Keblinger

Keblinger

Teu beijo

| sexta-feira, 30 de abril de 2010
♫ (...) I said you are the reason
For everything that I do
I'd be lost, so lost without you...
Better man - James Morrison

Estávamos no mesmo banco da mesma praça onde um ano antes havíamos dado nosso primeiro beijo.
- Você lembra de como tudo começou? - eu perguntei a ela, que estava sentada apoiada em mim.
- Eu jamais vou esquecer - ela disse.
A praça estava cheia de gente, pouco antes do anoitecer, o céu limpo e alaranjado do crepúsculo dava tons mais amenos às coisas ao redor. Ela desfilava naquele vestido florido e cheio de vida, os cabelos balançando ao vento. Eu a observava de longe, meu coração quase rasgando meu peito e se atirando nas mãos dela para dizer "eu sou seu". Enquanto eu a olhava, até me esquecia de respirar.
Era ela. A garota dos meus sonhos, aquela que era feita para mim. Minha outra metade.
Nosso olhar se cruzou em meio a multidão, senti um sobressalto ao perceber que ela me olhava, tentei disfarçar desastrosamente e esbarrei nas pessoas que vinham na direção oposta, quando a olhei novamente, ela ria. Um riso perfeito, a mão na boca cobrindo o sorriso pelo qual eu também me apaixonaria mais tarde. Sorri em resposta e me senti atraído até ela. Caminhei vagarosamente em sua direção, com receio de ser mal recebido ou com medo de ela se virar e sair, mas nada disso aconteceu. Ela ficou, me esperou. Exibindo aquele sorriso inebriante que me deixava sem ar.
Tudo começou com um simples "oi". Passamos horas sentados no banco da praça, jogando conversa fora e nos conhecendo. Era íncrivel nossa sintonia e conexão. Era como se nos conhêcessemos há muito tempo. Eu completava frases dela e vice-versa. O sorriso dela completava o meu. Os olhos delas brilhavam, como se refletissem as estrelas, enquanto sorria e conversava. Sua voz me fazia esquecer o mundo, as pessoas ao redor. Éramos apenas nós dois. Quando o beijo aconteceu foi algo tão natural que nenhum de nós ficou constrangido. Ela apenas sorriu e passou a mão no cabelo. Eu ajeitei uma mecha solta atrás de sua orelha e nos beijamos de novo. Naquele momento soubemos que éramos feitos um para o outro.
O beijo doce dela me resgatou da lembrança.
- Tá pensando em quê? - ela perguntou com aqueles olhos encantadores fixos nos meus. Eu sorri, apanhei um pedaço de papel no bolso e a entreguei.
- Nisso - respondi.
Ela desdobrou e leu em voz alta. Sua voz soando como uma melodia celestial.

"Meu amor por você é a soma das verdades que eu te digo,
é a força do bater de meu coração que se encontra em suas mãos,
é a luz branda que o sol irradia, é a inspiração de um poeta,
é a beleza das águas mansas do oceano,
é a pureza do canto dos pássaros nas árvores.
Nosso amor é a fonte do meu viver, é o alimento da minha alma.
Nosso amor é como a água pura e cristalina.
Nosso amor é como o vento, não posso ver mas posso sentir
O seu amor é como as gotas da chuva que o céu derrama sobre mim,
é a paz de meu espírito, é a matéria-prima da minha felicidade.
Nosso amor vence a barreira do tempo, altera o poder das horas.
E é por isso que eu digo..."

Ela olhou para mim com os olhos marejados, se perguntando o final da frase.
- A eternidade passa em um segundo quando estou ao seu lado. - eu completei.
Os lábios dela se abriram em mais um sorriso apaixonante, enquanto uma fina lágrima se desprendia de seu olhar e ela me beijou.
Eu e ela naquela praça. Aquilo era tudo o que eu precisava.
Olhei para ela mais uma vez, relendo as breves linhas e tive ainda mais certeza de que eu havia encontrado a minha felicidade. O meu amor.
Outro beijo. E isso me basta para saber que estou vivo.

Pauta para Bloínquês - Tema: Nosso amor é como o vento, não posso ver mas posso sentir

Special people

| quinta-feira, 29 de abril de 2010
"Se morreres antes de mim, pergunta se podes levar um amigo."
(Stone Temple Pilots)

Me pego pensando para quantas pessoas eu diria essa frase. Algumas pessoas simplesmente entram na nossa vida e tornam o mundo um lugar bem melhor. Algumas pessoas são especias por aquilo que nos proporcionam quando estamos em sua presença, outras são valiosas pelos sábios conselhos, outras são inestimáveis nos momentos de alegria e outras são tão importantes que palavras não bastam para definí-las. Essas pessoas são raras. A gente pode esbarrar com algumas delas enquanto caminhamos por uma rua cheia de gente, nosso olhar pode se cruzar com elas em determinados momentos, mas quando as encontramos, aí não queremos perdê-las jamais. Como me disseram uma vez "é como se Deus tivesse um número de pérolas e as atirasse na Terra" e quem encontra uma pérola dessas não quer abrir mão.
Tem pessoas que nos fazem tão bem, que o simples fato de existirem já é o suficiente para nos deixar feliz. A verdade é que cada um tem alguém assim, ou até mais de uma pessoa. Pode ser que sejamos assim para alguém, pois já me disseram também que "a gente é mais do que se vê", podemos não enxergar nosso valor, nossa importâcia, mas certamente, alguém nota isso.
O ser humano é cheio de criar laços. Laços de amizade, laços afetivos, laços familiares, etc. Mas esses laços não determinam o valor de alguém, o que determina é quão forte um laço pode ser a ponto de você ser capaz de dizer aquela frase ali em cima.
Eu a diria para poucas pessoas, pessoas essas que só poderiam saber da importância que tem para mim, se pudessem se ver através de meus olhos. São poucas, mas são meu maior tesouro e eu não vivo sem elas.
E você? Para quem você seria capaz de dizer a frase?

Mais um selinho

| terça-feira, 27 de abril de 2010


Pesquisei sobre o selo e descobri que através deste selo são premiados os blogueiros que transmitem valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Que demonstram sua criatividade através de seus textos, contos, poemas, etc.
Os selos são trocados na blogsfera como sinal de confraternização entre os blogueiros e como demonstração de carinho e reconhecimento.

