícil de ver por aí.. no final, o que me chamou a atenção foi o jeito que voce revelou cada grau de parentesco.
realmente, rô, amei. esse blog agora é leitura obrigatória pra mim :)

beeijo. (te chamo de ro memso? rs)

{ @philipsouza } at: 26 de agosto de 2010 20:32 disse...

Puts lendo la atras e agora nao esperava por esse final, mesmo surpreendi mesmo com o resultado...

abraçao meu amigo

{ tamara furlan } at: 27 de agosto de 2010 14:11 disse...

esse final arrazou, surpreendente. adoreei mt;

{ Hoho'n } at: 27 de agosto de 2010 16:15 disse...

AVÔ? Com esse final eu não esperava!
Valeu muito a pena esperar!
Demais!!
Super beijinhos :*

{ Mandy } at: 29 de agosto de 2010 19:26 disse...

Eu vou comentando agora por partes: como assim o filho dele aparece la, e depois o pai do pai dele tambem ta la? Surpreendente.
Sério Rodi, eu adorei. E sabe, eu tambem acho que as decisões dos filhos tem que ser assim. Não concordo com tradições que impõe o que temos que fazer ou não. :)
Parabéns pelo conto.

Beijão
Mandy

{ Joyce Silva } at: 1 de junho de 2014 20:36 disse...

Dei a sorte de pegar o conto acabado, mas cada parte dele é viciante, como todas as coisas que você escreve.

Adorei - como sempre!

 

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