Keblinger

Keblinger

Bom dia Sol

| quarta-feira, 9 de junho de 2010
Em todas as férias de verão minha família e eu viajávamos até a praia. Temos uma casa por lá e eu simplesmente adoro esses momentos. Nos sentimos mais juntos, mais família mesmo. Adoro a maresia, o cheiro de mar, a areia, o sol, tudo. Esse era mais um de nossos verões litorâneos.
Toda manhã, meu pai e eu íamos ao píer e nos sentávamos para assistir ao nascer do sol, dois espectadores de um dos maiores números da natureza. Ali no nosso assento principal, víamos o enorme globo de fogo se içar ao céu, como se emergisse do oceano lá no fim do horizonte. Enquanto o astro rei se erguia no azul claro da manhã, eu e meu pai, sentados conversando na beira do mar, planejávamos nossa rotina diária. E foi assim pelo resto das férias, pelos anos seguintes e por um bom tempo.
Hoje me sento sozinho diante do imenso mar, meu pai já se foi, assim como muitos de minha família, uns para não voltar mais, outros foram para cantos escondidos, a vida acabou nos separando. E eu aqui sentado, esperando meu ídolo, me ponho a pensar nas coisas que aconteceram, em tudo o que passei e vivi ao lado de todos eles. Sinto o vento gelado bater em meu rosto, vejo as ondas se quebrando na encosta lá longe, escuto o canto dos pássaros que despertam para um novo dia e espero por ele.
Papai sempre me dizia que os grandes homens são aqueles capazes de ver a beleza nas pequenas e mais simples coisas da vida. Talvez eu deva me considerar um grande homem, pois nunca abandonei esse momento que era meu e dele.
E a espera termina, lá vem meu majestoso amigo subindo ao céu, todo sorridente e caloroso. O nascer do sol é um espetáculo grandioso que a maioria das pessoas perde, mas nem por isso ele desiste de irradiar sua luz para o mundo.
Agora eu entendo, papai. Entendo que não importa se ninguém ver meu esforço, o que importa é que eu fiz.
Me banho na luz morna da manhã, respiro o ar salgado e saúdo as gaivotas que pairam no ar.
Conservei isso comigo, o hábito de estar ali todas as manhãs. Esse é um jeito de me sentir mais perto da família e da natureza.
Mais um dia começou, hora de planejar a rotina diária, assim como papai eu fazíamos. Sei que em algum lugar ele sorri para mim todas as manhãs.
Agora você me pergunta: "E quando não tem sol?"
E eu respondo: "Não é porque o sol não nasceu que ele deixou de existir."
A gente não acredita só naquilo que os olhos podem ver, eu nunca vi o vento, mas eu posso sentí-lo, quando o sol não vem mesmo assim eu sinto seu calor.
Aprendi muito com meu pai, lições sobre a vida, o mundo... o sol. E se eu puder passar metade disso adiante, já me sinto feliz.

Pauta para Bloínquês - Tema: "Sentados conversando na beira do mar"

14 sorrisos compartilhados:

{ Tati } at: 9 de junho de 2010 00:19 disse...

Bom...

Gostei da reflexão... Eu cortaria um pedaço do final, mas gostei da leveza e da intensidade Moço.

Grande Beijo

{ Pires Silva } at: 9 de junho de 2010 01:57 disse...

Que perfeito o texto, me senti até aquecida de tanto imaginar aquele luminoso nascer do sol na beira da praia. Cenas maravilhosas que Deus faz acontecer todos os dias e passam despercebidas. Ótimas comparações e metáforas. Como sempre, meu ídolo

{ Carolyne Mota } at: 9 de junho de 2010 14:53 disse...

tem selo pra você no meu blog, espero que goste!
beijo!

{ * Luria Corrêa , } at: 9 de junho de 2010 15:30 disse...

Muito liindo o texto rodolpho, como narração daqueles filmes de verão. Gostei e me identifiquei, apesar de nunca ter conhecido o mar :)

Beijos.

{ Rebeca Amaral } at: 9 de junho de 2010 18:43 disse...

que descrição bela. me senti na história!

adorei! um texto maravilhoso!

beijos!

{ Ariane s.s } at: 9 de junho de 2010 19:32 disse...

Nossa ! Super lindo seus textos , já li todo seu blog !
Adoro ...
Beijos *
visita lá o meu

{ Gabriela F. } at: 9 de junho de 2010 20:06 disse...

Seu pai estava, certissimo! E não tenha dúvidas, és um grande homem... =))
bem bonito teu texto
e que venha o sol, e as ondas batam nos pés
beijos

{ Milla } at: 9 de junho de 2010 21:55 disse...

Acho que realmente é algo para se pensar e acreditar. Algumas vezes fazemos as coisas só para ter reconhecimento, mas quando ele não vem muitas pessoas desistem..Não vale a pena abrir mão daquilo que você lutou para ter.

beijos e belo texto :)

{ Jaci Macedo } at: 9 de junho de 2010 21:56 disse...

Lindo texto, Rodolpho! Pude me sentir dentro do texto. Adoro quanto o que leio me faz sentir assim. Beijos (:

{ Sophia'sLu } at: 10 de junho de 2010 00:32 disse...

Que sutileza. A gente vai sentindo a leveza (comparando ao vento) do texto. Vai fluindo e fluindo. "Entendo que não importa se ninguém ver meu esforço, o que importa é que eu fiz.". Isso é tão real, mas a gente nem percebe. Parabéns pelo texto Rodolpho. Estava com saudade deles. Já tem um tempinho que não apareço não é!
Beijo.

{ mcebert } at: 10 de junho de 2010 14:19 disse...

Adorei esse! o final é legal, fiquei triste pq o pai morreu, mas acontece... Esse não é o meu forte, escrever textos sentimentais, eu sou mais do terror e da comédia, mas vc escreve super bem! rsrs

{ Vanessa Monique } at: 10 de junho de 2010 14:20 disse...

Aprendemos muitíssimos com tds aqueles q nos rodeiam,do mais novo ao mais velho.
O bom é escutar sempre :D
Espero tua visita!
:*

{ @juusep } at: 11 de junho de 2010 16:53 disse...

AA que bonito! *-*

{ Amanda Lisbôa } at: 12 de junho de 2010 00:45 disse...

é como eu pensoo.. por mais que as pessoas não percebam.. ou não reconheçam... precisamos tentar... pq vc sabe...

TENTAR NÃO SIGNIFICA CONSEGUIR.... MAS TODOS QUE CONSEGUIRAM.. UM DIA TENTARAM!!!

^^

 

Copyright © 2010 A arte de um sorriso