Keblinger

Keblinger

No aeroporto

| terça-feira, 22 de junho de 2010
Por ser piloto de avião, eu vivia mais nas nuvens, literalmente, do que com os pés no chão. Eu passava muito tempo longe de casa e levava a saudade sempre como co-piloto. Eu ía de um país ao outro, ficava dias por lá até retornar e esse é o preço que se paga por um sonho. Sempre quis ser piloto, sempre quis ter a sensação de que o céu era o limite, mas isso foi antes de eu me apaixonar. O amor, às vezes, chega em horas inconvenientes, devo confessar.
Eu estava no aeroporto, comendo um croissant intragável e tomando um café amargo quando ela passou por mim, lutando com a bagagem de mão. Me ofereci para ajudá-la e assim que nossos olhos se encontraram foi... normal. É, não acredito nisso de amor à primeira vista. Mas eis que outro dia, no meu horário de descanso eu topo com ela de novo, mesmo problema, a bagagem. A ajudei novamente e dessa vez nossa olhar cruzado, meio de esguelha, teve um brilho diferente. E na terceira vez (sim houve uma terceira vez, e por incrível que pareça eu desejei que essa vez chegasse, pois ela sempre estava nas alturas em meu pensamento), eu a convidei para um café. Ela aceitou e começamos a falar da vida.
Ela era professora e uma daquelas mulheres desastradas capazes de quebrar alguma coisa só de tocar. E ela estava me falando sobre isso.
- Eu costumava ser muito mais desastrada, sabe? Mas mudei muito, por exemplo, já consigo colocar os ovos na geladeira sem quebrá-los. - ela contou rindo e prosseguiu - Uma vez fui ao dentista e enquanto ele estava fora, esbarrei em um aparelho que se ligou e fez um estrago enorme no estofamento da cadeira odontológica, tive que arcar com a despesa, é claro - ela riu e derrubou a xícara de café. E nós rimos. Fazia muito tempo que eu não ria daquela maneira e depois desse dia marcamos de sair mais vezes.
Toda vez que nos encontrávamos, eu falava sobre minhas viagens e ela contava suas trapalhadas.
- ... e os pacotes de gelatina caíram da prateleira enquanto eu tentava apanhar a garrafa de refrigerante que eu atirei para cima, sem querer. Queria que você estivesse lá, sinto muito a sua falta e nosso tempo juntos não é o suficiente - ela relatava sorrindo um desastre no supermercado e emendou outra sentença que mal percebi. Ela falava rápido e juntava um assunto ao outro.
- Sinto a sua falta também e o tempo que temos, se estamos atentos, será sempre exato - eu disse e ela sorriu concordando com a cabeça.

Eu ainda continuo viajando, ela continua com suas aventuras cômicas, mas uma aliança em nosso dedo nos une, não importa onde estamos. Adoro voltar para casa e ter que arrumar alguma cadeira quebrada e comer bife queimado enquanto ouço as histórias de minha mulher. Estamos felizes juntos. A gente meio que se completa, sabe? Ela quebra e eu conserto, coisas assim.
E nosso amor é o que importa, pois esse é inquebrável.

Pauta para a 49ª Edição do OUAT
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Playlist atualizada

10 sorrisos compartilhados:

{ Amanda Lisbôa } at: 22 de junho de 2010 00:27 disse...

*Eles se completam... que nem feijão com arroz*

ounnnn... ameiii!!!

^^

{ Tati } at: 22 de junho de 2010 00:33 disse...

'A gente meio que se completa, sabe?'


É isso que acontece... É isso que acontece comigo.
Gostei muito.

Muito bem escrito.

{ Karenzinha } at: 22 de junho de 2010 01:10 disse...

Sem palavras.. Perfeito!!

{ Flávia } at: 22 de junho de 2010 01:14 disse...

Adoreeei esse!

Que tchucoo!
Histórinha legaal, divertida... E lindinha! =)

Adoreei!

"A gente meio que se completa, sabe?"

"E nosso amor é o que importa, pois esse é inquebrável."
Ouun! :)

beeijos bb

{ Rafaela Cabral . } at: 22 de junho de 2010 10:32 disse...

Rodolpho , fiquei sem palavras . Cada post que você faz , que me emociona sempre mais . Adoro aqui *-* beijos :*

{ Rute Vieira } at: 22 de junho de 2010 14:28 disse...

o melhor, melhor, melhor, de todos os melhores que já li aqui. SEM DÚVIDAS!
cara, foi perfeito esse.
"A gente meio que se completa, sabe? Ela quebra e eu conserto, coisas assim."
perfeito perfeito perfeito! x)
parabéns, Rodolpho! :DD

beijo no ombro

{ Gabriela F. } at: 22 de junho de 2010 15:52 disse...

"Ela quebra e eu conserto, coisas assim."
QUE LINDO!
ah, eu tbm preciso de um desse; porque desastrada que nem eu, so vi essa aí... :D
beeeijos

{ Melodias de uma garota nada normal !!! } at: 22 de junho de 2010 17:24 disse...

muito lindoo ..acho q todos nóis sonhamos com alguem que possa nos completar *-*
seguindo aki bjinhos

{ Felipe } at: 22 de junho de 2010 17:31 disse...

Uol, se não desse em casamento eu iria desconfiar. Se encontraram 3 vezes, no aeroporto. Gostei. Hahahaa. Acredito quando um amor é verdadeiro e tem que acontecer não importa o lugar e nem nada. Ele vai acontercer.

{ Milla } at: 22 de junho de 2010 22:09 disse...

Ah gostei da história. Sou meia desastrada também e muitas vezes acabei me divertindo com pessoas diferentes por causa disso :) Achei legal como os dois se completaram no final e ele ainda manteve seu sonho.

beijos

 

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