Keblinger

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As cartas do monge sem nome - Parte 2

| sábado, 31 de julho de 2010
Hora do conto - Para entender, leia a Parte 1

S.

Durante meu trabalho na agricultura, à margem do lago sereno, me deparei com a Flor de Lótus. Será o destino me enviando um sinal irônico sobre meu futuro? Será que o simbolismo dessa flor sobre a pureza e renascimento estejam destinados a mim? Eu quero acreditar que sim, pois desejo ardentemente tirar você dos meus pensamentos e apagar de vez todas as memórias luxuriantes que me impregnam. Quero me lavar de sua impureza que se agarra em cada poro meu. Quero me auto-flagelar para arrancar de mim sua constante presença espalhada em meu corpo, que a noite ferve pelas carícias inexistentes e minha pele grita de desejo. Preciso exorcizar meu pudor sádico. Preciso te arrancar de mim.

N.

A segunda carta foi ainda mais libidinosa que a anterior, não sabíamos a quem elas eram destinadas e muitos começaram a fazer deduções sobre o nome verdadeiro de João, que passou a ser chamado de "monge sem nome".

O Abade encarou o monge sentado diante de si e perguntou calmamente:
- Irmão, você tem algo a me dizer?
O monge exibia o mesmo olhar petrificado de sempre, encarando um ponto fixo na parede atrás de seu superior, meneou a cabeça positivamente e sorriu.

EM BREVE - PARTE 3

Criei algumas comus com trechos de textos daqui, quem quiser participar, clique aqui e vá em Próxima debaixo do texto para ver as outras. Abraços.

Metade do meu eu

| quinta-feira, 29 de julho de 2010
Estávamos deitados na grama do parque, debaixo de um sol ameno de inverno, sentindo o frescor do vento balançar os cabelos enquanto essa mesma brisa leve carregava a fragrância do perfume dela até mim, aquele cheiro de flor suave que galopava pelo ar e vinha ao meu encontro. Ela me sorria com os olhos e eu me prendia na sutileza daquele momento só nosso. Ela e eu, as mãos entrelaçadas, um do lado do outro. Suas mãos passeavam pelos meus cabelos e as minhas alisavam a pele macia de seu rosto perfeitamente esculpido para mim. Seu sorriso se projetava lindamente e era como se as estrelas da constelação mais bonita me acenassem.
Ela me encarava, piscando ternamente. O que existe entre a distância de nossos olhos? Existe um mar de emoções onde navego nas horas de calmaria ao lado dela, existe um melodia suave que somente nossos ouvidos podem ouvir, existe carinho pincelado em cada toque e carícia, existe o pulsar de nosso peito em sintonia perfeita, existe esse laço invisível que nos uniu e existe o amor. O amor que flutua do seu ser ao meu e vice-versa. O amor que se funde aos sentimentos mais sutis bombeados por nossos corações apaixonados. O amor que alimenta nossa alma e afaga nossa essência.
O meu amor me olha nos olhos e é a fonte de minha eterna inspiração. O amor que traz consigo a saudade de quando não está perto, que anda de mãos dadas com os risos que fluem mais em sua presença... o amor que traz a paz de tê-la e de pertencê-la.
O parque ao redor se torna o palco de nosso momento flagrado pelo tempo que percorre a maratona das horas e rapidamente traz a lua para nos assistir. Um beijo ao pôr-do-sol me desperta para o seu mundo mágico e encantador. Sua voz cantando versos de felicidade aos sussurros, só para mim. Meu abraço metricamente moldado ao seu tamanho, onde ela se encaixa e se acolhe. Beijos roubados da ponta do nariz feito brincadeira de criança. Olhares cruzados feito um flerte inocente. Sensações despertadas feito um desejo quente.
A lua brilha só para nós, como se nos olhasse e irradiasse sua luz mais calorosa em nossa direção, a dança do vento nos envolve e a cor do amor nos absorve. Os beijos dela têm o sabor mais doce que eu já provei, pitadas de doses viciantes, as quais já não vivo sem.
- Sabe de uma coisa - eu disse a ela - Se eu passasse por essa vida e não te encontrasse, eu viveria pela metade.
- E se minha metade não tivesse você, passaria a eternidade a procurar - ela me disse e a vesti em meus braços, segurando seu rosto delicadamente e encaixando meus lábios aos dela.
A metade do meu ser, a base da minha vida, a dona da chave do meu coração.
Entre a distância de nossos olhos existe muito mais do que palavras soltas ao ar podem dizer, existe sentimento puro e isso ninguém descreve, ninguém rotula, apenas se vive.
E eu vivo. Vivo por ela. Vivo para ela.

Pauta para a Gincana do Dia do Escritor do OUAT - Tema: Romance / Frase: "O que existe entre a distância de nossos olhos?"

As cartas do monge sem nome - Parte 1

| terça-feira, 27 de julho de 2010

Ele apareceu no monastério durante um inverno rigoroso, estava pálido, hipotérmico e à beira da morte. Eu e os irmãos o acolhemos seguindo ordens do Abade, o alimentamos, demos vestes grossas e esperamos. Ele tinha o olhar vidrado, sempre parado em um ponto fixo, como se encarasse algo que somente seus olhos pudessem ver. Nenhuma palavra saiu de sua boca. O batizamos de João. Lhe demos um aposento e um incentivo de vida, ele era jovem, não deveria ter mais de 25 anos e depois de meses vivendo entre nós, ele decidiu se converter, atráves de um pedido por escrito, o Abade permitiu e ele fez os votos. Todo monge faz votos de pobreza, castidade, obediência e um quarto voto de permanência, sendo esse revogado apenas por ordem do Abade. Nós vivemos em mosteiros, sem contato com a comunidade, vivemos e trabalhamos aqui. Mas não estou aqui para contar a história do início da vida monástica de João, vou contar sobre as misteriosas cartas que foram encontradas 5 anos mais tarde em seu aposento.

S.

Escrevo de um mosteiro onde trabalho e vivo, com gosto, mas a cada noite enquanto me deito no meu leito escuro são lembranças suas que me vêm a cabeça, memórias perdidas no tempo que eu tento esquecer. Sinto o toque quente de suas mãos deslizando pelo meu corpo e me trazendo arrepios. Minha boca pede seu gosto doce e proibido. Meus braços pedem seu corpo macio... mas eu não posso me deleitar em minhas lembranças, elas pecam contra tudo o que tenho vivido aqui, elas renegam os votos que assumi, elas cospem na minha cara as verdades que eu escondi. Tenho que te esquecer, tenho que te matar dentro de mim, mas para fazer isso tenho que matar meu coração insano que suplica por seu amor. Te quero, mas não posso te ter.

N.

Essa foi a primeira carta que encontramos e ela ía contra nossa ordem e nossa única opção foi denunciar nosso irmão João ao Abade. Nesse momento ele se encontra no aposento de nosso superior, para prestar contas.

