Keblinger

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Miscelânea de pensamentos

| terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
A questão é: Como minha vida chegou a esse ponto? Essa é uma pergunta retórica, obviamente, apesar de a resposta estar nas coisas que fiz, nas decisões que tomei, ora impensadas, ora muito bem analisadas, nos momentos que vivi. Tudo isso me fez chegar exatamente onde estou, detalhes imperceptíveis, fatos conectados, linhas cruzadas pelo destino ou pontos interligados por mim mesmo. E aqui estou eu, me fazendo esta estúpida pergunta que tem a resposta infinita e além da compreensão humana e no entanto, não tem resposta alguma.
Encher a vida de "porquês" é inútil e um desperdício de tempo. Por que estou aqui? Ora, é porque deveria estar. Se eu tivesse tomado uma decisão diferente em determinada situação, como tudo seria? Impossível dizer. Só me resta imaginar minha vida seguindo um rumo diferente, um caminho que jamais percorrerei ou saberei como é. Eu me trouxe até este lugar, de alguma forma. Por mais complexo e assustador que posso parecer, eu estou no comando de minha vida. Eu escolho as direções, entretanto não posso adivinhar ou prever o que me aguarda no final de cada curva. E assim cada dia é um mistério, cada noite uma espera, cada minuto é essencial, por mais insignificante que seja. O conceito de tempo é muito relativo e volátil. Uma hora de diversão passa rápido ao tempo que uma hora entendiante parece infindável, apesar de serem a mesma coisa, os mesmos 60 minutos. Tudo isso é complicado demais para se entender ou debater. A verdade é que o tempo tem seu próprio tempo.
O ser humano é um bicho engraçado, se esforça para ser superior e mais forte que os outros animais, mas não compreende que está vivendo na mesma linha tênua como todo ser vivo. Uma linha frágil que pode se romper a qualquer momento. A linha que sustenta o peso das nossas culpas, anseios, arrependimentos e frustrações. A linha solitária que suporta um fardo demasiado pesado. A linha da vida. Única e sem preço.
Além dos "porquês" que floreiam nossa mente acerca de nossa existência, há também, os "ses", que são ilusões ou a "forma física" de nossas frustrações. E se eu tivesse mais dinheiro... e se eu fosse mais sortudo... os "ses" são prejudicias e deprimentes, eles nos levam a imaginar condições absurdas sobre os parâmetros de nossa vida. E por falar em sorte, o que é a sorte afinal? A sorte é a definição para um fenômeno ou evento agradável e satisfatório, porém passageiro. Ninguém nasce com sorte, a sorte é um acontecimento, um fato, assim como o azar, que também pode ser definido como um estado de espírito. Se você se sente sem sorte, assim você ficará.
Mudando de assunto, é estranho como às vezes nos sentimos sozinhos numa multidão ou como quando estamos rodeados de pessoas e queremos estar sozinhos e ao estar sozinho queremos ter alguém pra conversar. Descomplicando tudo isso, quero dizer que nossas emoções são muito volúveis. Um simples gesto ou palavra é capaz de alterar drasticamente nosso humor, até mesmo uma pessoa bem centrada, às vezes perde o controle numa explosão de sentimentos.
Para muitas pessoas a solidão é algo palpável que está em toda parte, assim como o ar, mas a solidão é algo mórbido e sufocante, que envolve o ser humano e ataca seu inconsciente. A solidão é um veneno para a alma. Ela se alimenta da impaciência, da ansiedade e da tristeza, corrói o coração e é capaz de adoecer uma mente sã. A cura para a solidão é encontrar uma companhia prazerosa, um amigo, um amor, um animal, mas aí volta aquele conceito de estar só. Quem é capaz de nos entender? Quando pensamos que conhecemos a nós mesmos, percebemos que ainda há muito a ser revelado, contudo temos o péssimo hábito de supor que conhecemos outro alguém completamente. As mentiras que contamos para nós mesmos são as piores, pois podemos acreditar. O fato é que gostamos de nos iludir, criando teorias e conceitos que julgamos fundamentais, aliás, julgar é uma coisa que está encravada na essência da humanidade. Nós nos julgamos aptos a julgar os outros, esse é o problema. Julgamos aparência, sem se importar em saber que a beleza não tem um padrão específico. Julgamos caráter, apesar de estarmos cientes de que cada indivíduo tem sua personalidade própria. Julgamos o mundo, a vida, Deus e isso nos leva aos "porquês" e "ses" mais uma vez.
Apesar de estarmos no comando de nossas vidas, livres para tomar decisões, o que nos move adiante é a certeza de que nada é certo. Tudo pode ser alterado por uma escolha mal feita, se é que existe tal coisa. Uma escolha mal feita? Acho que isso não é real. Afinal de contas, quando decidimos por alguma coisa, estamos esperando pelo melhor, então não há más escolhas e sim escolhas precipitadas.
Ao longo de nossa vida nos deparamos com inúmeras encruzilhadas do destino e algumas de nossas escolhas geram mais bifurcações em nossa trajetória. Não teria nenhum sentido se nossa estrada fosse uma linha reta, com tudo previsível. São as surpresas que dão tempero a nossa vida. As surpresas são facas de dois gumes, é claro, pois podem ser boas ou ruins, mas elas servem para mostrar que nem sempre é viável termos planos previamente elaborados, pois eles podem não se concluir e quando isso acontece, nos enfurecemos e nos frustramos, culpamos tudo, menos a nós mesmos, porque a nosso ver somos perfeitos. Perfeitos? Não. Se existe alguma coisa nesse mundo que seja perfeita, é a natureza, onde a harmonia rege o ritmo da vida e cada ser tem seu papel fundamental. E essa perfeição está ameaçada pela perversão da mente humana. Não nos julgamos racionais? Mas quem está levando o mundo a um estado calamitoso? Certamente não são os animais que constroem bombas nem as árvores que iniciam guerras. No final, somos os piores animais existentes. Se somos racionais? Acredito em parte nessa teoria, porque se fôssemos mesmo, não estáriamos onde estamos hoje, num mundo em decadência e em destruição. Talvez quando a humanidade toda parar de olhar para o próprio umbigo e arregaçar as mangas, algo possa ser feito, mas até lá, só nos resta rezar, esperar e continuar a nos perguntar: como o mundo chegou a esse ponto? Mesmo que saibamos a resposta.