Primeiramente, agradeço imensamente a Amanda Cabral pela indicação. Muito obrigado mesmo.

As regras:
- Exibir a imagem do selo no blog.
- Exibir o link do blog que você recebeu a indicação: Ver além da máscara
- Escolher 10, 15 ou 20 blogs para dar a indicação e avisá-los.

Absolutely human
As palavras sempre ficam
Adolescents subjects
Blog, coffee and cigarettes
Cantando a vida
Coração de tinta
Do you have a wish?
Incomitatus
Liberdade e pensamento
Liddell
Lua crescente
Língua solta
Meu lado escritora
No meio de tudo você
Noite de um verão qualquer
Only the truth
Revelando sentimentos
Sunny essence
Uma dose de tequila
Writeland

Escolhi 20 blogs, mas querendo dedicar o selo a todos que sigo, pois todos são maravilhosos.
Agradeço mais uma vez pela indicação, fiquei muito feliz.

Para ver todos os selos clique aqui.

Saudades da minha terra

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Para todos que me perguntaram o que eu faria nesse final de semana eu respondi "talvez eu passe um tempo longe da cidade."
Decidi retornar para as minhas raízes, visitar minha mãe, a quem não vejo há muito tempo. Pelas estradas de terra do interior, me dirijo à minha velha casa de tijolos vermelhos. Canto junto ao som do carro. Uma música que fez parte da minha infância e que sempre gostei.

"Pegue a viola, e a sanfona que eu tocava
Deixe um bule de café em cima do fogão
Fogão de lenha e uma rede na varanda
Arrume tudo mãe querida, o seu filho vai voltar"

Deixei para trás meus problemas, meus assuntos menos importantes, eu apenas sentia que deveria estar ali. Longe da cidade, da multidão. A casinha foi aparecendo entre as árvores a medida que eu avançava. Vi meu balanço de pneu ainda pendurado na velha mangueira carregada de frutos. A poeira se erguia do chão como em um abraço de boas vindas. Estacionei perto da casa. Um cachorro decrépito e muito velho caminhou vagarosamente em minha direção e começou a abanar o rabo assim que me reconheceu. Abaixei para acariciá-lo. Ah, quanto tempo eu não sentia essa sensação maravilhosa. Lar, doce lar. Meu velho cão me saudando, os mesmos cenários ao redor, o mesmo ar puro das minhas lembranças mais doces.
Entrei na casa a chamei pela minha mãe. A cozinha e a sala estavam vazias. O fogão apagado. A pequena televisão desligada. Andei em direção ao quarto. Minha mãe estava deitada em sua cama. Assim que seus olhos fundos me encararam, eu me senti criança outra vez. Ela levantou a mão com dificuldade e fez sinal para que eu me aproximasse.
- Você veio - ela disse com a voz embargada - Eu sabia que você viria. Eu vivi apenas para te ver novamente, agora eu posso partir em paz.
- Não, mãe. Não. - eu falei dominado pelo medo e quando percebi as lágrimas já escorriam em meu rosto.
- Meu menino, esperei você voltar pra te dizer ao menos uma útima vez que eu te amo - ela se virou para mim, passou a mão em meu rosto e suspirou. Seu último suspiro. Sua mão escorregou da minha e eu me debrucei sobre ela, molhando o lençol com minhas lágrimas.
Por mais triste que tenha sido, eu agradeço por não ter chegado tarde demais. Eu a vi pela última vez, ouvi sua voz, senti seu toque.
Permaneci ali, dentro da casa de tijolos por um bom tempo. Chorando. Meu velho vira-lata se juntou a mim, roçou sua cabeça em minha perna. Ele me conhecia, sabia o que eu estava sentindo. Ficamos nós três ali.
Eu tive certeza de que "talvez eu NÃO passe um tempo longe da cidade" eu deixei a cidade para não mais voltar.
Me encontrei interiormente, toda minha vida se definiu naquele momento. Eu pertecia àquele lugar, sempre pertenci.
Como diria outra música que fez parte da minha vida "Eu nasci aqui, aqui vou morrer."


Obs: Nunca achei que os sertanejos que minha mãe ouve serviriam para alguma coisa, hahaha. Vamos ao que interessa - o título é o nome de uma música de Chitãozinho e Xororó, assim como o trecho de "Fogão de lenha" no começo do conto. O verso do final é da música "Sertanejo de coração" mais conhecida pela voz do Daniel, acredito eu.

Pauta para Bloínquês - Tema: "Talvez eu passe um tempo longe da cidade"

Comentei e ganhei

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Ganhei esse selo da Ana Carolina do blog Grafite. Fiquei muito contente por ter lembrado de mim e pela indicação. Muito obrigado de coração.
Repassando para os blogs:

Brincando de verdade
Doce Nostalgia
Paula Alves
Remember
[Re]construções

Agora, vocês que receberam o selo devem postá-lo no blog de vocês e indicar 5 blogs.

Dedico esse selo também as minhas duas grandes amigas que estão sempre por aqui: Amanda Lisbôa e Flávia Monteverde

Aproveito para agradecer a todos meus seguidores, que na verdade não me seguem, mas me acompanham, lêem meus textos e comentam. Um grande abraço e muito obrigado a todos, o meu blog não seria nada sem vocês.

Para ver todos os selos clique aqui.

Monstros no escuro

| domingo, 25 de abril de 2010
"Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas."
(Charles Chaplin)

É, como sempre é muito mais fácil falar do que fazer, a verdade é que sempre estamos apreensivos e assustados com os confrontos e muitas vezes não sabermos lidar com eles. Encará-los é, definitavemente, a melhor opção, mas e quando eles são tão grandes, confusos e monstrusos que nos fazer querer esconder debaixo da cama? Bem, a resposta ainda é a mesma, encará-los. Podemos pensar assim, confrontos são momentos iminentes e obscuros, mas quando os vemos com clareza percebemos que não eram tão medonhos como havíamos imaginado e depois de superados, esses monstrinhos nos mostram que vieram para aliviar algumas coisas e esclarecer outras.
Saber lidar com situações complexas e mirabolantes é um trabalho hérculeo, mas todos temos a capacidade de enfrentá-las.
Não dizem que "depois da tempestade vem a calmaria"? Vamos nos agarrar a esse dito quando nos depararmos com nosso próximo monstro no escuro.
Acredito que para conseguir superar esses confrontos é necessário estar centrado e de cabeça fria e manter o foco sempre pensando positivo de que lá na frente, mesmo que demore, isso veio para ajudar.
É preciso ter um pouco de escuridão para se enxergar a luz e momentos críticos em nossa vida nos dão a oportundiade de enxergar essa luz dentro de nós mesmos e nos outros.