EM BREVE - PARTE 2

Alma de escritor

| domingo, 25 de julho de 2010


Já ouvi dizer que as palavras têm vida, que possuem poderes inimagináveis e que podem criar pontes entre mundos distintos. Acredito que tudo isso seja verdade, as palavras são vivas, mas são apenas corpos vazios até que alguém as dê alma e uma razão para existir e é aqui que eu entro: o escritor.
Enquanto contorno alfabetos, costuro letras, remendo palavras e uno sentenças, eu estou dando vida a algo além da minha própria imaginação, algo grandioso que ultrapassa os limites de minha própria essência, eu me traduzo em palavras. Eu transmito em escrita o que o coração grita em pulsares de sentimentos. Eu alimento o espaço vazio com meros caracteres separados que se tornam uma obra quando colocados juntos. Eu construo um quebra-cabeça de palavras.
Sendo eu o mestre disso tudo, até que ponto eu dou vida? E à partir de qual ponto a vida se cria por si só? Chega um momento em que o escritor e a obra se tornam um, uma fusão de existências compartilhando da mesma alma. A obra alimenta o autor enquanto este a nutre com criatividade e singularidade que apenas ele possui.
O jogo de palavras, a formação de expressões e o toque de personalidade tornam a escrita algo mágico, intenso e capaz de atingir cada leitor de uma maneira diferente. Há maneiras sutis de destilar sensações ao espremer singelas frases. Há modos bruscos de tornar o irreal verídico. Meios e meios de assombrar, encantar e de expor.
Eu, homem escritor, menino autor, co-produtor de uma obra que escorre de minha alma, observo as conexões se formando em blocos de texto que estavam escondidos em minha mente, muitas vezes tão bem escondidos que eu nem mesmo sabia que existiam e tudo vem à tona num piscar de olhos, sussurrado por uma melodia, fotografado por um relance ou atirado por uma explosão de sentimentos. Um jorro de palavras se esparrama, desordenadas, desajustadas, cabe a mim, o garoto criador, escolher uma a uma, usando a pinça da coerência para apanhá-las e colocá-las na ordem certa.
Quando saberei onde o final começa ou onde o começo termina? As palavras vão dizer, elas sempre dizem... elas sempre apontam a direção. Basta estar atento aos ajustes e retoques. As pinceladas finais colorem a escrita que deixou de ser cinza e virou arco-íris.
Eu, ingênuo sonhador, laço o vento, agarro nuvens e desenho aquarelas. Eu, maluco inventor, atiço engrenagens, desenferrujo as poesias e conserto métricas quebradas. Eu, sádico tirano, arquiteto planos, cuspo veneno e me deleito no caos. Eu, santo pecador, mascaro intenções, rabisco sorrisos maliciosos e visto olhares fatais. Eu, poeta cantor, rimo liras, conto versos e marco ritmos. Eu, em palavras de um autor, sou apenas um escritor perdido no mundo das letras, percorrendo labirintos de palavras, deitado em estrofes de canções. Eu não sei aonde a escrita vai me levar, apenas sei onde ela me trouxe.
Aqui é onde eu quero estar, no sublime mundo encantado da minha mente, onde reino com soberania e a escrita se faz minha refém ou talvez eu apenas tenha sido seduzido por seu encanto, mas disso nunca vou saber.
Eu, soprador de letras, sei por onde começar, mas a alma que dou à minha obra me guia até o final.

Postagem especial para o dia do escritor. Escritor é aquele que escreve, desde poemas em guardanapos de restaurantes à livros de sucesso. Escrever é uma arte. Parabéns a todos os escritores, hoje é nosso dia e parabéns aos leitores, que são a base de tudo o que compomos.

"O maravilhoso mundo novo"

| sexta-feira, 23 de julho de 2010
Propaganda na TV:
"Em vista da aproximação do fim do mundo em 2012, a revolucionária 'Paradise Enterprise' desenvolveu uma biosfera agradável e totalmente segura. Conheça o 'The amazing new world', uma cúpula com capacidade para abrigar 10 milhões de pessoas. Garanta seu novo lar após o apocalíptico evento mundial e salve a si mesmo e a sua família. Os preços promocionais de inauguração são acessíveis..."
- Odeio essas propagandas inúteis na televisão, principalmente quando insistem em colocar essas palavras em inglês que ninguém sabe o que é - resmungou a dona-de-casa rabugenta desligando o aparelho com o controle remoto e se levantando do sofá para checar como estava o preparo do almoço.
O telefone toca.
- Alô...
- A senhora é a responsável pela linha telefônica? - a voz do outro lado perguntou.
- Sim, quer falar com quem?
- Com a senhora mesmo - disse o homem com voz de locutor de rádio - Senhora, gostaríamos de apresentá-la ao incrível "The amazing new world", uma sensacional construção pioneira da "Paradise Enterprise" que visa oferecer a melhor acomodação e segurança para a senhora e sua família, após o "evento 2012". Com base em pesquisas ambientais e populacionais, desenvolvemos um ambiente altamente próximo ao...
- Não tenho interesse, obrigada - ela interrompeu o discurso ensaiado do vendedor e desligou o telefone - Odeio telemarketing - ela chiou e se preparou para ir à cozinha.
A campainha toca.
- Pois não - ela sai ao portão e encara um homem bem vestido.
- A senhora é a dona da residência?
- Sim, o que deseja? - ela perguntou irritada.
- Senhora, esse bairro foi selecionado pela nossa empresa para receber um magnífico desconto de 10% no valor da aquisição de uma propriedade na cúpula da nova civilização pós-2012, veja a senhora mesmo - ele a entregou um panfleto com várias ilustrações.
- Tê amazíngui néu wordi - ela leu e ele a corrigiu com um sorriso.
- Olhe senhora, a cúpula conta com um incrível ambiente naturalmente (artificialmente) verde, a temperatura é ajustada conforme o clima (uma estufa quando está quente e um freezer quando está frio), o ar é renovado a cada 24 horas (ar reciclado carregado de dióxido de carbono, que aumenta com o passar do tempo), uma ótima oportunidade para a toda a família... - as considerações entre parênteses não estavam no panfleto, mas se tratam da realidade.
- É, existe um mundo melhor, mas é caríssimo - comentou a vizinha bisbilhoteira que a todo tempo ouvia a conversa.
- Muito pelo contrário, senhora - o vendedor muito eficiente lhe distribuiu os panfletos - Temos uma tabela de preços que se encaixam no seu bolso, as parcelas saem por menos de R$1000 por mês - as duas senhoras olharam o panfleto que mostrava as parcelas do plano individual: 500.000 vezes de R$990 - Viu? Esse é o pacote básico, se tiverem interesse em ver nossas outras promoções eu estarei inteiramente à disposição das senhoras. Mas deixe-me falar das vantagens que essa aquisição oferece...
- Moço, sabe o que é um mundo melhor para mim? - a senhora perguntou - É um mundo onde meu filho me obedece e não empaca feito uma mula velha na hora do banho, um mundo onde meu chihuahua não latisse tanto como se tivesse engolido um apito, um mundo onde meu marido não roncasse feito um porco engasgado com uma maçã, um mundo onde copa não tivesse vuvuzela e um mundo onde eu pudesse fazer meu almoço sem ser interrompida por vendedores de produtos ridículos feito você.
Ela entrou, bateu o portão e rasgou o panfleto.
Finalmente ela chegou na cozinha, constatou que o arroz havia queimado, que o cachorro latia sem parar e que seu filho ainda não havia se arrumado para a escola. Suspirou e foi lavar o arroz para recomeçar o almoço, nesse momento o rádio ligado anunciava uma oferta sensacional da"Paradise Enterprise".

Pauta para a Gincana do Dia do Escritor do OUAT - Tema: Comédia / Frase: "Existe um mundo melhor, mas é caríssimo."

Obs: O texto ficou mais puxado para a sátira, o que não deixa de ser comédia, espero que tenham gostado.

Presentinhos!