Nesse texto pode haver algumas repetições de coisas já ditas no blog antes, porque eu o escrevi há algum tempo, mas só achei que agora fosse o momento ideal para postá-lo.

2 sorrisos compartilhados:

Anônimo at: 10 de fevereiro de 2010 00:09 disse...

eu li isso.. e acho que, de alguma forma, complementa o seu texto Rodiiiiii...

"Deus não apenas ajusta o vento para a ovelha tosada, mas também a ovelha tosada para o vento. Os ventos e a tosa não vêm juntos, mas geralmente há tempo suficiente para que a ovelha acostume... e sua lã cresce antes que o frio cortante chegue"

Amoooo seus textosss....
Amoooooo vc!!!

^^

bjuuu

*Amandiii*

{ Joyce Silva } at: 30 de junho de 2017 16:46 disse...

Quando li o texto me senti em um trem que não queria parar nos pontos, acredito que ainda há coisas de você aqui, mas ler algumas frases aqui me faz perceber a diferença de pensamento que separa seu eu de antes com o eu de agora.

Quanto a mim? Sempre gosto de reler meus pensamentos soltos, afinal, enxergar a nossa evolução é algo tão engrandecedor! ( Não queira ler meus textos de 2009, acredite os seus são melhores hahaha)

Sobre escolhas na nossa vida, uma vez eu estava 'reclamando' com um amigo sobre o por quê eu tinha que vivenciar determinada situação (não, Deus não estava nessa conversa) e eu me recordo exatamente do que ele me disse:

- Joyce, se você não vivesse tudo isso que vive e viveu você não seria essa pessoa forte e determinada que é hoje.

O que me faz lembrar de um de nossos seriados preferidos: Grey's e aquele episódio que a Mer vive uma vida de princesa - ou seja - que bosta.

Hoje eu agradeço cada acontecimento, e mesmo aqueles que trouxeram dores - foi cada capítulo da minha história, cada escolha, que me fez ser exatamente quem sou, tenho muita coisa a melhorar, mas sou feliz sendo assim e encontrei a ti, o que mais posso querer?

Viajar o mundo, aprender todas as línguas, tocar vários instrumentos kkkkkkkkkkkkkkkk


brincadeira, amo você!

 

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