(Des)idade

| sexta-feira, 23 de abril de 2010
Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?
(Confúncio)

Esbarrei com essa frase há alguns dias e pus-me a pensar. Porque quando você realmente pára pra pensar nisso, até que é algo relevante. Qual seria minha idade? Isso é bem relativo, se eu fosse levar em consideração minhas expêriencias, discernimentos e algumas atitudes antiquadas eu poderia me achar mais velho. Seria isso minha idade psicológica? Se é que existe tal coisa... mas já ouvi dizer em idade cerebral ou mental. Por outro lado se eu fosse analisar outras atitudes imaturas, pensamentos bobos e infantis, brincadeiras sem sentido, eu certamente me daria poucos anos.
Concluo com isso que posso ter quantos anos eu quiser, depende de mim saber quando agir com determinada idade. Posso ser uma criança quando o momento for propício ou quando cansar de ser adulto o tempo todo, posso ser maduro e responsável quando isso for necessário, posso ser idoso quando somar minhas experiências.
Enfim, a idade desconhecida pode ser qualquer idade.
Mas para quê isso é importante afinal? Para nada, mas é algo que se pode refletir.
O que nos acrescenta ou tira idade? São as atitudes, as reações em determinadas situações, são as escolhas? Bom, acredito que tudo isso influencia, mas ter uma certa idade não signfica deixar de lado a criança interior nem esquecer de recorrer a um "eu" mais velho para pedir conselhos.
O corpo terá sempre uma idade fixa, mas isso não quer dizer que a mente também precise ter.
Tenha a idade que quiser ter. Viva como quiser viver.
Mas agora me responda: Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?

Às vezes

| quarta-feira, 21 de abril de 2010
Às vezes temos pressa e não queremos esperar pelas coisas boas,
às vezes esperamos e elas não vêm e às vezes quando estamos prestes a desistir elas aparecem.

Às vezes temos a impressão de que nada dá certo,
às vezes achamos que o universo conspira contra nós e às vezes vemos que estávamos errado ao pensar isso.

Às vezes nos machucamos de tal forma que não vemos uma cura,
às vezes o cura demora e às vezes ela esteve sempre perto e a gente não notou.

Às vezes erramos sem pensar,
às vezes erramos por vontade e às vezes acertamos ao errar.

Às vezes nosso mundo desaba,
às vezes parece que os destroços nunca se consertarão e às vezes percebemos que esse abalo veio por uma boa causa.

Às vezes sorrimos para não chorar,
às vezes sorrimos mesmo aos prantos e às vezes choramos de rir.

Às vezes pensamos que não somos nada,
às vezes temos dúvida se somos e às vezes enxergamos nosso próprio valor.

Às vezes brincamos de fingir, fugimos para esconder, magoamos sem querer, lutamos sem vencer... mas às vezes tudo se torna claro e menos nebuloso.

Às vezes achamos que encontramos as fórmulas secretas do amor e da felicidade, para mais tarde percebermos que tais fórmulas não existem, elas vivem em nós.

Às vezes estamos confuso, inseguros, impacientes e tudo isso, às vezes, muda de uma hora para a outra.

Às vezes fazemos perguntas sem respostas, às vezes entendemos que estamos fazendo as perguntas erradas.

Às vezes serão sempre às vezes.
A certeza do sempre é a incerteza do futuro.

Às vezes simplesmente sabemos.
Sabemos que "às vezes" são apenas momentos.

Li

| terça-feira, 20 de abril de 2010
Interação

Enquanto eu lia aquelas palavras, minha mente viajava em detalhes pequeninos e singelos, eu percorria estradas não visitadas, conhecia pessoas novas, saboreava novas culturas. Aquelas palavras me encantavam, me alegravam, entristeciam, comoviam... algumas delas arracaram lágrimas, outras retiraram suspiros e outras me fizeram rir.
Aquilo que eu lia me preenchia.
Poucas coisas tem o poder de me prender daquela maneira ou de me envolver com tamanha intesidade.
Página após página eu conhecia segredos e desvendava mistérios.
Eu rumava ao final... surpreendente? Não sei, vou continuar lendo.

O que eu li? Bom, ainda não terminei.
O que você leu?

Vamos interagindo pessoal, me contem...

O que você estava lendo?

People can change...

| domingo, 18 de abril de 2010
... other people's life. Seja um gesto, uma atitude, uma palavra, um olhar. As pessoas podem mudar a vida umas das outras, e mudam de maneira tão simples e profunda que mal percebem, mudam simplesmente por estarem ali na hora certa, por falarem a coisa certa, por darem atenção no momento certo. Acredito que as pessoas têm um senso de bondade dentro de si, uma fonte de solidariedade que muitas vezes é desperdiçada ou nem mesmo usada. Temos que aprender a usar nosso potencial para coisas boas, saber olhar para o próximo e não enxergar apenas mais um rosto na multidão, mas sim o rosto de alguém que tem medos, anseios, dúvidas e que precisa de ajuda. Ajuda não significa doações monetárias, significa carinho e atenção. Podemos e devemos ser altruístas na medida do possível, parar de enxergar o próprio umbigo e ficar chorando as próprias dores, tem muita gente pior, basta olharmos ao redor, sem as vendas que nós mesmos nos colocamos, sem distrações, aí veremos um mundo caótico e necessitado, onde uma mão que se estende para ajudar vale mais que qualquer quantia.
A gente talvez nem pára pra pensar em quantas pessoas passaram pela nossa vida e nos causaram mudanças, quantas delas estiveram lá quando mais precisávamos e estenderam as mãos em nossa direção, podem ter sido poucas, mas essas pessoas são grandes exemplos de que ainda temos que ter fé na humanidade, exemplos de que há pessoas dispostas a fazer o bem sem desejar algo em troca. Altruísmo é isso, fazer o bem sem pensar no ganho, isso é raro nesse mundo de hoje onde sempre a maioria pergunta "e o que eu vou ganhar com isso?"
Pessoas que nos rodeiam no dia a dia nos mudam com o tempo, nos ensinam pequenas lições diárias que só vamos enxergar e dar valor no futuro. São somas de atitudes feitas, às vezes, até de forma casual, mas que acrescentam para evoluções lentas ou rápidas.
Nós somos capazes de mudar a vida das pessoas ao nosso lado, da nossa família, de amigos ou até mesmo de estranhos, só devemos aprender a ser capazes de exigir menos em troca e saber que o pouco que fazemos pode ser muito para alguém. Não custa nada ajudar e a recompensa não tem preço, só o coração entende.