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Ganhei os seguinte selos da Vanessa Monique do De dentro para fora... Agradeço muito pelo carinho e reconhecimento.




Bom, nenhum deles possui regras, então os indico para os seguintes amigos:

Entrevista

| quinta-feira, 22 de julho de 2010
Galera, mês passado eu fui destaque no Once upon a time e ganhei esse selo e uma entrevista, resolvi postá-la aqui para quem se interessar, espero que gostem.


· Quando você decidiu criar um blog?

Eu decidi criar o blog no final de 2008, mas eu nem mesmo sabia o que eu postaria, o criei por impulso e postei muita coisa sem sentido, até abandoná-lo para retornar ao final de 2009, onde comecei a escrever meus pensamentos e em fevereiro desse ano eu realmente peguei firme e desde então o mantenho e agora eu tenho certeza de que não pretendo abandoná-lo outra vez.

· E a escolha do nome, como foi?

A escolha do nome... eu fiquei um bom tempo, antes de criar o blog, pensando em um nome, mesmo sem saber do que se trataria, como disse na primeira pergunta, mas esse nome me veio do nada. "A arte de um sorriso" porque eu sou uma pessoa que sorri quase o tempo todo e gosto de fazer os outros sorrirem também e acho que atingi esse objetivo aqui no blog depois que realmente voltei a ele.

· Qual o post que você mais gosta? Por quê?

Ah, eu gosto de todos (é mal de quem escreve isso, eu acho). Cada texto que escrevi, foi com carinho e emoção daquele momento, mas eu tenho que escolher um, então fico com Doses de vida (um dos mais recentes) porque foi um texto que gostei muito de escrever (com certeza eu direi isso de todos eles, rs), mas esse eu consegui transmitir muito sentimento e eu estava bastante inspirado no dia.

· Qual o post que você mais detesta? Por quê?

Caramba, difícil essa e acho que "detestar" é uma palavra muito forte. Eu não detesto nenhum, mas escolho o O que fazer... pois na época eu apenas fiz perguntas, talvez se eu o reescrevesse hoje eu poderia tentar dar respostas.

· Qual o post que ficou mais popular em seu blog?

Acho que foi o Contagem regressiva, um conto dividido em seis partes que algumas pessoas tem acompanhado desde o começo e tem feito o pessoal pensar sobre a vida. Vou mandar o link da primeira parte: Contagem regressiva - Mês 1

· A partir de qual momento você começou a escrever contos?

Eu levava o blog com textos reflexivos e pessoais até me deparar com projetos, como o de vocês, eu não costumava escrever contos, o último que eu escrevi foi em 2006 para um trabalho de escola, mas os projetos me devolveram de volta a esse mundo e eu estou gostando muito.

· De onde vem sua inspiração?

Eu já esperava por essa pergunta, rs. Minha inspiração vem de muitas coisas, da vida, de momentos, de músicas, filmes, livros... mas acima de tudo ela vem de mim, da minha vontade de escrever e é isso que é bom, porque eu escrevo primeiro porque eu gosto, escrevo para mim e dessa maneira eu acabo atingindo as pessoas, acredito que quando fazemos algo que gostamos, consequentemente atraímos pessoas que gostam também.

· Você gosta de ler outros blogs? Quais?

E como eu gosto, faço minhas visitas diárias aos meus preferidos...

Acompanho vários outros também, mas citei os que vejo com mais frequência.

· Qual sua maior dificuldade na hora de escrever?

Minha maior dificuldade é um bloqueio de criatividade, pois nos contos eu tento abordar diferentes assuntos (se preciso faço até uma pesquisa) e tento escrever algo original e impactante, sei que nem sempre consigo, sei enxergar minhas limitações, sei por quais caminhos devo ir e quais devo evitar na hora de escrever. As dificuldades maiores são aquelas que a gente impõe a si mesmo, o medo de errar ou de que não vão gostar, são exemplos, mas a partir do momento que a gente arrisca, as dificuldades se tornam obstáculos vencidos.

· Pessoa o qual admira? Como pessoa, ou especificamente. Por quê?

Admiro minha ex-professora de inglês, que é uma pessoa que adora viajar e por isso ela trabalha muito para juntar dinheiro e fazer suas viagens. Isso mostra que quando queremos muito uma coisa a gente tem que batalhar por isso e não apenas ficar esperando acontecer.

· Que bandas você gosta de ouvir?

Não sou muito de ouvir bandas, gosto mais de artistas solo (e se eu começasse a citar, eu faria uma lista enorme), mas ouço Dashboard Confessional, Lifehouse, Maroon 5, Mcfly, Parachute, Plain White T's, The Script, The Fray, Vampire Weekend, Westlife, entre outros.

· Qual pessoa mais famosa te inspira?

Charles Chaplin me inspira, me indentifico muito com os textos dele, com a energia sempre positiva e otimismo que ele coloca em cada um, mas acho que eu me inspiro mais nos atos em si, não na pessoa famosa, me inspiro por canções, por gestos, palavras, etc.

· Uma dica para blogs?

Bom, acho que primeiramente o blogueiro tem que gostar do que faz;
tem que escrever bem (isso é imprescindível), tanto desabafos, textos, contos, poemas e afins;
os textos devem ser revisados antes de serem postados, pois tem alguns erros que realmente são cometidos por descuido e falta de atenção;
outra coisa é não seguir para ser seguido e não fazer a típica proposta "te sigo, me segue também" acho isso meio que hipocrisia;
criticar apenas positivamente, pois ninguém deve julgar o que o outro escreve, tanto é que o blog é pessoal e cabe ao dono decidir o que escrever e como escrever

Responda sem pensar:

Música ~> no momento "Count the days - Ernie Halter"
Filme ~> Marley e Eu
Sonho ~> Publicar um livro
Uma frase ~> "Nunca se afaste de seus sonhos, pois se eles se forem, você continuara vivendo, mas terá deixado de existir". Charles Chaplin

