Keblinger

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Contagem regressiva - Mês 5

| sábado, 3 de julho de 2010
Hora do conto - Se você não leu, leia antes o Mês 1, Mês 2, Mês 3 e Mês 4

Estar naquela condição me levou a refletir sobre a vida. A que se resumia a vida, afinal? Eu não havia escrito um livro nem plantado uma árvore, não tive filhos nem viajei pelo mundo, não realizei meus sonhos e isso é apenas pouco do muito que não fiz e nem terei a chance de fazer. Tantos planos para uma vida prestes a se acabar.
Como se mede um vida? Pelos anos? Pelos momentos? Pela intensidade dos sentimentos? Acredito que seja uma soma de tudo isso, de experiências, dores e alegrias.
A vida é uma coisa sem sentido, se você parar para pensar, pois a gente nasce, aproveita ou não e depois é o fim. Parece que não há um motivo ou razão para se passar por isso, para viver. Afinal, quando chegar a despedida quem ficar vai sentir minha ausência por quanto tempo? A pior coisa da morte é o esquecimento. Não vou deixar nada além de poucas lembranças que se apagarão com o tempo, assim como voltarei a ser pó levado pelo vento.
Durante toda a minha vida eu apenas fui seguindo cada dia, nunca pensando no amanhã. Confesso que fui estúpido a ponto de achar que agregar valores materiais era o que me bastava para ser feliz, mas não levarei nada do que adquiri comigo, no final o que importa e sempre importou foram as pessoas que estiveram ao meu redor, elas são meus bens mais valiosos e sem preço. Eu queria permanecer verdadeiramente na memória de cada um e não ser esquecido aos poucos conforme o passar dos dias, mas isso é inevitável, eu acho... a morte é a grande borracha da vida, ela apaga tudo que um dia existiu.
Quando paro para analisar tudo, a percepção de saber que o fim está visível ali na frente do caminho, que não há mais nenhum curva, me remete a entender que não mais verei o sol, não mais sentirei o vento bater em meu rosto, não mais sentirei o gosto de beijos e o aperto de abraços, não mais sentirei a água da chuva e o cheiro de rua molhada. Daqui pra frente, a frustração me bate a porta, sempre acompanhada de uma apatia pegajosa que se instala em mim.
Tudo perdeu a cor e o brilho, meu paladar perdeu o sabor, as canções perderam a melodia, minha vida perdeu a razão.
Quando olho para frente e não vejo um futuro brilhante me esperando, as lágrimas me vencem num duelo rápido e o tempo indiferente passou de uma maneira imperceptível.
"Sinto muito", o médico tinha me dito há 5 meses.
E agora que me resta apenas 1? Um "sinto muito" me parece uma frase clichê demais para ser usada. Seria mais apropriado se ele dissesse "conforme-se".
E é isso o que me resta a fazer, agora que os últimos passos começam a ser dados nessa estrada que eu nunca cheguei a ver o fim, mas olha ele ali, me acenando a poucos metros e eu apenas caminho relutante, tentando fazer de cada passo um momento de glória.

EM BREVE - MÊS 6 (PARTE FINAL)

13 sorrisos compartilhados:

{ Julia Françozo } at: 3 de julho de 2010 19:48 disse...

Obrigada mais uma vez Rodolpho *-* eu adorei a brincadeira. E pode falar, eu sou idiota demais por ficar toda boba quando eu recebi o selinho.gif. bjs

{ Felipe } at: 3 de julho de 2010 20:01 disse...

Eu também tenho muito medo da morte. Não pelo esquecimento, mas sim pelo sofrimento, dor.
Eu acho que não reageria muito bem a uma notícias dessas.

{ Jaci Macedo } at: 3 de julho de 2010 20:18 disse...

Todo mundo tem medo do desconhecido. Acho que a morte não é o fim das coisas... é mais um novo recomeço. Desse jeito é que eu encaro as coisas. Numa "outra vida" que você vai poder não cometer os mesmos erros que cometeu nessa aqui.

Mas é fácil dizer, quando acontece com a gente é que as coisas ficam complicadas... gostei do texto, como sempre.

beijos (:

{ *Amanda* } at: 3 de julho de 2010 20:53 disse...

Rodii... espero que o ultimo texto seja tão emocionante como todos até aqui!!!

É estranho quando pensamos na morte, acho que a maioria das pessoas não têm medo da morte em si, mas sim da forma como ela virá... e nesse caso, por mais que doa, por mais que seja triste, pelo menos ele teve a chance de se despedir de tudo o que gostava, teve a chance de colocar na balança seus erros e acertos, teve a chance de ver tudo o que não pode aproveitar e teve a chance de saber que o que vale é quem temos e não o que!

Mais uma vez um texto lindo, emocionante e que vai pra lista dos melhores!!!!

Parabéns!