O beco – Parte 3

| sábado, 17 de abril de 2010
Não demorou para acharem meu corpo, pois a moça havia ligado para a polícia e por sorte tinha conseguido escapar daquele homem monstruoso, que tinha fugido sem punição. Hoje nas folhas dos jornais que eu não pude ler, estava o relato de como um garoto de rua havia salvado uma moça em perigo, aquele relato, porém, tinha um trágico fim. O garoto havia morrido. Desconhecido, sem nome, sem rosto.
Meu corpo foi enterrado sem nenhuma pompa, numa cova rasa e sob uma lápide sem identificação. Somente uma moça compareceu, uma moça que nunca teve a oportunidade de dizer “obrigado”.
Algum tempo depois o mesmo homem de preto, arrastou outra vítima para o mesmo beco escuro. Só que desta vez o jogo mudou, ele não contava com a ronda policial que passava no local no mesmo momento.
Dessa vez ele não chegou a ver o olhar frio e de ódio daquele que tirou sua vida. Outra moça salva, mais um bandido morto.
Senti que alguma coisa que faltava em mim havia sido preenchida. Meu mundo agora era uma luz forte que me arrastava e eu não tinha porquê relutar. Fui para a luz.
Consegui minha paz.

FIM

O beco – Parte 2

| sexta-feira, 16 de abril de 2010
No anoitecer de ontem eu percebi que algo estranho acontecia naquele beco escuro que eu já tinha adotado como morada, um homem estranho e usando vestes pretas longas, arrastava uma mulher até lá. Ela tentava gritar, eu percebi, mas seus gritos eram abafados. Enquanto eu o seguia escondido em minha mísera existência, meu olhar se cruzou com o da moça. Nunca vou esquecer aqueles olhos grandes que suplicavam socorro. Ele continuava a empurrá-la para o breu.
Eu era um garoto sem instrução, não sabia como agir em uma situação daquelas, eu era fraco, pequeno. Meu instinto me dizia para fugir, mas algo maior me prendeu ali. Olhei tudo ao redor e encontrei um pedaço de madeira, o agarrei em silêncio e caminhei sorrateiramente até o homem de preto.
Minha primeira pancada só o assustou. Ele soltou a moça que chorava com desespero e se voltou para mim. Vi seus olhos negros como a noite me encararem com tamanha raiva que eu me senti encolhido.
Tentei acertá-lo de novo, enquanto via com o canto dos olhos que a moça fugia, mas não consegui. Vi que ele abriu a boca para dizer algo, mas um estalo alto ecoou no local.
Senti um líquido quente escorrer em minha barriga e minhas mãos se mancharam de vermelho quando toquei o ferimento.
Ele me olhou mais uma vez e correu na direção da moça indefesa.
Eu era mais uma vítima de um crime. Cai debruçado na poça de meu próprio sangue e senti o frio tomar conta de mim.

CONTINUA

O beco – Parte 1

| quinta-feira, 15 de abril de 2010
Para entender a proposta clique em ~> Hora do Conto

Eu era mais um garoto perdido, sem futuro, sem educação, sem privilégios. Eu era um garoto que vivia nas ruas, mendigando migalhas de pão e moedinhas para sobreviver. Eu não era um garoto estampado em cartazes de Desaparecidos, eu era filho do abandono, meu pai era o descaso e minha mãe, a solidão. Eu era um garoto imundo com os cabelos grandes e mal cheirosos. Um menino carente, triste, sozinho.
Eu vagava pelas ruas frias procurando um cantinho quente para poder dormir, eu dormia em calçadas sujas e empoeiradas, me cobria com jornais e me vestia com trapos.
Eu tinha fome, tinha sede, tinha vontades que todo menino na minha idade tem. Mas eu não tinha como supri-las. Eu não tinha amigos.
Eu era mais um entre tantos e tantos garotos como eu, mas com a diferença de que eu não era um trombadinha, eu não roubava.
O mundo é injusto, muita gente diz isso, nem sei muito o que significa, pois não conheço muitas palavras e nem sei ler também. Mas parece que quando dizem isso com aquele tom de voz inconformado isso soa como algo ruim.
Eu gostava de observar as pessoas ao meu redor, gente bonita, limpa, usando roupas elegantes. Eu me envergonhava de ser daquele jeito, mas essa era uma condição que eu não poderia mudar.
Eu era mais um garoto de rua. Sim, eu era. Já não sou mais...
... pois estou morto nesse momento.

CONTINUA

Dez palavras

| quarta-feira, 14 de abril de 2010
Sempre fui aquele cara apavorado, é, aquele que nunca arriscava, que sempre perdia as chances e que via a vida passar diante dos olhos, como se fosse a de outra pessoa. Eu era esse trouxa. Sempre sofri muito por ser desse jeito e por saber que tive várias oportunidades que simplesmente desperdicei, coisas boas que deixei escapar pelos meus dedos pois não tive vontade e força o suficiente para segurá-las. Bom, não sei se reparou, mas tudo que eu disse foi no pretérito perfeito, exato, eu fui aquele cara, eu era aquele cara até me deparar com aquele outdoor. Era uma propaganda boba de um produto qualquer, não me lembro muito bem, pois não foi nada disso que me chamou a atenção, o que atraiu meus olhos distraídos foi uma pixação, uma frase aparentemente colocada ali sem muita importância. E essa frase eu nunca esqueci, estava escrita em letras disformes e escorridas, palavras em vermelho que diziam "Nunca deixe o medo de errar impedir que você jogue".
Aquela frase me marcou de tal maneira, que somente quem eu era naquele momento pôde enxergar a profundidade disso. Dez palavras. Quem diria que dez palavras seríam o que eu mais precisava naquela época? Lembro que naquela noite choveu, e as palavras flutuavam em minha mente, ecoando em meu incosciente, me instigando a mudar. Como eu disse, choveu naquela noite, eu poderia ter me refugiado em casa, mas preferi dançar na chuva e sentir os pingos caindo sobre mim.
Na manhã seguinte me olhei no espelho e vi alguém que não reconheci momentaneamente, aquele alguém era eu, aquele eu que sempre existiu dentro de mim e que sempre pediu para sair. Eu agora não tenho mais medo de arriscar, não perco as chances e não sou um mero espectador de minha própria vida, eu sou o protagonista.