Jogo de perguntas

| quarta-feira, 21 de julho de 2010
Sobre a vida e as escolhas... quando saber quando é a hora, quando estamos preparados ou não? A gente nunca sabe. A gente nunca sabe se não arriscar, se não se jogar de cabeça e ver o que acontece. A vida da gente é feita de riscos e escolhas, nem sempre certas, mas que nos levam a conhecer possibilidades.
Muitas vezes, equivocadamente, nos rotulamos de certos e queremos sempre ter razão de tudo e tentamos moldar tudo e todos à nossa maneira, nos frustrando quando as coisas não saem do nosso jeito. Quando enxergar que o mundo não gira por nossa vontade e que nem tudo acontece como a queremos? Quando quebramos a cara e levamos um tapa ardido da realidade, só assim.
Quando reavaliar nossos conceitos e atitudes? Quando isso começa a interferir de uma maneira catastrófica na nossa, e na vida das pessoas ao redor. Quando enxergar os erros, deixar o ego de lado e saber pedir ajuda? Quando parece ser tarde demais. Muitas vezes esperamos as situações chegarem ao extremo para percebermos que há algo errado, é quando olhamos para o problema e vemos que aquele bichinho fofinho se transformou em um monstro horrendo. Muitas vezes temos medo de encarar a realidade e ouvir nossas vozes interiores que nos dizem verdades que machucam, mas que devem ser ouvidas, muitas vezes nos fazemos de surdos e ouvimos as mentiras que compomos pra amenizar as coisas.
Quantas vezes vestimos falsos sorrisos e engolimos lágrimas que rasgam como facas? Quantas vezes buscamos nos outros aquilo que só existe dentro de nós mesmos? Quantas vezes renegamos o amor-próprio por submissão? Quantas vezes nos desonramos por aquilo que apenas aparenta ser o que precisamos? E quantas vezes queremos tanto ter respostas para as perguntas da vida? E essas respostas não estão tão escondidas quanto supomos, elas estão dentro da gente que vivemos distraídos demais para notá-las.
Muitas dessas respostas vêm com o tempo, outras obtemos da pior maneira possível, outras apenas aparecerem quando menos esperávamos e outras chegam quando mudamos as perguntas. Afinal a vida também é um jogo de perguntas e respostas, existem alternativas, existem pegadinhas, perguntas com mais de uma resposta, questões abertas. Nós só temos que estar preparados para esse jogo, saber lidar com o tempo que corre contra nós, saber entender a magnitude de algumas escolhas e as consequências que elas terão e podemos "chutar", por que não? Se errarmos, descobriremos a resposta certa... se acertarmos de cara, saberemos que estamos bons de palpites. Podemos pedir ajudas, consultar fontes, até pular umas perguntas, mas para chegar ao fim do jogo e obter conhecimento pleno, devemos arriscar todas as nossas chances e não apenas responder por responder, e sim aprender que cada pergunta existe por um motivo e que cada resposta traz uma responsabilidade consigo.
Não arquive muitas perguntas na pasta do tempo, vá respondendo conforme dá e quando perceber muitas delas nem eram bichos de sete cabeças. A vida é muito curta para só perguntar e esperar as respostas. Busque-as, molde-as, encontre-as e acima de tudo, aprenda com elas.
O prêmio desse jogo é você quem escolhe, é você quem vive.

Participem da comu ~> Promete...

Amizade renascida

| segunda-feira, 19 de julho de 2010
Eu e ela éramos amigos desde a infância, conhecíamos os segredos e os detalhes da vida um do outro, mas o tempo nos separou, o tempo veio sorrateiro, se aconchegou entre nós enquanto seus braços nos empurravam para longe, um para cada lado, já não caminhávamos na mesma trilha, já não dividíamos as histórias e risos de antigamente.
Foi em uma tarde nublada que recebi seu telefonema, as gotas de chuva começaram a cair e pontuaram a curta frase que ela disse: Preciso te ver.
A voz séria dela do outro lado da linha me deixou intrigado, peguei o carro e em pouco tempo cheguei em sua casa. Assim que a vi, percebi o quão duro o tempo tinha sido com ela, as marcas que a vida lhe impôs eram nítidas e os olhos marejados denotavam uma tristeza sem tamanho.
- Eu senti sua falta - ela me disse - A cada segundo, a cada dia que passava, eu senti sua falta.
- Eu não sei como deixamos nossa amizade chegar a esse ponto - eu respondi - Não sei como nossa união e cumplicidade se deterioraram com o passar dos anos. Nós simplesmente nos afastamos, paramos de nos preocupar...
- Eu sempre me importei...
- Mas nunca fez nada pra me demonstrar isso, você foi me tirando de sua vida aos poucos, foi me deixando de lado, a importância que eu tinha foi ofuscada por outras pessoas que apareceram em sua vida, suas novas experiências deixaram de ser dignas de meu conhecimento. Você me esqueceu. Eu já não era aquele companheiro que compartilhava suas dores e alegrias, você me transformou em um estranho.
- Eu te digo o mesmo, ambos temos culpa aqui. Você sempre esperava que eu o procurasse, era sempre eu que tomava a iniciativa. Você nunca se deu conta de que eu também esperei por você?
Abaixei a cabeça consternado.
- Nós dois erramos, que tal recomeçar?
Ela permaneceu em silêncio por um longo tempo, as lágrimas pingavam e eu tive receio de me aproximar.

- Eu perdi meus pais há dois dias - ela disse por fim - Eles sofreram um acidente...
Naquele instante eu senti o peso da dor dela, caminhei sem pensar em sua direção e a envolvi em um abraço.
- Eu não quero recomeçar... - ela continuou - eu só quero continuar de onde paramos. Eu quero meu amigo de volta, aquele que sempre esteve lá por mim, aquele que sempre me ajudou quando eu precisei...
- Eu estou aqui, eu sempre vou estar aqui e nada mais vai ficar entre nós. Não vou permitir que a vida nos separe outra vez. Me desculpe por ter sido negligente com nossa amizade e eu sinto muito pelos seus pais.
- Promete cuidar de mim... - e ela começou a recitar nosso poema de amizade de infância, revivi aquela cena antiga, dois pequenos amigos debaixo de uma árvore frondosa num dia ensolarado e me juntei a ela:

Promete cuidar de mim quando o vento forte soprar e a maré estiver alta demais para que eu possa nadar;
promete me abraçar quando os trovões rugirem no céu escuro da tempestade;
promete guiar meus passos pela estrada desconhecida do infinito;
promete me ouvir, me aconselhar, me apoiar, me dar a mão quando o medo vier;
promete estar sempre por perto para me ajudar com meus problemas;
promete ser meu amigo mesmo que o tempo venha e nos afaste;
promete ser minha luz quando só houver escuridão ao meu redor;
Promete?

Quando terminamos, minhas lágrimas haviam rolado sem que eu percebesse, pois me dei conta de que todas as promessas foram quebradas, me dei conta de que deixamos aquelas duas crianças, cheias de esperança na amizade, morrerem. Deixamos o tempo apagá-las e sufocá-las no baú de memórias esquecidas.
- Eu prometo - eu disse a ela - Eu prometo.
Ela se soltou de meu abraço, se levantou, apanhou um diário que estava na mesa e me entregou.
- Olhe na data do meu aniversário - ela disse.
Folheei o diário e me deparei com minha caligrafia de tempos atrás:
"A amizade é um amor que nunca morre." Mario Quintana
A pedi uma caneta e escrevi:
A amizade é a promessa de um amor eterno entre dois corações que se reconhecessem. E eu prometo cuidar-te, abraçar-te, guiar-te, ouvir-te, aconselhar-te, apoiar-te, dar-te a mão, estar sempre por perto, ser seu amigo e sua luz.
Ela leu, sorriu e disse:
- Te prometo a mesma coisa.

E depois desse dia nossa amizade de infância foi retirada daquele baú profundo e as crianças passaram a viver em nós novamente, com mais intensidade. A nossa amizade teve altos e baixos, mas a verdade de sua essência nunca deixou de existir e por isso somos amigos ontem, hoje e seremos, com certeza, amanhã. A amizade requer cuidado, carinho, atenção... um amigo é aquele que liga, se preocupa, mas quando isso não acontecer pode ser que ele espere pelas mesmas coisas.
A amizade, quando verdadeira, é como uma fênix, mesmo que se transforme em cinzas, ela renasce.

Pauta para a 53ª Edição do OUAT - Frase

Escada

| sábado, 17 de julho de 2010
Há quem diga que a felicidade está no último degrau, só não contam se existe mesmo uma escada. Mesmo assim, eu me arrisco a seguir, sem saber se ela existe, se no fim dela poderá ou não ter algo a minha espera.


Vou deixando medos para trás, mesmo pensando, se existe mesmo uma escada.
Se hei no início ou fim achar, só me resta imaginar

i
..ma
........gi
...........nar

.