^^

{ Tati } at: 4 de julho de 2010 01:44 disse...

Gostei muito da linha que desenhou aqui, acho que o penultimo mês, é sempre pior, porque o fim, é sempre o fim... Mas o que a gente sofre antes dele, não tem tradução.

'Passos de Glória' Bem bom

E a parte do não sentir uma coisa e outra também ficou excelente.
Gostei demais do todo.


Beijos e espero mais[logo por favor]

{ blogueira:* } at: 4 de julho de 2010 10:01 disse...

Tem selo pra você lá no meu blog amor ! (:

{ Mandy } at: 4 de julho de 2010 16:02 disse...

Caramba Rod, vc me surpreende a cada texto. Sério mesmo. Agora, com toda certeza eu posso falar: SOU MUITO TUA FÃ. A cada letrinha desse texto, a cada frase terminada em ponto ou virgula, a cada paragrafo eu fui viajando. Fui imaginando a cena. Fui pensando na minha própria vida.
Não sei se vc ja viu tróia (claro que deve ter visto), mas sabe quando ele tem as duas opções e prefere seguir naquela que seu nome seria lembrado sentenas de milhares de anos depois? Talvez depois de eu falar isso vc fique se perguntando o porque de esse exemplo. Mas é bem simples, depois de ler esse texto eu "meio que" decidi seguir esse caminho dele. É, eu to escolhendo agora ser lembrada por muitos anos depois da minha morte.
Pode até parecer bobagem isso, ou só mais uma viagem da minha cabeça, mas eu quero ser lembrada. Ou como alguem que fez a diferença e tornou o mundo um pouquinho melhor, ou só alguem que teve muitos sonhos e que conseguiu realizar parte deles. Iria ficar muito feliz sabendo que com um simples blog, com palavras bobas de uma garota sonhadora eu ajudei muita gente a sonhar. (como já me falaram que eu fiz).
Enfim, pra terminar esse comentário gigante eu queria te agradecer. É, agradecer por ter me feito pensar nisso tudo. Por ter feito parte dessa decisão. Obrigada por me levar nessa grande viagem.
Adoro muito vim aqui viu. Vc sempre me faz viajar desse jeito, e sentir as mais diferentes coisas. E eu sei que vc deve ta feliz com tudo isso que eu to falando, porque eu tambem fico NAS NUVENS quando alguem viaja comigo, mas é tudo verdade viu. E não só pra te deixar feliz.
Beijoos
Mandy

{ blogueira:* } at: 5 de julho de 2010 10:01 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
{ blogueira:* } at: 5 de julho de 2010 10:02 disse...

lindo, estou criando uma nova tag lá no blog #entrevistas, e gostaria que você participasse. eai, topa? qualquer coisa, me avisa la no blog e mande > msn , twitter, orkut ou e-mail ( o que for mais facil pra você) pra eu poder te perguntar ok? beijos;*

{ Rebeca Amaral } at: 5 de julho de 2010 15:13 disse...

é difícil passar por uma crise existencial e sair sem feridas. ainda mais quando se sabe que a morte está muito próxima.
e sim, concordo, a vida não tem o menor sentido. nós é que temos que dar lógica a ela.
ao longo da construção de nossa trajetória temos que dar relevância às coisas certas.
mais ainda há tempo!
sempre há. é só correr um pouquinho...

ótimo!

beijo!

{ Ana Agarriberri } at: 5 de julho de 2010 16:07 disse...

Aaaah, que saudade eu tava daqui. Teu blog tá muito bom Rodrigo! Parabéns, beeejo, :)

{ Jaqueline Jesus } at: 5 de julho de 2010 16:13 disse...

caraca!! não consigo mais ficar ser vir aqui e toda vez que venho sou recebida com um texto maravilhoso como este *-*

Estou adorando ler esse conto, ele passa muitas lições de vida. As pessoas só dão valor à vida quando estão diante da morte e esse conto faz a gente refletir sobre nossa passagem pela vida: se será apenas uma breve passagem sem finalidade nem grande feito ou se deixará marcas e lembranças no coração e na mente dos que ficarem.

Sou cada vez mais sua fã *o*
Beijos

{ Lu.S } at: 6 de julho de 2010 19:41 disse...

Oii

Nossa essa parte ficou muito legal.
È só um conto mas é a realidade das pessoas, ela compram coisas e gostam de despertar a inveja nas outras pessoas, ai me pergunto pra que? por que?
È, deve ser algo que o ser humano tras consigo, não sei.
Mas sei que não levamos nada, e que a vida não é só a vida, a morte pode não ser um fim e sim o começo.
Se não ficassemos duantes, nunca saberiamos o valor da vida, assim como ficar sem comer, nos da a noção que a fome é algo triste. Assim como a vida é maravilho perto do fato de morrer. Mas não sabemos se morrer é mesmo a pior parte.

Beijios!

 

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