Keblinger

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Saudades da minha terra

| terça-feira, 27 de abril de 2010
Para todos que me perguntaram o que eu faria nesse final de semana eu respondi "talvez eu passe um tempo longe da cidade."
Decidi retornar para as minhas raízes, visitar minha mãe, a quem não vejo há muito tempo. Pelas estradas de terra do interior, me dirijo à minha velha casa de tijolos vermelhos. Canto junto ao som do carro. Uma música que fez parte da minha infância e que sempre gostei.

"Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule de café em cima do fogão
Fogão de lenha e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida, o seu filho vai voltar"

Deixei para trás meus problemas, meus assuntos menos importantes, eu apenas sentia que deveria estar ali. Longe da cidade, da multidão. A casinha foi aparecendo entre as árvores a medida que eu avançava. Vi meu balanço de pneu ainda pendurado na velha mangueira carregada de frutos. A poeira se erguia do chão como em um abraço de boas vindas. Estacionei perto da casa. Um cachorro decrépito e muito velho caminhou vagarosamente em minha direção e começou a abanar o rabo assim que me reconheceu. Abaixei para acariciá-lo. Ah, quanto tempo eu não sentia essa sensação maravilhosa. Lar, doce lar. Meu velho cão me saudando, os mesmos cenários ao redor, o mesmo ar puro das minhas lembranças mais doces.
Entrei na casa a chamei pela minha mãe. A cozinha e a sala estavam vazias. O fogão apagado. A pequena televisão desligada. Andei em direção ao quarto. Minha mãe estava deitada em sua cama. Assim que seus olhos fundos me encararam, eu me senti criança outra vez. Ela levantou a mão com dificuldade e fez sinal para que eu me aproximasse.
- Você veio - ela disse com a voz embargada - Eu sabia que você viria. Eu vivi apenas para te ver novamente, agora eu posso partir em paz.
- Não, mãe. Não. - eu falei dominado pelo medo e quando percebi as lágrimas já escorriam em meu rosto.
- Meu menino, esperei você voltar pra te dizer ao menos uma útima vez que eu te amo - ela se virou para mim, passou a mão em meu rosto e suspirou. Seu último suspiro. Sua mão escorregou da minha e eu me debrucei sobre ela, molhando o lençol com minhas lágrimas.
Por mais triste que tenha sido, eu agradeço por não ter chegado tarde demais. Eu a vi pela última vez, ouvi sua voz, senti seu toque.
Permaneci ali, dentro da casa de tijolos por um bom tempo. Chorando. Meu velho vira-lata se juntou a mim, roçou sua cabeça em minha perna. Ele me conhecia, sabia o que eu estava sentindo. Ficamos nós três ali.
Eu tive certeza de que "talvez eu NÃO passe um tempo longe da cidade" eu deixei a cidade para não mais voltar.
Me encontrei interiormente, toda minha vida se definiu naquele momento. Eu pertecia àquele lugar, sempre pertenci.
Como diria outra música que fez parte da minha vida "Eu nasci aqui, aqui vou morrer."


Obs: Nunca achei que os sertanejos que minha mãe ouve serviriam para alguma coisa, hahaha. Vamos ao que interessa - o título é o nome de uma música de Chitãozinho e Xororó, assim como o trecho de "Fogão de lenha" no começo do conto. O verso do final é da música "Sertanejo de coração" mais conhecida pela voz do Daniel, acredito eu.

Pauta para Bloínquês - Tema: "Talvez eu passe um tempo longe da cidade"

10 sorrisos compartilhados:

{ Raphael Trew } at: 27 de abril de 2010 11:35 disse...

Obrigado pelo comentário !!

A distância purifica sentimentos !

Muito criativo, bela participação e parabéns pelo selo !!!

{ . } at: 27 de abril de 2010 12:31 disse...

bonito seu blog :)

{ Amanda Cabral } at: 27 de abril de 2010 12:57 disse...

eei, tem selo para ti no meu blog.
Beijinho ;*

{ adolescent subjects' } at: 27 de abril de 2010 13:23 disse...

;s é veridico ou é um texto seu?
espero que seja um texto ^^
muito bonito e ao mesmo tempo triste. xD

abração, até! (:

{ Milla } at: 27 de abril de 2010 22:01 disse...

Que bonito! Gostei de verdade do texto, consegui me sentir indo para o interior e vendo cada acontecimento do texto..Boa sorte no Bloínques :)

beijos

{ Amanda Lisbôa } at: 27 de abril de 2010 22:42 disse...

kkkkkkkkkkkkkkk... claroooo que as musicas da filhinhaaa servem pra alguma coisaaaa... como vc esqueceu da melhor musicaaa????!!!!

"Tu ésssss a critatura mais lindaaaa que os meus olhos já viraammmm..." rsrsrsrsrsrsrs....

como esquecer???!!!!

rsrsrsrsrsrsrsrsrs


Amoooooo mtooo rodiiiii!!!!!!!!!!

{ Amanda Vieira, } at: 27 de abril de 2010 22:53 disse...

ser sertanejo até que é legal as vezes,
eu tambem penso igual rs
você é ótimo nisso aqui... parabéns !

{ Camila Sato. } at: 27 de abril de 2010 23:41 disse...

estou te seguindo também
beijoos *-*

{ Rebeca Amaral } at: 28 de abril de 2010 18:24 disse...

nossa, que texto maravilhoso! bem, criativo, bem envolvente e emocionante! realmente, você ARRASOU!
beijão!

{ ..::*::.. Palavra de Guria ..::*::.. } at: 28 de abril de 2010 22:01 disse...

Gostei muito do seu blog.
Amei seu texto *_*
Beiijos

 

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