Pauta para Bloínques - Tema: "Nunca deixe o medo de errar impedir que você jogue"

17/02/06

| terça-feira, 13 de abril de 2010
Encontrei esse texto que escrevi há 4 anos e é engraçado como alguns pensamentos continuam o mesmo, muita coisa mudou, é claro, mas eu ainda penso muito como antes.

A nossa vida é cheia de surpresas, sejam elas boas ou ruins, que aparecem no nosso dia-a-dia e nem sempre estamos prontos para enfrentá-las. O destino nos prega peças e muitas vezes impõe escolhas que não estamos preparados para fazer, na maioria das vezes, por medo de errar e ficar se remoendo de remorsos. É claro que quando optamos por alguma coisa ficamos cheios de expectativas e ansiosos para saber o que vem pela frente e depois que escolhemos podemos nos arrepender. Os erros são, mesmo que não queremos ver, importantes para nossa vida, crescimento e amadurecimento, pois se não levarmos o primeiro tombo, não aprenderemos a nos levantar, ou seja, aprendemos com os erros tanto quanto aprendemos com os acertos. Devemos aproveitar as oportunidades que temos, sem medo de errar, mas com coragem para tentar. A oportunidade perdida é algo que jamais volta e que nos faz pensar que várias coisas poderíam ter sido feitas de outra maneira, nos fazendo querer voltar no tempo e fazer tudo diferente, consertando os erros, que por mais duros que tenham sido, contribuíram para a formação do nosso caráter. Há uma frase clichê que diz "nada é por acaso" e um ditado que afirma "há males que vêm para o bem".
Quando paramos para pensar, vemos que muitas coisas poderíam ter sido diferentes, que não saíram do modo que queríamos, mas se isso tivesse acontecido, será que seríamos quem somos hoje? Será que teríamos tudo o que temos hoje? Não adianta fazer perguntas que sabemos que não têm respostas. Mas as decisões que virão devem ser feitas com o coração, pois se caso houver arrependimento, o remorso pode ser menos doloroso e mais suportável. O amanhã pertence a Deus. Ele sabe o que faz e concordo plenamente com aquele ditado "Deus escreve certo por linhas tortas". Ou Ele apenas escreve certo, nós que às vezes não conseguimos ler.


Obs:
O nome do post é a data de quando o texto foi escrito

Começo, meio e fim

| domingo, 11 de abril de 2010
O que realmente importa, o começo, o meio ou fim? A gente sempre se questiona as coisas que são importantes na vida, as escolhas, as consequências, os sentimentos. Mas respondendo a pergunta, as três partes são importantes.
O começo pode parecer o mais importante, o mais empolgante, pois sempre que começamos algo esperamos o melhor, aquele momento de início é delirante e muitas vezes nos leva a tomar decisões impensadas. Enfim, começar é algo bom, mas tem que se saber quando começar e o que começar.
O meio é a parte do aproveitamento, onde estamos curtindo o que foi começado, onde as escolhas devem ser mais bem pensadas e tudo analisado de forma consciente, pois depende disso para algo durar ou simplesmente terminar.
É aqui que chegamos ao fim, é, o aparentemente triste fim, mas será que todo fim tem que ser triste? Isso depende da gente, afinal, sabemos que isso é inevitável, tudo tem um fim. O fim de amores, amizades e da vida, esses "fins" são tristes e causam sofrimento... o fim de brigas, dores e tristezas, esses "fins" são bons e valem a pena.
No final o que importa é viver e aproveitar. Tudo começa por algum motivo, se dura é porque foi feito pra durar, se acaba repentinamente é porque deveria ser assim e tudo acaba, mais cedo ou mais tarde.
Começar é sempre bom, estar no meio de momentos também, até os momentos ruins nos ensinam lições valiosas, mas pensar no fim não leva a nada, deixe o fim para o final. A vida é muito curta para passarmos por ela preocupados com o que vai acontecer ou com o que vem pela frente.
Aproveite os "começos" e saboreie os "meios"... e o fim? Ah, o fim não chegou ainda, don't worry, be happy ♪

Horizontes reflexivos

| sábado, 10 de abril de 2010
Quando paramos para analisar alguma coisa, sempre nos deparamos com dúvidas e questionamentos e quando nos aprofundamos ainda mais essas dúvidas só aumentam. Ter alguém com quem debater esse assunto é bom, pois ajuda a esclarecer as coisas, ver por diferentes pontos de vista, isso amplia os horizontes reflexivos. Basta encontrar alguém que esteja na mesma sintonia de pensamento que um diálogo flui e muitas das perguntas são respondidas imperceptivelmente, mas isso gera mais dúvidas e mais perguntas sem respostas. Esses horizontes escondem muito mais do que imaginamos, têm muito mais dúvidas do que aparentam quando só os vemos de longe. A medida que tentamos alcançá-los, boa parte das respostas são encontradas, outras se perdem para sempre, e outras se distanciam mais e mais.
Ter dúvidas é sinal de que se quer saber e descobrir o porquê das coisas, mesmo que haja milhões de perguntas sem respostas, as teorias e opiniões alheias às vezes satisfazem e são mais do que esperávamos.
É sempre bom ouvir, discutir as coisas, tentar se localizar dentro da sociedade e se encaixar. É óbvio que nunca saberemos de tudo, nunca chegaremos nem perto de ter as respostas para tudo, mas tentar nunca é em vão.
Encontre alguém que esteja disposto a divagar com você e aproveite, quem disse que não pode ser divertido falar de coisas sérias? Deixe os assuntos do cotidiano de lado por um momento, mude, invente, reinvente, experimente falar de coisas novas... você pode se surpreender com o que pode ouvir e até com o que pode sair de você.
O diáologo é a forma mais fácil de conhecer o mundo, as pessoas e se auto-conhecer.