E pelas ruas, vão e vem, escada acima e abaixo
Pessoas descendo desesperadas, outras subindo com tanta ânsia, que parecem fugir de algo


E eu, fico aqui pensando;


Quanta pressa devo ter, a qual passo devo andar, seus degraus ainda ocultos, que surpresa deve haver e um deslize cometido, quanto tempo ainda vou ter?

.

Fecho os olhos, trago o tempo... Se estiver no último degrau ela será minha
Eu vou seguir em frente, mesmo sem saber se é verdade


Mesmo que eu perceba que esse último degrau é voltar donde nascemos ou apenas perceber, que fora uma ilusão,
Que para encontrar a felicidade cabe a nós simplesmente, prestar atenção


Encontrá-la ou não


Porque talvez, possa ser,
Que os degraus sejam você;

Seus medos vencidos, seus sonhos alcançados, sua perseverança te ensinando a esperar, suas escolhas desenhando quem é você, seus momentos te fazendo algum bem, algumas partes de você, sendo pisadas por outra mais forte

Poderá subir a escada e pisar em teus medos, ou poderá encontrar a felicidade de outro jeito, iludindo sua alma, enquanto você desce/corre ao encontro de mais um momento de desvairo/ essa alegria passageira...

Tão falsa... Tão ruim e tão pequena

Porém esse sonho (in)alcançável, pode estar ainda lá em cima
ou n'uma escada que jamais existiu.

Texto feito em parceria com a Tati do [Re]construções

Femme Fatale - Parte 3

| quinta-feira, 15 de julho de 2010
Leia antes a Parte 1 e Parte 2

Entrei no mesmo bar de costume, trajando um vestido azul-marinho que se ajustava perfeitamente ao meu corpo delineado, sentei-me no balcão dessa vez, algo que nunca fiz antes, notei o olhar inquieto e apreensivo do garçom e pedi um Martini. Os olhos dele não negavam, ele me conhecia, ele ouvira coisas sobre mim... ele achava que sabia quem eu era.
- Para entender quem eu sou hoje, você precisa entender quem eu fui um dia - eu disse a ele que se sobressaltou com o som da minha voz, então contei-lhe minha história.
Cresci numa alta sociedade, filha de pais separados e sempre cativa de ressentimentos de ambos os lados. Minha mãe sofreu nas mãos de meu pai que a trocava por outras mulheres. Meu pai dizia não ser amado o suficiente e buscava o que queria fora do casamento. Sempre achei essa atitude repulsiva e tomei ódio por homens que faziam isso e decidi que deveria ensiná-los uma lição.
Em uma noite qualquer, me vesti de vermelho e fui ao bar a procura de algum maldito infiel. Notei de longe a aliança no dedo de um cliente que atirava olhares a todas as mulheres do bar, fui até ele. O conquistei em pouco tempo e tirei todo seu dinheiro. Depois deste dia minha vida nunca mais seria a mesma.
- Essa não é bem a história que eu conheço - o garçom declarou.
- Nunca confie em um homem com o ego ferido - eu disse a ele - Provavelmente ele me pintou como a vilã da história, que partiu seu coração e lhe roubou tudo - ele assentiu em resposta.
Talvez eu tenha mesmo sido a bandida, a ladra que lhe tirou tudo e distribuiu cada centavo para os necessitados e ele me queria presa por isso e tenho que confessar que ele não seria o único.
Outra noite o brilho de outra aliança me chamou a atenção, um erro da minha parte, dessa vez, o homem não era um infiel, ele era um policial que me levou a prisão por roubo, mas ele não sabia que eu era inocente. Consegui escapar da cadeia facilmente. Sumi daqui por algumas semanas.
- Vê aquele bonitão na mesa do fundo? - apontei discretamente, o garçom fez que sim - Ele é dono de uma empresa milionária e trai a mulher há cinco anos. Acho que está na hora de eu lhe ensinar bons modos.
Levantei-me, o garçom em silêncio apanhou o dinheiro do meu drink e observou meu caminhar provocante até o homem em questão que abriu um largo sorriso malicioso ao me ver chegar.
- Tem fogo? - perguntei.

FINAL

Pauta para Sílaba Tônica
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Playlist atualizada

Carta ao Amor

| terça-feira, 13 de julho de 2010
Remetente
Coração ferido
Rua do Desespero
Prédio da Saudade, Andar da Solidão nº1

Caro Sr. Amor

Lhe mando esta carta para dizer que muitas vezes acreditei em ti, me entreguei totalmente aberto e pude senti-lo vibrando dentro de mim. Aos dias que o tive, tudo se tornou mais claro, harmonioso e feliz. Eu batia por pura felicidade, te bombeando por todas as artérias do corpo que te sentiam e se alimentavam de tua essência. Quando te tive por perto, eu me sentia aquecido e motivado. Eu que sempre fora um frágil coração, descontente e vazio, finalmente me encontrei em ti. Eu pulsava freneticamente a cada toque, beijo, abraço, ao som da voz... eu era o coração mais radiante e pulsante do mundo. É, Amor, você me contagiou de uma maneira que eu nunca imaginei ser possível. Pude experimentar das sensações mais sutis ao ápice do seu poder. Fiz loucuras e a maior de todas elas foi me doar por completo. Eu me tornei seu domínio, o lugar que desbravaste e fizeste um reinado. Fincaste tua bandeira sobre mim. Proclamou-se meu dono.
E tudo estava muito bom para mim, eu me rendi aos seus encantos sem muita relutância, me deleitei em seu fervor, mas sem sinal tu me abandonaste, Amor. Destruiu o castelo que havia feito em mim, arrancou as marcas que deixaste e as feridas sangraram e meu sólo se fez seco outra vez. Por que foi assim, Amor? Por que me consumiste por completo para mais tarde me arrancar de mim? Por que levaste minha vida embora com sua partida sorrateira e dolorosa? Tens ideia das cicatrizes horrendas que me deixaste? Tens ideia de que já não confio mais em ti e se me for oferecido outra vez eu relutarei por insegurança? Meu pulsar enfraqueceu, apenas bombeio lágrimas aos olhos que as derramam numa cascata de tristeza e dor.
Por que fugiste de mim, Amor? Meu terreno não é fértil o suficiente? Meus defeitos são demais para ti? Sabe, Amor, cansei de me questionar os motivos que te levaram a partir e sumir da minha vida, eu realmente espero que receba essa carta, assim como inúmeras que chegam até você, talvez pela mesma razão e não se incomode em responder, pois eu sei que virá me visitar novamente, vestindo um novo olhar, pintado com um novo sorriso e cantado por outra voz... eu sei que resistirei para não sofrer mais uma vez, mas também sei que me conquistará e me deixarei seduzir pelo novo você.
Só tenho um pedido, caro Amor, quando me procurar tenha certeza de que eu sou o coração certo, não me faça sangrar de novo. Caso não saiba, as transfusões de doses sintéticas de você são fáceis de encontrar, mas não se equivalem a força que só sua proteína pode oferecer.
Então eu aguardo com ânsia e receio a sua nova chegada. Me faça acreditar em ti outra vez.

