Keblinger

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Desabafos de um homem calado

| segunda-feira, 29 de março de 2010
Já nem sei o que faz sentido nessa vida, nem sei que caminho seguir, que sentimentos sentir... já não sei viver por completo. Acho que esses "não saber" se devem ao fato de eu sempre pensar muito sobre um assunto, ficar debatendo mentalmente os prós e contras ao invés de ir em frente e arriscar. Mas e o medo? É, tenho medo. Do quê? Do que pode acontecer, tenho medo das decisões, tenho medo do desconhecido, embora ele me desperte uma sensação de desafio que eu gosto. Tenho medo de falhar, de me machucar e causar sofrimentos. Sou como um animal arisco, recluso em seu interior, enjaulado em seu próprio refúgio, aquele lugar que parece seguro e intocável. E nesse confinamento eu vou vivendo, sem deixar transparecer minhas emoções e vontades, sem permitir demonstrações de afeto e carinho da minha parte, me exibindo sempre como "o indiferente", mas que por dentro sofre, chora e se preocupa, em silêncio. Sempre em silêncio em meu canto particular, vagando no meu mundinho no qual só eu faço parte e se alguém se atreve a interferir ou querer visitar, o bicho enjaulado ruge e recua. Se esconde, se infiltra na escuridão de si mesmo, incompreendido, ferido... calado. Já tentei dar passos para a luz do mundo, tentei abandonar aquele lugar sombrio e frio onde sempre vivi e que tanto me acostumei, mas a luz feriu meus olhos, o mundo me viu e eu fugi, mais uma vez. Fugi. Sumi. Me acolhi novamente naquele lugar fechado, contando só comigo mesmo. Tentando entender o que se passava, porque eu agia daquela maneira. Tentando entender quem eu era e que papel tenho no mundo e na vida das pessoas. Tentei, tentei e fracassei, pois ainda não compreendo a insignificância da minha existência. A minha jaula me prende de portas abertas, se uma mão se aproxima eu não mordo, mas tenho receio. Eu recuo. Cada passo pra trás me aproxima do abismo do meu interior. Se eu cair não sei se poderei me levantar, não sei se os braços que se voltarem para eu agarrar eu os darei a mão ou simplesmente me deixarei levar. Eu não sei e isso é o que eu sempre soube. Vejo em meu reflexo a figura de alguém que só tem uma casca, mas que é oca. Vejo o brilho nos olhos de alguém que quer ser descoberto, que quer ser salvo e tirado da jaula. Vejo um homem sozinho. Triste e carente. Vejo alguém que tenta aprender como se faz para expor seu eu verdadeiro, aquele eu que nem ele mesmo conhece, mas que quer conhecer. Esse homem tem dúvidas, anseios, desejos. Ele fala aos quatro cantos sobre as coisas da vida, sobre o mundo, ri e conta piadas, fala direto quando precisa, briga, grita e expressa raiva. Mas esse homem não fala de si, não abre o coração (que até mesmo dúvida ser o possuidor de um)... ele se tranca. E tranca consigo todos os sentimentos puros e bons que se pode sentir. Ele vira uma ostra. Tem algo bom por dentro, mas algo dificíl de ver e pegar. As lágrimas desse homem são invisíveis, são pesadas. E eu, sendo esse homem confuso e abatido, que ainda não viveu o suficiente para ter tantas lamentações, espero ainda me transformar em outro homem. Espero ter forças pra me livrar das sombras que me prendem na jaula. Espero ter paciência para esperar pelas coisas. Espero saber que aquele pulsar tímido dentro do peito é sim um coração, que bate doído, apertado, mas que existe. Espero ver a luz e espero saber encarar os olhos do mundo que tanto anseiam por ME ver... esse novo e seguro homem. Sem tantos temores e com mais certezas. Esse homem novo ainda dorme, vamos deixá-lo descansar até que esteja pronto. Esse novo homem um dia vai abrir os olhos e quando o fizer, vamos poder ver as cores de seu interior.

6 sorrisos compartilhados:

{ Pαμℓα Aℓvєs } at: 31 de março de 2010 00:41 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
{ Pαμℓα Aℓvєs } at: 31 de março de 2010 00:43 disse...

nossa... seu texto me lembrou duas coisas que eu gosto muito de ter na minha mente... primeiro uma frase do Padre Fabio de Melo (não sei se vc conhece) que diz que quando dizemos o que não somos tambem é uma forma de disser que sou, pq quando negamos não sermos algo afirmamos ser o contrario...

a outra coisa que me lembrou vem da area da psicologia que eu estudo, no qual, dizemos que o ser humano vive numa "Zona de conforto" e neste lugar ele se sente bem apesar de não ir muito longe tbm não perde nada... isso seria o conformismo...

Acredito que vc não é do tipo conformista...
Pra mim, conformistas não escrevem... isso daria mto trabalho a eles...
adorei o texto!!!

*-*

{ Rodolpho Padovani } at: 31 de março de 2010 02:53 disse...

Conheço o Padre Fábio de Melo sim, mas nunca tinha ouvido essa frase dele, q por sinal, achei muito bacana e verdadeira.
Zona de conforto? Hum, acho q não ainda não cheguei nesse ponto... hehe
Como vc disse "confirmistas não escrevem" e se eu ainda escrevo então já posso me considerar "não-conformista"...
Na verdade eu sempre busco o novo, a mudança, por mais complicado q seja, não gosto de me encaixar em perfis, sou e gosto de ser diferente.

Obrigado pela presença aqui...
Abraços!

{ Flávia } at: 31 de março de 2010 17:02 disse...

O Tão esperado texto!!! =)

Vc praticamente iluminou seu interior e foi buscando as palavras certas pra se expressar!
Já é um bom começo né? ;)

E fique sabendo que eu continuo te adorando, admirando, 'seguindo', etc...
E agora ainda mais pela sua coragem de expôr o que se passa verdadeiramente aí dentro!

Beeijo lindinho! *-*
Ficou ótimo! :)

{ Rodolpho Padovani } at: 31 de março de 2010 17:18 disse...

Hahaha
tchan tchan tchan tchan...

É, espero ter usado as palavras certas msm e consegui de certa forma expor o q se passa aqui dentro =D

Bjooo.
Thanks for the nice words!

{ Phelipe Barros } at: 16 de junho de 2010 01:18 disse...

Muito bom seu txt...

Metáforas afloradas... Um jardim de 'pensamentos concretos' de um mundo abstrato.

 

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