Obs:
Post inspirado em uma conversa no MSN

Solidão

| sexta-feira, 9 de abril de 2010
"Solidão: um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada."
(Josh Billings)

A solidão no meu modo de ver é um estado de espírito, algo passageiro ou permanente. Cabe a cada um colocar limites à própria solidão, saber quando terminá-la ou quando buscá-la. Não digo que se refugiar em um canto sossegado, em silêncio, com um tempo só pra si, seja algo ruim, afinal, são nos momentos de solidão que mais pensamos na vida e refletimos o que estamos fazendo com ela. Nesses raros ou frequentes momentos, é quando olhamos para dentro de nós mesmos e tentamos entender o que se passa lá, tentamos desvendar mistérios nas formas de sentimentos, anseios nas formas de dúvidas... Embora, seja saudável ter um momento particular, a solidão em excesso pode ser traiçoeira, pois ela se apodera da pessoa que permite sua expansão e corrompe sua essência, ferida ou não.
Devemos perceber quando não estamos dando espaço para os outros, quando estamos viciados no nosso individualismo, pois isso fere as pessoas ao redor que tentam se aproximar, mas se deparam com uma barreira intransponível, ainda há alguns que lutam para superar esse obstáculo, mas a maioria recua sem tentar duas vezes.
Levar uma vida solitária é algo tão depressivo e decadente, pois não há com quem compartilhar as conquistas, as dores, os momentos sejam eles quais forem. Muitas vezes nos sentimos só no meio de muita gente, mas a gente se sente só porque se fez só.
Aproveitar um tempo sozinho é uma coisa, se acostumar com ele é preocupante. Enquanto não desvendamos sozinhos o que se passa dentro de nós, não custa tentar uma ajuda de fora.
A solidão vem quando não é chamada, mas deve ser expulsa quando não for necessária mais. Se incluir no mundo não é deixar de ser quem você é... é deixar o mundo conhecer quem você é.

Ouvi

| quinta-feira, 8 de abril de 2010
Interação

Aquele som indefinido ao longe quebrou o silêncio bruscamente, mas eu ainda não conseguia identificá-lo. Ele se propagava em todas as direções vindo de lugar nenhum. Era um som abafado e cristalino ao mesmo tempo. Fechei os olhos na tentativa de capturá-lo e decifrá-lo de uma vez por todas, mas falhei. Aos poucos os sons do mundo começaram a disputar espaço com aquele som que me hipnotizava e me deixava ansioso para conhecê-lo, mas os outros sons venceram... de repente tudo virou buzinas, gritos, um pandemônio sonoro. Aquele som, porém, deixou uma marca no meu inconsciente, eu não sei dizer o que foi, mas se eu o ouvir novamente vou identificar.

O que eu ouvi? Os outros sons me confundiram.
O que você ouviu?

Mais um pra interagir. Diz aí...

O que era aquele som?

Problemas

| quarta-feira, 7 de abril de 2010
"When your day is long and the night
The night is yours alone
if you're sure you've had enough of this life
Well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes ..."

No silêncio da noite e no aconchego de nossas camas é quando nos flagramos pensando na vida, no dia, nos problemas. É nesse silêncio escuro que milhões de pensamentos se cruzam em nossa mente e começamos a nos lamentar, culpar e arrepender de algumas coisas. É nesse escuro que achamos que realmente tivemos o bastante e que a paciência por esperar pelas coisas boas se esvai. Mas temos que aguentar, saber que as adversidades e batalhas vencidas só nos fortaleceram. Todos têm problemas, uns mais do que outros, uns mais problemáticos do que outros, mas ainda assim é um problema que deve ser resolvido.

"Sometimes everything is wrong,
Now it's time to sing along
When your day is night, alone (hold on, hold on)
If you feel like letting go (hold on)
when you think you've had too much of this life
Well hang on"

Temos aquele momento em que achamos que nada faz sentido, que tudo sempre dá errado na nossa vida, mas nem por isso devemos desistir de nós mesmos nem de fazer a coisa certa. Através dos erros aprendemos a acertar. São os problemas que trazem soluções. Pode ser que demore, que a espera machuque e sufoque, mas desistir é sempre um passo em falso. Não desista, renove.

"'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hands, oh no
If you feel like you're alone
no, no, no, you're not alone"

São nos momentos de maior aflição que descobrimos quais são os pares de braços que se voltam pra nossa direção, quem são as vozes que falam o que precisamos ouvir, de quem são os ombros dispostos a receber nossas lágrimas. Os verdadeiros amigos estão lá pra isso, não somente nos momentos felizes, de comemoração e brincadeira, não. Eles estão lá quando mais precisamos, quando nosso mundinho interior está caindo aos pedaços.
Não se conforme com as situações, tente sempre alterar o curso daquilo que está errado. Tente sempre olhar pelo lado bom e esperar pelo melhor. São de pequenas lições e atitudes que a vida é construída, as coisas mais simples e aparentemente patéticas são aquelas que realmente fazem a diferença.

"Well everybody hurts,
sometimes, everybody cries..."

Todo mundo sofre. Todo mundo chora.
Os sofrimentos tornam as vitórias mais prazerosas.
As lágrimas clareiam a vista para podermos enxergar melhor aquilo que muitas vezes nos recusamos a ver e que está diante de nossos olhos.

"Everybody hurts
You're not alone"

Todo mundo sofre. Você não está só.

Trechos da música "Everybody hurts - R.E.M."

I dreamed a dream

| terça-feira, 6 de abril de 2010
Bom, eu já postei coisas sérias, dois contos tristes e dessa vez vim mostrar meu lado cômico, mas se eu por acaso fracassar vergonhosamente, pelo menos riam da minha tentativa... O relato que se segue é de um sonho que eu tive a noite passada... Sonho de uma noite de outono, trocadilho bobo com a comédia shakesperiana..