Sinceramente,
(mais) um Coração Partido

Destinatário
Amor
Avenida dos Sentimentos, próximo à Praça dos Sorrisos
Casa da Paixão nº2

Pessoal, o texto é fictício, tá? Meu coração tá bem, haha

O colecionador de almas

| domingo, 11 de julho de 2010
Eu passava poucas vezes por aquela rodovia, mas todas as vezes que passei por ali, perto de um casebre abandonado no meio da estrada eu sentia um calafrio e um tremor pelo corpo. Havia a lenda de que o casebre era mal assombrado, essas casas velhas despertam a imaginação das pessoas, mas aquela tinha algo mais. Dois amigos meus insistiram para que eu os acompanhasse até lá uma noite, muito relutante, eu concordei. Menti para meus pais dizendo que dormiria na casa de uma amiga. E então fomos até a casa, uma menina e dois meninos despreparados para o que encontrariam.
Chegamos perto da casa, a lanterna que um de nós carregava parecia um vagalume franzino na imensidão total. A lua crescente brilhava sinistramente no céu, como um sorriso macabro de boas vindas. A casa de madeira parecia respirar e sussurrar. O piso rangia. A porta da entrada estava aberta, achamos estranho, pois poderia haver algum mendigo morando ali. O tremor se espalhou pelo meu corpo ao dar o primeiro passo para dentro da casa escura. Meus amigos riam de ansiedade.
A casa estava deserta, os cômodos vazios e cobertos de pó. Um cheiro forte nocauteava nosso olfato, cheiro de podridão... cheiro de morte.
O vento entrava pelo vidro quebrado da janela e os sussurros aumentavam.
Senti uma movimentação, vi um vulto cruzar meu olhar e sumir de repente.
- É melhor irmos embora - sugeri e os dois caçoaram de mim com piadas machistas.
Um grito de pavor cortou a noite e a lanterna despencou no chão.
- O quê foi isso? Onde ele foi? - perguntou um deles se aproximando de mim.
Meu coração disparou em alta velocidade e a porta da frente se fechou violentamente, com um baque surdo.
- Não tem graça - gritei para o nada, meu amigo certamente estava nos pregando uma peça.
O silêncio respondeu. E aos poucos um barulho contínuo foi surgindo, eram gotas caindo... o som de gotas abafadas pela poeira do assoalho. Peguei a lanterna e a fiz iluminar o ambiente e dessa vez meu grito ecoou pela casa.
Meu amigo que tinha desaparecido estava pendurado no lustre por um arame envolta do pescoço e o sangue pingava... escorria... a poça negra crescendo debaixo de seus pés.
- Quem fez isso? O que está acontecendo? - meu outro amigo perguntou apavorado, com lágrimas nos olhos - Temos que sair daqui, vamos. - ele agarrou meu braço.
"Ninguém vai deixar essa casa", uma voz rasgou o ar, tão fria e sibilante que parecia arranhar nossos ossos.
- Que... que... quem está aí? - meu amigo gaguejou.
- Nos deixe em paz - eu pedi entre soluços.
Outra movimentação e senti meu braço sendo puxado enquanto meu amigo gritava de desespero...
- Não me solte, não me solte, não... - sua voz foi sufocada, seu aperto se tornou mais fraco. Tive medo de apontar a lanterna até onde ele estava, mas o fiz.
Sua cabeça estava completamente virada para trás e o sangue escorria por sua boca, manchando o chão.
- Me deixe ir embora, me deixe ir - gritei assustada e me encolhi num canto do cômodo, me agachei, a visão embaçada pelas lágrimas e meu coração pulsando como nunca.
"Você vai ficar aqui para sempre", a voz afiada falou outra vez, a senti perto de meu ouvido.
Levantei apavorada e corri até a porta. Tentei a maçaneta, nada. Chutei com toda força, mas ela não cedeu.
Senti um suspiro gelado no meu pescoço e o calafrio me dominou, junto com a dor dilacerante da lâmina que penetrava minha barriga e me cortava sem piedade. Cai ajoelhada, me engasguei com o gosto de sangue e uma escuridão completa me abocanhou.

1 ano depois

- É aqui aquela casa que dizem que é assombrada, onde foram encontrados os corpos de três jovens. Nunca descobriram quem matou quem - disse um dos cinco rapazes que se aproximavam da porta.
Minha alma presa lá dentro os alertava para voltarem, mas não me viam... Quebrei um pedaço de vidro que ainda restava da janela e eles se entreolharam intrigados.
- Parece que é assombrada mesmo, vamos - disse outro abrindo a porta.
Acenei agitada, tentei tocá-los, gritei... mas meu sinal sumiu no ar, andou para longe e jamais encontrou ouvidos.
Os cinco entraram.
E a casa e seu proprietário fantasma acabavam de ganhar novos moradores... para toda a eternidade.

Lá fora, a lua crescente pintada de vermelho exibia o mesmo sorriso diabólico da noite da minha morte.

Pauta para a Gincana do Dia do Escritor do OUAT - Tema: Terror / Frase: "Meu sinal sumiu no ar, andou para longe e jamais encontrou ouvidos."

Meme + selos = feliz

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Recebi um meme da Lu.S do No Recreio, onde eu tenho que dizer 6 coisas sobre mim que talvez vocês não saibam.
Então vamos lá...

1 - Meu nome completo é Rodolpho Padovani de Brito, mas meus amigos me chamam de Rodi.
2 - Faço aniversário dia 19 de dezembro.
3 - Já entrei na frente de um carro para salvar uma cachorrinha e adotei ela.
4 - Tenho dois irmãos caçulas, um de 17 e um de 4 anos.
5 - Recentemente criei um blog para contar histórias cômicas que já me aconteceram e acreditem, foram muitas. O blog ~> Debaixo do pé de açaí
6 - Eu já caí de cavalo numa fazenda.

Selos

Ganhei esse selo da Letícia do Algodão Doce.


Ele tem algumas regras:

1- Para ti, um olhar vale mais que 1000 palavras?
Sim, pois tem coisas que palavras não são o suficiente para dizer.

2- Ainda te lembras a quem lançaste o teu primeiro olhar?
Huum, acho que não.

3- Comentar o blog de quem o criou.


Esse eu ganhei da Ariane do Era apenas um sonho e ele não possui regras.


Ganhei outros dois da Nathalie do Que seja doce, como eu já os tinha eu acrescentei o nome dela na minha página de selos.

Muito obrigado pelos selos, fico muito feliz quando se lembram daqui e me presenteiam.

Tudo isso aí em cima eu indico para:

Uma canção para você

| quinta-feira, 8 de julho de 2010
♫ (...) And I promise you kid that I'll give
So much more than I get
I just haven't met you yet... ♫
Haven't met you yet - Michael Bublé

Escrevi uma canção para você, uma canção que enaltece todas as suas qualidades. Escrevi para ti a canção mais bonita, o poema mais suave e o ode mais puro de todos. Usei de palavras tenras para acariciar seus ouvidos e acalentar seu coração. Brinquei com as notas, sussurrei acordes líricos que flutuaram e se esconderam nas entrelinhas, segui o compasso, fiz arranjos para te fazer sorrir, inventei ritmos.
Ensaiei a harmonia dos sons para que tudo ficasse perfeito para ti, escalei uma orquestra magnífica para tocar a mais bela serenata a você.

A cada vez que fecho os olhos eu te vejo, seu perfume vem até mim, sua voz e seu riso singelo se fazem presentes e me abraçam como o vento ao redor. Eu vejo a cena diante de mim, como um filme sem roteiro, feito apenas de improvisos e palavras mudas. Sinto seu toque em minha mão e quando abro os olhos a realidade volta a mim. O nada me cumprimenta e o gosto doce do devaneio se torna amargo.