Não sei de onde surgiu o cenário ao meu redor, mas eu me via mergulhado naquela névoa onírica que aos poucos se desfazia. Coisa de sonhos. Eu estava na casa do meu pai, que não se parecia em nada com a verdadeira casa do meu pai. Enfim, eu estava lá, dentro de um jardim japônes ensinando uma amiga a nadar. E nadamos de um lado pro outro até que eu percebo que há várias carpas nadando junto com a gente, e eu começo a observar uma a uma e ver que elas se pareciam com algumas que já tive em meu aquário, mas de repente eu começo sentir umas fisgadas nas pernas e no pé e então me deparo com uma carpa amarela, muito grande que me mordiscava descaradamente. Eu fui me desviando dela e me sentei na beirada do jardim, e ela me seguiu. A essa altura minha aluna de natação já havia sumido, sabe-se lá pra onde... coisa de sonhos... A carpa veio me encarando, comendo aquelas coisinhas que ficam na superfície da água, mas ela tinha uma cara meio de sapo, estranho, eu sei.
Bom, se ela tivesse com a barriga cheia daquelas coisinhas que comia ela não teria pulado em mim pra me morder mais uma vez, peixe guloso. Escapei por um triz e quando percebi eu já estava com uma toalha enrolada na cabeça, como um turbante (não perguntem de onde veio a toalha) e não é que a carpa salta sobre mim e cai na toalha e eu a atiro no chão e corro... é, eu fugi de um peixe, mas pô, ele mordia.
Corro pela beirada até alcançar a outra ponta do jardim e a maldita carpa me segue pela água e eis que o inusitado acontece, ela me encara mais uma vez e pergunta...
Opaaa, uma pausa aqui. Ela pergunta? Já não bastava a carpa ser uma piranha disfarçada tentando me abocanhar? Por que ela tinha que falar? Bem, coisa de sonhos... Voltemos à cena.
Ela pergunta:
- Você gosta de ler, não é?
Uma pergunta meio estranha para uma carpa, eu diria, não que eu tenha falado com muitas carpas ultimamente, mas enfim... eu disse que sim.
- Então vem aqui na biblioteca comigo? - ela propôs
A bilbioteca em questão era uma árvore de livros, isso mesmo, uma árvore de livros.
Eu não respondo nada e veja você as ideias da carpa, ela sobe a árvore, já entendi, um peixe subindo uma árvore é muito surreal, mas ela subiu, derrubou um livro e começou a comê-lo. Carpa estômago de avestruz.
Até aí eu achava que já tinha visto de tudo, mas lá vem a bocuda mostrar seus dotes artísticos e começa a cantar para mim, e ela canta em inglês, tenho que tirar o chapéu depois dessa, a música cantanda é "The bird and the worm - Owl City", mas acho que "The fish and the worm" se encaixaria melhor nesse caso. Mas ela não canta essa canção só por cantar, por trás disso tem uma mensagem subliminar arrepiante, ela quer dizer que sou a "worm" (minhoca). E o que peixes comem em iscas? Hã? Acertou, aquela carpa falante, cantante e esfomeada estava tentando me comer. Qual é problema dela?!
Eu, depois de assistir o massacre ao livro, me viro e entro em casa.
Lá dentro minha madrasta esquenta uma sopa, feita por aquela amiga que estava aprendendo a nadar, que só agora eu notei a falta e que provavelmente já está na barriga da carpa. Meu pai e meu irmão chegam e eu os relato a minha odisséia enquanto só o que recebo são risadas debochadas.
Mas ela continua lá fora, à espreita. Se alimentando de "literatura vegetal" e de música internacional.

Ok, essa é a parte que eu admito que esse sonho foi estranho, sem sentido e bizarro, mas até que foi divertido.
Fui mais a fundo investigando o simbolismo em sonhos, nem acredito nisso, mas acho engraçado ver as interpretações.
Pelo que li as carpas se associam a sorte e amor... é né? Bem amorosa a carpa que eu vi e muito sortudo daquele que a encontrar.
Uma das associações de livros é que quando se oferece a alguém, é uma decepeção no amor. Agora eu entendo a raiva da carpa, ela não chegou a me oferecer o livro, mas me convidou para a "biblioteca" e depois comeu o livro. Nem quero saber o que aconteceu com quem partiu o coração dela.
Quando se ouve uma música significa prazeres na vida. Tá, aham. Mas e quando essa música vem daquele que quer te devorar?

Obs: O nome do post "I dreamed a dream (Sonhei um sonho)" é bem pleonástico, eu sei, mas é o nome de uma música, por sinal muito bonita, do musical Les Misérables.

Desculpa se você chegou até aqui esperando ter uma grande surpresa, mas eu tive que compartilhar isso com vocês. Me perdoem se eu fui patético, mas se gostaram eu adoraria ver as opiniões e agora vou esperar mais sonhos, mas acho que vou tirar aquele aquário do meu quarto, rsrs.

Tua presença

| segunda-feira, 5 de abril de 2010

Remexendo minhas coisas antigas e revirando gavetas há muito esquecidas, me deparei com esta carta que recebi de um amigo há muito tempo, ele já se foi, mas sua presença vive em mim. As lágrimas ainda se desprendem dos meus olhos enquanto eu me perco nessas breves linhas.

Para o meu eterno amigo:
Foi no momento mais angustiante e derradeiro de minha vida que você apareceu. Você trouxe luz, trouxe risos e alegria. Trouxe conforto para um coração abatido. E acima de tudo você trouxe paz.
Sem a tua presença eu não conseguiria me reerguer e sair do abismo que eu me afundava, sem tua voz me guiando na escuridão eu não teria coragem de dar mais um passo adiante. Sem teu carinho, teu abraço apertado, seu humor único, sem isso eu não voltaria a viver.
Você foi aos poucos curando a dor e ajudando a cicatrizá-la, foi aos poucos tirando esse peso dos meus ombros e apoiando-o nos seus... você veio tão de mansinho, tão imperceptível, mas quando vi, sua áurea me dominava, sua companhia me aquecia e alimentava meu viver.
Sua amizade não se limitou a risos, ela foi além, muito além disso, ela me mostrou, não, me provou que é possível ter em quem confiar, que há pessoas que valem a pena... sua amizade me mostrou que anjos existem e que eles estão espalhados pelo mundo na forma de amigos.
Com você eu já não temo a escuridão, nem a incerteza do amanhã, com você eu não conto as horas do relógio, só as vejo passar rapidamente em sua presença. Com você eu aprendo muito mais do que ensino. Você é música aos meus ouvidos, é um belo quadro diante de mim. Você é indescritível, insubstituível e inesquecível.