A canção solitária no papel se entristece por não ser cantada, as notas perdem o tom e a melodia se ensurdece. O timbre procura a intensidade que se vai junto com a esperança. A partitura me questiona quando o ensaio termina e a quando a sinfonia verdadeira começa... mas eu não tenho resposta, minha voz se perde num falsete desafinado e se cala de vez. Quando a canção sairá do papel? Anseio por essa resposta também.

E mais uma vez mergulho em pensamentos sobre você, me deleito nos breves momentos de calmaria que eles me trazem enquanto te sinto comigo. E é nesse mundo onírico que eu canto para ti a canção que compus... declamo os versos, encontro as vozes perdidas e volto ao que é real antes do fim da canção...

Escrevi uma canção para você, mas você é apenas fruto da minha imaginação. Ainda não te encontrei. Ainda não sei teu nome, não conheço teu rosto, não sei o gosto do teu beijo... minha canção apenas espera, os versos mudos aguardam sua chegada.
Meu coração bate no ritmo do dó-ré-mi que ensaiei para ti... mas minha canção só se fará completa quando me trouxeres o fá-sol-lá-si.

Pessoal, esse texto foi escrito por engano, rs. Mas eu gostei e decidi postar.

Contagem regressiva - Mês 6 (Final)

| quarta-feira, 7 de julho de 2010
Hora do conto - Se você não leu, leia antes o Mês 1, Mês 2, Mês 3, Mês 4 e Mês 5

Sabe quando você sabe o que tem fazer, mas não sabe por onde começar? Eu estou nessa fase, quando olho para trás vejo que muita coisa poderia ter sido feita de uma maneira diferente, mas vejo o quanto mudei de lá para cá. Enxergo minha mudança interior, onde aprendi onde se escondem os verdadeiros valores da vida, tristemente percebi isso tarde demais. Percebi que há coisas que foram feitas que jamais terão conserto, que palavras amargas que cuspi feriram muitos que hoje não poderei me redimir. Mas "tarde demais" ainda não é o fim. Ainda há uma chama de vontade acesa, uma chama prestes a se extinguir, mas que ainda é o suficiente para aquecer. Tive a oportunidade de me despedir de muitos, de pedir perdão com arrependimento e perdoar verdadeiramente outros. Reuni coragem para dizer palavras há muito estavam entaladas em minha garganta. Ousei olhar para rostos que acreditei que nunca mais fosse encarar. Finalmente atei as pontas soltas. Terminei assuntos inacabados.
Nesses últimos meses, ironicamente, a vida me ensinou a viver. Me mostrou meu verdadeiro eu que se escondia atrás de máscaras de inconformismo, solidão e indiferença. A vida começou a cuidar da morte, que agora é uma companheira que caminha lado a lado, a vejo mais nitidamente, sinto seu toque gelado enquanto durmo e muitas vezes espero não acordar, mas acordo e um sol divinamente esculpido e brilhante me saúda. Mais um dia de vida, ou mais um a menos? Parei de me perguntar isso. Apenas me levanto, olho pela janela, dou bom-dia ao mundo e agradeço a Deus por mais dia.
Iniciei uma meta de falar com pelo menos uma pessoa que há muito tempo não falo, pego minha agenda antiga de amigos do passado e os ligo. Afastei ressentimentos familiares e voltei para os braços dos meus pais. Retirei as vestes da vergonha e me mostrei como sou a todos. Um homem fraco, com seus temores e anseios.
O tempo agora se tornou um carrasco imprevisível. Não sei o quanto dele ainda me resta.
Meu coração bate descompassado, minha respiração falha, meu corpo dói e quando acho que finalmente vou deixar esse mundo, tudo isso se restaura. E quantas vezes na nossa vida é assim? Vemos os problemas tomarem forma e se ajeitarem por si mesmos. Mas muitas outras vezes esperamos demais, observamos o problema e não fazemos nada para mudar. Quantas vezes perdemos oportunidades por medo de tentar? Quantas vezes preferimos nos calar quando deveríamos falar ou falamos quando deveríamos deixar o silêncio atuar? Quantas vezes machucamos os outros e ignoramos? Quantas vezes ferimos a nós mesmos sem piedade? Quantas mentiras contamos, em tantas outras acreditamos. Quantos erros e acertos tivemos? Quanto tempo desperdiçamos com algo que não valia a pena e quanto tempo deixamos de utilizar com aquilo que realmente era relevante? A vida ensina a gente todo dia, pequenas lições diárias, pequenos exemplos tímidos que nunca notamos. É sempre preciso uma tragédia para colocar as coisas no lugar.
Para quem fica eu só digo que viva intensamente, saiba aproveitar o que a vida tem de melhor e quem você tem de melhor. Abra os olhos para as coisas mais simples e verdadeiras. Deixe de lado pensamentos negativos e o rancor. Delete o ódio. Substitua as tristezas por alegrias, as lágrimas por sorrisos. Afinal, a gente nunca sabe quando nossa vida vai terminar, quanto tempo ainda teremos para acertar as contas. Comece aos poucos.
Acredito que já estou pronto para embarcar nessa última viagem, dei a mão para meu destino irrevogável e caminho rumo ao desconhecido. Não vejo luz nem trevas.
Meus batimentos se tornam mais fracos.
Um jorro de imagens passa pela minha mente.
Um último suspiro proclama o adeus.
E os meus olhos se cerram para sempre.
Se isso é o fim, ainda não sei, talvez seja apenas um novo começo.

Obs: É isso gente, o final foi esse, nada de tão impactante e imprevisível, agora tenho que fazer algumas observações.
No mês 1, o personagem descobre sobre a doença e à partir do mês 2 ele começa a passar pelos 5 Estágios do Luto (ou Perspectiva de Morte, nesse caso) e a cada mês ele vivencia um estágio, que são: Negação, Raiva, Barganha, Depressão e Aceitação. A intenção que tive ao escrever esse conto foi passar uma reflexão sobre a vida. Espero que tenham gostado.



Galera, visitem meu outro blog: Debaixo do pé de açaí

Femme Fatale - Parte 2

| segunda-feira, 5 de julho de 2010
Leia a primeira parte aqui

Tem fogo?
O garçom sentiu um arrepio na espinha ao ouvir a pergunta e lentamente se desviou da mulher estonteante e voltou para trás do balcão. A observou de longe enquanto ela lançava sorrisos de sedução e passava o cigarro e os dedos pelos lábios escarlate, seu acompanhante a olhava como se a despisse com os olhos e mal sabia que estava prestes a se deixar ludibriar por uma ladra. Os dois se levantaram e deixaram o bar, ele com o braço em volta de sua cintura, a guiando para fora. O garçom apenas assistiu o desenrolar da cena se perguntando se a veria novamente.

2 semana depois

- Uísque - pediu um homem com um ar irritado e o garçom o serviu e sua fisionomia não lhe era estranha.
O homem olhava para todos os cantos do bar, talvez procurando por alguém e se perdeu em pensamentos. Fora há duas semanas que uma das mulheres mais bonitas e sensuais que ele vira havia se aproximando de sua mesa, mas este é um passado que deve ser esquecido.
Os dois conversaram por alguns minutos e as propostas indecentes feitas pela dama de preto ao pé de seu ouvido soaram como um perfeito convite para uma noite sensacional. E então deixaram o local.
Dentro do carro as insinuações da mulher se exaltaram e o calor do momento atingia o ápice. Ela soltava baforadas de fumaça e passava a mão para alisar o cabelo, fazendo uma dança de movimentos provocantes, enquanto sussurrava coisas obscenas no ouvido de seu acompanhante.
Ele dirigia tentando se concentrar no tráfego. Costurando pelas ruas com uma habilidade impressionante.
Chegou ao destino desejado, abriu o porta-luvas se dobrando por cima da mulher que começou a beijar seu pescoço.
- Você gosta de brincar? - ela perguntou maliciosamente ao ver que ele havia apanhando um par de algemas.
- Sim, gosto de brincar de pegar ladrões. Você está presa - ele respondeu e a algemou, ignorando o olhar estupefato da mulher que só agora havia se dado conta de que estavam parados em frente a uma delegacia.

2 semanas antes

Ela, em sua cela, encarou o guarda de plantão e o chamou. Ele caminhou pesadamente até ela.
- Estou com sede. Tem água? - ela pediu ao mesmo tempo em que suas hábeis mãos retiravam as chaves do cinto dele.

Pauta para Bloínquês

Obs: A primeira parte foi escrita há um tempo já, mas gostei muito de ter escrito e a personagem intrigante da mulher fatal deixou com um quê de quero mais e então decidi escrever essa outra parte, espero que tenham gostado.

Contagem regressiva - Mês 5

| sábado, 3 de julho de 2010
Hora do conto - Se você não leu, leia antes o Mês 1, Mês 2, Mês 3 e Mês 4

Estar naquela condição me levou a refletir sobre a vida. A que se resumia a vida, afinal? Eu não havia escrito um livro nem plantado uma árvore, não tive filhos nem viajei pelo mundo, não realizei meus sonhos e isso é apenas pouco do muito que não fiz e nem terei a chance de fazer. Tantos planos para uma vida prestes a se acabar.
Como se mede um vida? Pelos anos? Pelos momentos? Pela intensidade dos sentimentos? Acredito que seja uma soma de tudo isso, de experiências, dores e alegrias.
A vida é uma coisa sem sentido, se você parar para pensar, pois a gente nasce, aproveita ou não e depois é o fim. Parece que não há um motivo ou razão para se passar por isso, para viver. Afinal, quando chegar a despedida quem ficar vai sentir minha ausência por quanto tempo? A pior coisa da morte é o esquecimento. Não vou deixar nada além de poucas lembranças que se apagarão com o tempo, assim como voltarei a ser pó levado pelo vento.
Durante toda a minha vida eu apenas fui seguindo cada dia, nunca pensando no amanhã. Confesso que fui estúpido a ponto de achar que agregar valores materiais era o que me bastava para ser feliz, mas não levarei nada do que adquiri comigo, no final o que importa e sempre importou foram as pessoas que estiveram ao meu redor, elas são meus bens mais valiosos e sem preço. Eu queria permanecer verdadeiramente na memória de cada um e não ser esquecido aos poucos conforme o passar dos dias, mas isso é inevitável, eu acho... a morte é a grande borracha da vida, ela apaga tudo que um dia existiu.
Quando paro para analisar tudo, a percepção de saber que o fim está visível ali na frente do caminho, que não há mais nenhum curva, me remete a entender que não mais verei o sol, não mais sentirei o vento bater em meu rosto, não mais sentirei o gosto de beijos e o aperto de abraços, não mais sentirei a água da chuva e o cheiro de rua molhada. Daqui pra frente, a frustração me bate a porta, sempre acompanhada de uma apatia pegajosa que se instala em mim.
Tudo perdeu a cor e o brilho, meu paladar perdeu o sabor, as canções perderam a melodia, minha vida perdeu a razão.
Quando olho para frente e não vejo um futuro brilhante me esperando, as lágrimas me vencem num duelo rápido e o tempo indiferente passou de uma maneira imperceptível.
"Sinto muito", o médico tinha me dito há 5 meses.
E agora que me resta apenas 1? Um "sinto muito" me parece uma frase clichê demais para ser usada. Seria mais apropriado se ele dissesse "conforme-se".
E é isso o que me resta a fazer, agora que os últimos passos começam a ser dados nessa estrada que eu nunca cheguei a ver o fim, mas olha ele ali, me acenando a poucos metros e eu apenas caminho relutante, tentando fazer de cada passo um momento de glória.

EM BREVE - MÊS 6 (PARTE FINAL)

Me revelando em fotos

| sexta-feira, 2 de julho de 2010
A Juu Sep do Só podia né? me indicou esse meme, onde tenho que expor minha vida em fotografias.

Quem sou eu:
(esse cara aí ;P)


O que me faz sorrir:





O que me faz chorar:


Minha cor é:


A melhor lembrança:


A música é:
(entre muitos outros)


Um filme:
(entre muitos outros também)


Um pecado:


Um cheiro:


Esporte:


O hobby:




Livros:
(entre muitos outros)



Sonhos:




Três lembranças fofas da infância:




É isso aí, não costumo fazer postagens com imagens, mas entrei na brincadeira.
Espero que tenham gostado.
Agora indico os seguintes blogs para brincarem (ou não)

Um pedido do futuro

| quinta-feira, 1 de julho de 2010
Não sei como aquele pedaço de papel veio parar até aqui, o apanhei no solo árido e li a breve linha desprovida de esperança.

"Como estará o mundo daqui a 50 anos? Eu acredito que até lá não existirá mais mundo - 01/07/2010"

Reli algumas vezes e soprei as palavras de resposta ao vento:
Estou no ano de 2070, o mundo ainda existe, mas não aquele mundo que tantos sonhavam. O mundo se transformou de verde e azul para um deserto sem fim. Grande parte dos animais que você chegou a conhecer um dia, está extinta, a população se reduziu a poucos milhares, apenas os que sobreviveram a seca devastadora e às doenças. As chuvas são raras por aqui e quando chove é chuva ácida. Lagos, rios e mares secam por todo canto. A escassez de água dizimou o planeta. Os ventos que sopram são quentes, não há árvores mais, o ar é sujo e poeirento. A humanidade voltou a uma era onde somente os mais fortes sobrevivem. A tecnologia que você conheceu só serviu para agravar o problema, com emissões de poluentes e destruição da camada de ozônio, que quase não existe mais. Os pólos norte e sul derretaram e a vida já não existe mais por lá, e como consequência disso, centenas de cidades litorâneas foram engolidas pelo mar. As pessoas viraram nômades, vagando pelo sólo estéril a procura de um lugar melhor para se viver, mas já não creio que exista tal lugar. A morte paira no ar e nos deparamos com suas vítimas por onde quer que vamos. Homens e bichos lutando por sobrevivência. O sol castiga com seus raios como línguas de fogo.
Eu digo estas palavras em vão, mas desejo que os ventos as carreguem ao passado, como um grito de súplica à sua geração, para que possam impedir que isso aconteça, para que façam algo enquanto há tempo.
Pois agora na situação caótica desse mundo desolado, faço tuas as minhas palavras quando me perguntarem do futuro. Ou melhor, acredito que o mundo ainda existirá, mas será um vasto globo vazio.

Pauta para Sílaba Tônica
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Selo


Ganhei esse (meu primeiro selo em movimento, rs) e mais dois selos da Luria Corrêa do Distúrbios Sóbrios e da Lu.S do No Recreio, os outros eu já tinha, mas acrescentei o nome delas na minha página de selos, assim como os selos que ganhei da Julia Françozo do Alice em metamorfose. Muito obrigado meninas.
Esse selo não tem regras, então vou oferecê-lo para as cinco pessoas que comentarem aqui primeiro.
Grande abraço pessoal.

Para ver todos os selos clique aqui.
 

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