Respondi a essa carta com poucas palavras que se misturaram às lágrimas que mancharam o papel. Minha resposta jaz enterrada com meu amigo, ele nunca teve a chance de ler, mas me lembro exatamente do que escrevi:

Eu não seria nada disso sem você.
Se sou um anjo, foi porque me deste asas.
Se lutei por você, foi porque a luta valia a pena.
Você me transformou muito mais do que eu fiz contigo.
Você é descritível... você é o significado da palavra "amigo"

Pauta para Bloínquês - Tema: "Quem me dará um ombro amigo quando eu precisar? E se eu cair, se eu vacilar, quem vai me levantar?"

Pergunte-se

| domingo, 4 de abril de 2010
"Perguntar-se é uma maneira interessante de se descobrir como pessoa, pois as perguntas são pontes que nos favorecem travessias."
(Pe. Fábio de Melo)

Porque há aquelas perguntas que só nós mesmos sabemos a resposta. Tentamos buscá-las em outros lugares, ouvi-las por outras pessoas, mas somos nós quem as guardamos em nosso interior. São as questões pessoais que nós mesmos devemos resolver. A gente se questiona, se frustra quando não encontras as respostas, se indaga mais uma vez e assim por diante, mas essas respostas vêm, elas aparecem com o tempo, às vezes nem sempre no momento em que as buscamos, mas quando mais precisamos delas.
Guardamos um grande potencial desconhecido, temos uma grande capacidade de lidar com as coisas que nem mesmo sabemos e só quando a situação crítica aparece é que descobrimos do que somos capazes. Há momentos em que não precisamos nos perguntar, temos que agir, ir à luta e arriscar.
Algumas perguntas não são feitas por medo das respostas e são nessas horas que recuamos e desistimos, sem nem mesmo ter tentado. Mas devemos encarar as respostas, afinal nunca vamos conhecê-las se não perguntarmos.
Olhe pra dentro de si mesmo, se encare e faça todas as perguntas que devem ser feitas, tente responder e as que não conseguir, aguarde. Com o tempo você aprende, falar que não sabe não faz mal, o que é errado é fingir e inventar uma resposta. Mentir pra si mesmo é perigoso, você pode acabar acreditando.

Uma ótima Páscoa a todos, by the way!!

Recomeços

| sexta-feira, 2 de abril de 2010
"Nunca desista de recomeçar. Ainda que possa parecer complicado, reflita que todo reinicio traz sempre novidades."
(Marta Felipe)

Tem momentos na vida da gente que recomeçar é o que precisamos, tem momentos em que não queremos recomeçar mas acaba acontecendo alguma coisa que nos empurra para a estaca zero. Imprevistos acontecem, há quem diga que tudo acontece da maneira certa, que lá na frente vamos perceber que o que acontece agora, por mais frustrante que seja vai dar bons frutos. Enfim, recomeçar é a questão, isso é bom ou ruim?
Acredito que recomeços são como renovações e a gente tem que se renovar sempre, portanto, recomeçar sempre. Bom, recomeçar algo que você quer é fácil, mas quando a vida te pressiona e tudo parece conspirar para você tomar uma atitude, o que fazer? Fugir nesse caso não é a escolha certa. Chega uma hora que devemos encarar a realidade, enxergar que existem problemas em nossas mãos que só depende de nosso auxílio para serem resolvidos. Chega uma hora que temos que aceitar as responsabilidades e agir. É sempre apavorante ter que tomar decisões, ter que tentar prever o futuro para medir as consequências, mas isso tem que ser feito, mais cedo ou mais tarde, quanto mais se adia uma escolha, mais difícil ela se torna ao longo do tempo.
Para agir é preciso estar de cabeça fria, ter uma base sólida e estar completamente certo daquilo que se deve fazer.
Recomeçar é uma maneira de tentar tornar as coisas melhores. Recomeços são essencias. Quando perceber que algo não vai bem, não leve isso pelo jeito errado até o final, recomece, saiba voltar atrás e mudar alguns pontos ou até mesmo mudar todo o quadro.
Recomeços são surpreendentes, aproveite a oportunidade.

Perdi

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Interação

De repente eu me vi sozinho em meio aquela mutidão. Encarando aqueles olhares indiferentes das pessoas que passavam por mim. A rua tumultuada me assustava, eu ainda não sabia o que procurar. Eu sabia que algo estava faltando, algo que estava ali quando eu sai de casa... Eu vasculhei os bolsos, olhei no chão sujo, mas não encontrei. Eu tinha perdido. Parecia que ninguém notava o desespero estampado em meu rosto, nenhuma voz acolhedora para perguntar "Você precisa de ajuda?" Pois eu precisava. Precisava de um par extra de olhos para me ajudar a encontrar o que eu havia perdido e eu precisava encontrar. Aquilo era importante, disso eu sabia. O tempo foi passando e minha vontade de desistir só aumentava... eu perdi. Decidi parar de procurar, não desisti, mas é aquilo que dizem, para encontrar basta deixar de procurar.

O que eu perdi? Bem, espero encontrar um dia.
O que você perdeu?

Mais um textinho pra interagir com a galera. Compartilhe sua interpretação...

O que era tão importante que precisava ser achado?

Mentirinhas

| quinta-feira, 1 de abril de 2010
E hoje é 1º de Abril
Quem nunca mentiu que atire a primeira pedra. Mentirinhas fazem parte da vida. Quando erámos criança mentíamos inocentemente, mesmo sabendo que os adultos sempre diziam que isso não deveria se fazer. Hoje mentimos por motivos diferentes e o pior, mentimos com consciência, mentimos mas raramente pensamos na consequência dessa "mentirinha boba". Enfim, ninguém é perfeito, ninguém contou a verdade o tempo todo. Às vezes mentimos pra não machucar, mentimos pra não nos ferirmos e até mentimos para escapar das responsabilidades, diga-se de passagem que esse é o tipo mais comum de mentira, mas no final a vida é baseada em verdades. Tem sempre aquele ditado que diz "a mentira tem perna curta" e uma hora ou outra ela aparece, o que torna tudo pior. Não sou nenhum santo pra recriminar alguém nem para dizer "pare de mentir", eu também já cometi meus erros, cometo alguns ainda hoje, mas aprendi que mentir não é o melhor caminho, não é a melhor saída e nem traz benefícios. Seja o mais verdadeiro que puder. Mentir só vale se for pra dizer a uma mulher que aquele vestido não engorda, rsrs.

Qual a mentirinha que você conta? E em qual situação?
 

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